O motorista que fez a diferença em uma época
Redação DM
Publicado em 26 de julho de 2016 às 22:05 | Atualizado há 1 anoHoje o transporte público se tornou apenas uma condução, usado para levar pessoas aos seus compromissos. Mas houve o tempo que em Goiânia os ônibus eram locais de fazer amizade, onde os motoristas conheciam um a um os seus passageiros. Loucura pensar nisso atualmente, ainda mais em uma capital que abriga 1,5 milhão de pessoas. Mas, a figura do ex motorista de ônibus João Alves dos Santos, um dos pioneiros no transporte público da capital, prova que essa época de camaradagem existiu sim. “Eu fazia questão de saber quem estava carregando”, revela o motorista de 89 anos, popularmente conhecido como João Malandro. O motorista era do tipo que dava “bom dia” e “boa tarde”, que prezava principalmente pelos cuidados dos idosos e das crianças. Na década de 50, quando conduziu o primeiro coletivo da capital, os motoristas tinham o prazer do que fazíam. Era uma honra carregar os goianos. Joao Malandro conhecia pelo nome todos os seus passageiros.
Das histórias que coleciona, uma das que ele gosta de lembrar é dos inúmeros estudantes que carregou de graça. Muitos faziam faculdade e não tinham o dinheiro da passagem. A solução era esperar o ônibus do motorista para que eles não tivessem que voltar a pé para casa. Entre esses estudantes, estão importantes figuras públicas hoje, como o ex-governador Iris Rezende Machado, Jossivani de Oliveira, ex-deputado estadual, Irapuã Costa Junior, ex-governador de Goiás, José Luiz Bittencourt, Cirineu Gonzaga, ex-vereador em Goiânia e Anselmo Pereira, atual vereador por Goiânia, entre outros que também andavam com João Malandro.

A atual situação do transporte coletivo na capital nos entristece. Não existe respeito entre motorista e passageiro, as pessoas entram nos veículos e nem olham no rosto do condutor. Da mesma forma é o motorista, que por conta do estresse do trânsito atual, não tem tempo de conversar com quem carrega. Acredito que o transporte público só melhorará quando for feita um licitação para que empresas de outros estados possam administrar. Os ônibus coletivos de Goiânia estão nas mãos de empresários que só visam lucro e não se preocupam com o bem estar da população. A planilha de horários não é comprida, o que faz com que os passageiros só cheguem atrasados em seus compromissos. Vamos torcer para que o próximo prefeito que assumir os destinos de Goiânia, possa olhar esse problema com mais carinho e respeito, o nosso tão ruim transporte coletivo de Goiânia.
(João Filho – Malandrinho, radialista e funcionário público)