Política

Saída de Iris aprofunda crise no PMDB goiano

Redação DM

Publicado em 19 de julho de 2016 às 01:26 | Atualizado há 1 ano

E iniciam conversações com PR de Waldir Soares e com PSB de Vanderlan Cardoso para disputa à prefeitura da Capital

Se com Iris Rezende o PMDB goiano sofria para estabelecer a unidade partidária, sem ele isso ficou quase impossível. Desde que o ex-governador anunciou sua aposentadoria da vida pública, o PMDB viu a crise interna se agravar e lideranças não param de trocar farpas publicamente.

Unir o partido é o principal desafio do deputado federal Daniel Vilela, presidente da legenda em Goiás. Mas a tarefa é complicada. A ex-deputada Dona Iris não para de revelar nas redes sociais toda a mágoa do grupo irista com os chamados “jovens”, que são representados pelas figuras de Daniel e seu pai Maguito Vilela.

“Infelizmente, Iris deu luz e oportunidades a muitos jovens. Fez mais: deu-lhes um mandato. Deram de ombros. E agora?”, pergunta a ex-deputada. “Acredito que a responsabilidade do fim do partido marcará estes mesmos ombros. Para sempre. Como marca histórica. Inapagável”, escreveu Dona Iris no Twitter. A ex-deputada já havia declarado que não vai se calar e seguirá falando as verdades sobre o partido.

Questionado sobre como recebe as críticas de Iris Araújo ao comportamento da ala jovem do PMDB, incluindo seu filho, Daniel Vilela, o prefeito Maguito Vilela disse que o papel das principais lideranças do partido deve ser o de trabalhar pela “união e não pela desagregação”.

Ano passado, Maguito Vilela acompanhou de perto a disputa entre a ala jovem e o grupo Iris Rezende/Iris Araújo, quando Daniel Vilela derrotou o ex-prefeito Nailton de Oliveira para a presidência do diretório estadual do PMDB. Embora não tenha atuado diretamente na disputa, Maguito e seus seguidores, por questões óbvias, votaram na chapa encabeçada por Daniel.

Durante o evento que marcou o apelo dos peemedebistas para que Iris Rezende refluísse de sua decisão de abandonar a vida pública, Maguito Vilela fez questão de reafirmar a sua trajetória de “lealdade” ao ex-governador, desde quando disputou o mandato de deputado estadual em 1982, que marcou o seu ingresso no PMDB goiano.

Iristas dizem que a derrota para a direção estadual do PMDB não foi de Nailton de Oliveira e sim do próprio Iris, imposta pela ala jovem comandada por Daniel Vilela. “Pela história de Iris, esses meninos não poderiam submetê-lo a uma humilhação tamanha”, registra um político da velha guarda do partido.

Deputado estadual José Nelto usa as redes sociais para dizer que Iris Rezende deve sua trajetória política ao PMDB. Iris Araújo rebate, dizendo que o PMDB é que deve a Iris as vitórias que conquistou nas eleições ao governo do Estado e à prefeitura de Goiânia.

Daniel Vilela tem evitado responder às críticas feitas pela ex-deputada federal Iris Araújo à direção estadual do PMDB. Ele prefere não contribuir para agravar a crise interna do partido, já que pretende colocar seu nome como opção para a sucessão estadual de 2018.

Sem nome forte

A situação do PMDB é complicada porque Iris Rezende liderava as pesquisas para prefeito de Goiânia e agora o partido se vê sem um candidato sequer competitivo. Na segunda rodada da pesquisa Serpes, o deputado Bruno Peixoto apareceu com 4,6%; o deputado José Nelto ficou com 2,0% e o vice Agenor Mariano obteve apenas 0,8%. Nos bastidores, os cardeais peemedebistas já articulam uma possível composição com o PR do Delegado Waldir Soares ou com o PSB de Vanderlan Cardoso. “Peixoto, Nelto e Mariano não conseguirão herdar os votos de Iris”, diz um parlamentar peemedebista.

 

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