Terrorista é preso em Goiás
Redação DM
Publicado em 22 de julho de 2016 às 12:13 | Atualizado há 10 anosConhecidos como “Os Defensores de Sharia”, dez brasileiros foram presos, um em Goiás, ontem na Operação Hashtag da Polícia Federal, após trocar mensagens via internet com o Estado Islâmico (EI). De acordo com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, os textos envolviam preparação para um atentado terrorista no país, e um suposto juramento ao EI.
Para Alexandre, o grupo era amador, mas não foi ignorado pelas forças de segurança pública “Era uma célula amadora, sem nenhum preparo planejado. Uma célula organizada não tentaria comprar uma arma pela internet”, comentou.
Além do juramento, conhecido como “batismo”, não houve contato dos brasileiros com o a organização terrorista por e-mail ou pessoalmente, e não há nenhum vestígio de algum possível financiamento estrangeiro ao grupo.
“Houve contato com o Estado Islâmico via internet, além de atos preparatórios. Esse grupo deixou de entender que o Brasil seria um estado neutro e, com as Olimpíadas, poderia se tornar um alvo”, esclareceu o ministro.
A Polícia Federal vinha monitorando mensagens trocadas pelo grupo em redes sociais como o Telgram e o Whatsapp e descobriu ações preparatórias, como treinamento de artes marciais e contatos feitos em site de armas clandestinas no Paraguai, para a compra de um fuzil.
Os homens foram presos nos estados do Amazonas, Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. As investigações se iniciaram em abril desse ano e já cumpre dez mandatos de prisão temporárias, duas conduções coercitivas e 19 buscas e apreensões.
Os investigados vão responder pelos crimes de promoção de organização terrorista e realização de atos preparatórios de terrorismo. A pena pode chegar de 8 a 23 anos de prisão.
De acordo com nota da PF, o nome dos presos não será divulgado, “para assegurar o êxito da operação e eventual realização de novas fases”. O processo tramita em segredo de Justiça.
Reincidência
Em 2015, Kayque Luan Riberio Guimarães, de 18 anos, foi detido pela polícia búlgara acusado de deixar o território espanhol, onde vivia, para se juntar ao Estado Islâmico.
Natural de Formosa, a 243 km de Goiânia, o goiano prestou depoimento à Justiça espanhola e acabou tendo prisão decretada, respondendo por integração em organização terrorista, cuja pena é de seis a 12 anos de cadeia.
Na época, a polícia espanhola afirmou ter indícios suficientes de que Kayque havia sido recrutado pelo Estado Islâmico, e que se juntaria aos terroristas na Síria. À justiça da Bulgária, ele e mais dois amigos marroquinos, negaram qualquer envolvimento com terrorismo e alegaram que estava viajando de férias para a Grécia e a Turquia, e que em seguida, retornariam à Espanha.
O intendente da Força Especial de Barcelona, Xavier Porcuna, relatou que Kaique era vigiado já há sete meses e que foi preso quando decidiu se unir ao EI. O promotor chefe, Javie Zaragoza, afirmava que o goiano tinha um longo histórico de envolvimento com terroristas. “Kaique é muito perigoso. Membro de uma célula do Estado Islâmico que doutrinava jovens na região de Barcelona” disse a uma reportagem feita pela inglesa BBC. Segundo o promotor, Kaique já estava pronto para preparar ações terroristas.
Islamismo
Vitor Barbosa Magalhães, de 23 anos, foi um dos presos ontem pela Polícia Federal, acusado de envolvimento com preparatórios para um atentado terrorista marcado para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Mais conhecido nas redes sociais como Vitor Abdullah, ele trabalhava e era pai de dois filhos, e havia se convertido ao islamismo em 2010. Em 2012, passou seis meses no Egito estudando a língua árabe e a religião.
A Revista Fórum, a esposa de Vitor, Larissa Rodrigues, de 24 anos, contou que foram acordados nesta quinta por cinco oficiais da PF que possuíam mandados de busca e apreensão e mandatos de prisão. “Os mandados foram expedidos no endereço dos meus sogros, mas o Vitor disse que não tinha nada a esconder e que os policiais podiam olhar a casa”, afirmou Larissa.