Brasil tem lugar seguro na produção até 2030
Redação DM
Publicado em 23 de julho de 2016 às 03:13 | Atualizado há 1 anoProdutividade com Sustentabilidade reúne especialistas para debater perspectivas do Brasil para próximas décadas
As oportunidades brasileiras no segmento do agronegócio tendem a ser promissoras numa projeção da FAO (organismo das Nações Unidas para a agricultura e alimentação) até 2030. O Brasil é praticamente o único no mundo que detém terras, clima, recursos hídricos e luminosidade. Essas tendências foram apresentadas, ontem, 21, pelo professor Antônio Carlos de Souza Lima Júnior, da SL Consultoria em Agronegócios, engenheiro agrônomo com mestrado, no fórum Perspectivas e Projeções do Agronegócio PA 2030 – Produtividade com Sustentabilidade. O evento foi patrocinado pelo IPOG (Instituto de Pós-Graduação & Graduação), no auditório da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg).
Os brasileiros se preparam cada vez mais para ocupar esse espaço inédito num mundo globalizado, apontou Antônio Carlos. “Enquanto a população vai gradual e rapidamente se multiplicando, sobretudo na Ásia, as oportunidades nacionais crescem”, observou. Os produtores patrícios, segundo ele, têm tomado maior conhecimento e conseqüente aplicação da tecnologia. O resultado desse conhecimento científico é gradativamente se vai ocupando menos terras e produzindo mais. Hoje, há o aproveitamento das terras degradadas, não precisando fazer novos desmatamentos. “E assim, temos uma produção sustentável”, destaca. O produtor passou a usar ainda sementes melhoradas geneticamente. Os índices de produtividade desta forma tendem a crescer. E os agropecuaristas nacionais estão atentos a esse processo.
Crescimento da população
Conforme os estudos da FAO, a população mundial crescerá de cerca de 7 bilhões de pessoas de hoje para 8,3 bilhões de pessoas em 2030 ou 9,6 bilhões em 2050. O crescimento populacional ocorrerá em uma taxa média de 1,1% por ano até 2030, o que denota um ritmo mais lento quando comparado com o crescimento anual dos últimos 30 anos, que foi de 1,7%.
Ao mesmo tempo, uma porção cada vez maior da população mundial está bem alimentada. Para o professor Antônio Carlos, se a população mundial cresce, há necessidade de maior produção. A expectativa é também de melhoria de renda e de uma população mais urbana.
Como resultado disso, o crescimento mundial na demanda por produtos agrícolas deverá ser mais lento nos próximos anos, passando de uma média de 2,2% por ano nos últimos 30 anos para 1,5% por ano até 2030. Nos países em desenvolvimento, essa redução no crescimento da demanda será mais dramática, passando dos 3,7% dos últimos 30 anos para uma média de 2% até 2030.
No entanto, os países em desenvolvimento com níveis de consumos baixos a médios, que representam cerca da metade da população dos países em desenvolvimento, terão um lento decréscimo no crescimento da demanda por alimentos que passará de 2,9% para 2,5% por ano, e um aumento do consumo per capita.
Recuperação das pastagens
Participando do simpósio, o professor Benedito Dias, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, teceu considerações sobre a recuperação de pastagens, manutenção das florestas, o uso indiscriminado de antibióticos nos animais, qualidade do leite, processo de inseminação artificial, entre outros fatores, que chamou de “dois brasis”. Manifestou concordância com a recuperação das pastagens degradadas, apontadas pelo professor Antônio Carlos, o palestrante da noite.
Pedro Alves de Oliveira, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), revelou que há 34 anos é também produtor rural. O dirigente da Fieg fez uma avaliação do momento político e econômico brasileiro. “A hora é de dificuldade. Há 130 mil estabelecimentos industriais fechados e 12 milhões de desempregados. E isto nos entristece, mas vejo a instalação do novo governo como fator positivo, que restabelece a confiança e que dá mostras de melhoria”, considerou. E bateu firme na necessidade de investimentos urgentes nos sistemas de transportes.
O presidente da Agrodefesa, Arthur de Toledo, discorreu sobre a importância de a segurança alimentar. “Para tanto, precisamos de produtos de qualidade e preços acessíveis”, disse. Praticamente 100% do rebanho bovino goiano, composto de cerca de 12 milhões de cabeças, está imunizado contra a aftosa e outras zoonoses. E concorda com o ponto de vista de que o pecuarista goiano evoluiu. Chegou ao ponto que tende a levar em breve o Estado livre da aftosa, sem vacinação, concedido pela Organização Internacional de Epizootias (OIE), com sede em Paris. Isto significa o passaporte para exportação de carne bovina ou animais em pé a qualquer país do mundo.
