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Como manter a inovação nas empresas quando a ordem é reduzir custos?

Redação DM

Publicado em 27 de julho de 2016 às 22:11 | Atualizado há 10 anos

“Toda empresa deve, simultaneamente, inovar, melhorar e expandir”. Já dizia o não apenas pai da administração moderna, mas um provocador da cultura empreendedora, Peter Drucker. Falar em inovar em tempos de crise é quase impossível, uma vez que a ordem nas empresas é aumentar a eficácia operacional, diminuir os custos, realizar cortes, rever orçamentos e adiar investimentos. Mas, como deixar a inovação para depois sendo que vemos, a todo o tempo, especialistas defendendo e orientando que as empresas se reinventem justamente nesse período econômico hostil e com o cenário social em mutação?

Observar a diferença de comportamento entre o que as empresas estão fazendo e o que os especialistas estão sugerindo, leva a reflexão sobre como conciliar a necessidade da redução de custos com a forte demanda pela inovação. No entanto, só conseguem inovar com representatividade as empresas que já possuem uma cultura organizacional moderna, com infraestrutura para criação, determinação de valores, comportamentos, recursos e processos.

Um bom exemplo de empresa que dá estrutura para a criação é a Google. Para se ter ida, durante um evento realizado no mês passado, o Google Assistente foi apresentado. A solução estabelece um diálogo constante entre o usuário e o Google, entendendo o que se passa no mundo de cada uma das pessoas e ajudando todas elas a realizarem suas tarefas.  A ferramenta torna fácil a compra de ingressos para o cinema quando já não se está em casa, busca um restaurante para lanchar antes do filme e ainda ajuda a pessoa a chegar ao cinema.

Quando o assunto é valores, o destaque fica com a empresa norte-americana IDEO, especializada em inovação, que tem em sua carta de clientes a General Electric, Lufthansa e Fundação Bill e Melinda Gates. O princípio da empresa é de que seus colaboradores devem agir antes de pedir qualquer permissão e só devem se retratar em caso de erro. Essa prática garante autonomia real, confiança, senso de propósito e não julgamento, valores necessários para empresas visionárias.

O comportamento também é o grande diferencial. Em uma empresa inovadora, as pessoas devem ser engajadas, comprometidas e trabalharem em função de um propósito. A norte-americana IBM é considerada, atualmente, uma das instituições mais inovadoras do mundo. Tanto que criou a tecnologia Watson, recentemente adquirida pelo Bradesco para atuação como atendente telefônico. Watson é um produto da chamada computação cognitiva, onde o software interage com as pessoas como se fosse uma pessoa, a ponto de ser praticamente imperceptível que se está falando com uma máquina.

Enxugar o quadro de funcionários tem sido uma das principais formas das empresas delimitarem os recursos. No entanto, a diminuição do custo pode significar também a sobrecarga para os colaboradores que permaneceram. É aí que vem um grande desafio: para que uma empresa seja inovadora é necessário que haja tempo para criar. Além disso, a criação também exige apoio financeiro. Desta forma, resta às empresas inovar e investir em processos e comportamentos para gerar recursos para a inovação. Uma alternativa é a realização de reuniões periódicas para criação.

A inovação é, de fato, criada através do caos ordenado. É no calor do momento que as grandes ideias surgem. Mas, é preciso que haja métodos para guiar todo o processo de inovação. A responsabilidade, portanto, é das empresas, que precisam ponderar a busca obstinada por “fazer mais com menos” para que não seja atrapalhada a necessidade de fazer melhor.

 

(Lorrany Sousa, diretora comercial e de marketing do IPOG)

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