Brasil

Transporte coletivo é de gestão pública

Redação DM

Publicado em 16 de julho de 2016 às 02:53 | Atualizado há 10 anos

Enquanto a corrupção no País prossegue com efeito dominó, notadamente em órgãos e instituições do Governo federal (só houve pressão para alijar Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados, mas o chefão do bando criminoso, Lula, está fazendo campanha contra o impeachment de sua criatura, ambos blindados por ministros do Supremo Tribunal Federal com o DNA do petismo, ao mesmo tempo em que o presidente do Senado, Renan  Calheiros, do PMDB de Alagoas, tenta aprovar uma lei para inibir a operosa atuação da Lava Jato, que vem passando o Brasil a limpo), o nosso tema de hoje é sobre a clamorosa deficiência do transporte coletivo na capital goiana e  sua região metropolitana. O chamado transporte de massa é um dos mais relevantes serviços de natureza pública e social e por isso mesmo não pode ser comandado pelos empresários do setor privado, que só visam lucros e não se interessam pelo seu aprimoramento. Há mais de quatro décadas, em série de artigos em O Popular (13 de maio de 1976) sob o título “Transporte de Massa”, já alertávamos os  governos da União, dos Estados e da Municipalidade goianiense sobre a imperiosidade de planejar  e estruturar um Sistema Integrado de Transporte Urbano de qualidade em todo o País. Como sentencia o filósofo e fundador da Sociologia, o francês Auguste Comte (1798-1857) “Savoir pour prévoir, prévoir pour prevenir” (Saber para prever, prever para prevenir). Logo, no caso do transporte coletivo, o planejamento técnico-científico é fundamental à eficiência  desse setor público.

Ao longo dos governos Lula e Dilma (mais de 13 anos), praticamente nada se fez  para melhorar o transporte coletivo urbano, enquanto volumosos recursos federais  foram destinados a países do exterior governados por ditadores, a exemplo da Venezuela, Cuba, Guiné Equatorial e Gana. O lulopetismo chegou a cogitar do trem-bala (Trem de Alta Velocidade), que faria o trajeto São Paulo-Rio, passando por Campinas (SP) e com orçamento inicial de R$ 34,6 bilhões. Empresas da Coreia do Sul e do Japão é que iriam construí-lo. Ao que tudo indica, a presidente afastada por responder a processo de impeachment, não retornará ao poder, pois há uma sucessão de fatos ilícitos contra a ex-guerrilheira. Imagine-se que se o projeto do trem-bala, ideia de seu antecessor e apadrinhado político, fosse concretizado, o superfaturamento das obras seria montanhoso, conforme aconteceu com donos de empreiteiras presos pela Lava Jato, a exemplo da Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez  que saquearam a Petrobras e outras estatais, além do pagamento de propinas a vários políticos, senadores e deputados federais. Enquanto a corrupção e os corruptores vicejam no País, o transporte coletivo e outros serviços públicos essenciais como segurança (a violência não tem hora para acontecer, inclusive contra mulheres, adolescentes e crianças), saúde, educação, previdência social e outros setores públicos vitais são negligenciados.

