Brasil

Pais, testemunhas da fé

Redação DM

Publicado em 23 de julho de 2016 às 03:25 | Atualizado há 10 anos

Não raramente, pais me procuram em busca de ajuda para os filhos que estão trilhando caminhos tortuosos. Esses pais querem que seus filhos conheçam realidades difíceis, particularmente presídios, na esperança de que retornem ao caminho do bem. Os pais ainda não acordaram para a necessidade de evangelizar a si mesmos e os filhos, de testemunharem a fé em Deus, porque, diariamente, multiplicam-se notícias de atos violentos e de uma infinidade de crimes que nos deixam estarrecidos, mas que não convencem nossos filhos sobre os riscos de perderem a própria vida.

Continua-se matando quase por brincadeira, o transito se torna caótico e violento. Os vícios e a pornografia corrompem a vida. Nosso sistema de saúde não consegue se Universalizar. Persistem as desigualdades sociais e muitos projetos pessoais desmoronam. Estamos pagando caro demais pelas opções que fazemos. Nós mesmos combinamos nossas terríveis armações e nos enredamos de tal forma que se erguem verdadeiros becos sem saída, dificultando a percepção dos rumos a serem percorridos, porque a maneira como vivemos hoje é a certeza de que somente a fé traz mudanças significativas.

Mas, como olhar com fé todas essas realidades e enfrentar os desafios que nos cercam? Parece-nos que estamos num túnel escuro. Até hoje os cristãos se veem no mesmo impasse, pois estão inseridos nos mesmos desafios a que estão sujeitos os que não creem em Deus. As perguntas pelo sentido da vida continuam a incomodar. O que fazer com o “brinquedo” que temos nas mãos, sabendo que dentro dele pode haver uma bomba-relógio? O “manual de instruções” diz que é necessário se arriscar no seguimento de alguém cujo nome é Jesus Cristo. Mas é preciso começar com a própria vida, com o coração. Porque como diz a canção “a paz tão sonhada, cantada em canções tão lindas, só chegará até nós quando ouvirmos a voz do Senhor”. Portanto, é urgente que todos os que conhecem Jesus falem dele a cada nova geração.

Quando no mundo uma obra desaba, um incêndio se alastra, as ruas estão esburacadas ou os serviços são de baixa qualidade, todos podem começar por si mesmos. E quando vivemos no olho do furacão da crise econômica, ética moral, política e, sobretudo, de fé, podemos sempre começar a ser diferentes por causa do Evangelho: “Vós sois a luz e o sal da terra.”

Para superar esse caos existencial, o Papa Francisco afirma que é preciso permanecer em Cristo para dele receber a vida, o amor, o Espírito Santo. E permanecer em Jesus é a situação mais difícil, porque significa fazer tudo aquilo que ele mesmo fazia.

Neste momento uma boa pergunta é a seguinte: eu permaneço em Jesus ou estou distante Dele? “O mundo tem necessidade de testemunhas mais do que de mestres”, porque as ações falam com mais força que as palavras.

Pai e mãe, com sua maneira de agir, devem ser para os filhos, mesmo nas coisas mais simples, as primeiras testemunhas da fé. Assim como Abraão, homens e mulheres de nosso tempo podem oferecer o que têm de melhor sem medo de dar a Deus os próprios filhos. Só assim Deus poderá desfazer a triste lógica dos sacrifícios humanos que persistem até hoje.

 

(Pe. Luiz Augusto, Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus)

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