No caso específico da capital de Pedro Ludovico e da Grande Goiânia, o transporte coletivo só será aperfeiçoado com a implantação do metrô, moderno e dinâmico meio de mobilização nos centros urbanos, a exemplo de seu predomínio em Nova York, Paris, Tóquio, Londres, Toronto (Canadá) e Buenos Aires, todos com qualificação tecnológica, estações espaçosas e com agentes de seguranças. No Brasil, ainda que não iguais aos referenciados, há metrôs em diversas capitais, inclusive no Rio, São Paulo, Porto Alegre e Brasília. Se a capital do País (Brasília), com apenas 56 anos (21 de abril último), já dispõe desse valioso meio de transporte coletivo, beneficiando sua população, por que a capital goiana, que fará 83 anos no próximo 24 de outubro, ainda não conta com esse importante meio de mobilização de massa urbano? Embora o transporte coletivo seja de atribuição do município de Goiânia, a União e o Estado também devem colaborar para sua presença na Capital e na Grande Goiânia, funcionando no sentido Norte-Sul e Leste-Oeste. A propósito, devemos registrar que, em sua edificante gestão, o então governador Henrique Santillo tudo fez para  implementar  o metrô de superfície em Goiânia, cujos estudos foram promovidos pelo engenheiro Carlos Maranhão. Os estudos opinaram pelo metrô de superfície e não o subterrâneo. Santillo esperava pelo apoio do governo federal (na época, o presidente era Lula), mas não obteve o necessário respaldo. Por sua vez, o governador Marconi Perillo, adotando o mesmo ideário de Santillo, se empenhou pelo metrô na Capital e na Grande Goiânia, mas também encontrou barreiras do lulopetismo odioso para estruturar seu projeto, que só tinha o objetivo social de beneficiar a população. Posteriormente,  Marconi criou a Metrobus, estatal que se mobiliza ao longo do Eixo  Anhanguera com suas amplas estações. Não obstante problemas de segurança (furtos, roubos e outros ilícitos), como ocorre nos ônibus particulares, o transporte coletivo na estatal Metrobus funciona com mais eficiência no trajeto da Anhanguera.

Há algum tempo, o prefeito Paulo Garcia teria recebido ajuda financeira do lulopetismo para instituir em Goiânia o projeto Bus Rapid Transit (BRT), Ônibus de Trânsito Rápido, que deverá funcionar no sentido Norte-Sul e Leste-Oeste. Todavia, não obstante a boa intenção do chefe do Executivo goianiense, o BRT não será a solução satisfatória para mobilizar a grande população usuária da Capital e da  região metropolitana. O ideal, porém, é o sistema de metrô para a melhor qualidade do transporte coletivo na Metrópole goiana. No caso, o metrô de superfície, conforme estudos feitos pelo engenheiro Carlos Maranhão por determinação do governador Marconi Perillo, inovador da gestão pública no Estado de Goiás. Acreditamos que com a participação do primeiro mandatário goiano e da respectiva bancada do Estado no Congresso Nacional poderão solicitar o apoio do presidente em exercício, Michel Temer, a fim de que o governo central colabore com recursos financeiros  para que Goiânia tenha o seu Metrô, a exemplo da vizinha Brasília e de outros centros urbanos do País. O atual presidente da República tem  hoje no Ministério da Fazenda o goiano Henrique Meirelles, ora reorganizando a calamitosa situação econômica e financeira dos governos Lula-Dilma, que tanto prejudicaram o povo e quebraram o Brasil.

A realidade é que, conforme dissemos inicialmente, o transporte de massa urbano não pode ficar nas mãos dos empresários privados, que só almejam lucros com aumentos constantes das tarifas e não se empenham pela sua melhoria e qualidade, a exemplo do que acontece na Metrópole goiana. Basta ver a superlotação dos ônibus, falta de abrigos, alguns deles sem cobertura e no meio do matagal, sobretudo nos bairros da periferia. Não raro, os ônibus passam superlotados, não param e deixam  para trás usuários dos precários serviços sob o sol, à noite ou debaixo de chuva. Não raras vezes são idosos (as), mulheres com filhos (as), adolescentes e até crianças vítimas desses e outros gritantes descasos dos donos de ônibus que dominam o transporte coletivo em Goiânia. Após este contexto pedimos vênia para fazer nossas as lapidares palavras do sociólogo brasileiro Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde) sobre o consagrado e imortal escritor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), socialista autêntico, nosso conterrâneo, autor, entre outras expressivas obras, de “Vidas Secas”, “São Bernardo”, “Caetés”, “Infância”, “Angústia”, “Insônia” e “Memórias do Cárcere” (esta póstuma) – “Foi  um apaixonado subversivo contra as injustiças sociais e contra toda sorte de alienação no plano  econômico e político”. Finalizando, reafirmamos  que  o transporte coletivo é de gestão pública e não capitaneado por empresas particulares.

 

(Armando Acioli, jornalista e formado em Direito pela UFG)

 

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