Cotidiano

Golpe aplicado no desespero

Redação DM

Publicado em 14 de julho de 2016 às 02:35 | Atualizado há 10 anos

Uma nova forma de golpe de estelionatários pedindo dinheiro por telefone está sendo praticada contra pessoas que têm parentes internados no Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO). Os golpistas já fizeram quase uma dezena de vítimas desavisadas com valores variando em média R$ 1.000,00.

A vendedora J.N.S. veio de Itumbiara com o marido em estado grave em busca de tratamento no HUGO. Ele tem um problema sério no intestino ainda não diagnosticado e apresentou um quadro de infecção generalizada. Ela e o marido chegaram de ambulância na madrugada dessa quarta-feira e foram direto para a emergência do HUGO, onde ele deu entrada na internação e ela foi para a assistência social cumprir os protocolos da burocracia.

“Vim de Itumbiara e não fui em nenhum outro lugar aqui em Goiânia, não passe nome nem telefone para ninguém e só fiquei aqui na porta esperando uma resposta do hospital sobre meu marido”, contou. No início da tarde ela recebeu uma ligação de um número não identificado dizendo que seu marido precisava realizar um exame urgente e que precisava ser particular porque o aparelho no HUGO estaria estragado desde o início da semana.

A primeira reação de J.N.S. foi de preocupação porque o estado do marido realmente ensejava cuidados e ela estava propensa a acreditar que pudesse ser verdade o pedido de dinheiro para o exame. “A pessoa que me ligou falou com muita convicção que se tratava de um pedido de dinheiro para que fossem feitos em meu marido. Falou com muita segurança meu nome completo, meu CPF e até o telefone que eu uso. Tudo para acreditar mesmo”, frisou.

O pedido de R$ 1.250,00 levou-a a ter ainda mais dúvidas sobre a possível veracidade do suposto exame que seria feito, porque o preço é compatível com os custos de exames de alto custo como tomografia. O homem que a abordou no telefone deu o número de uma conta bancária e da agência para que fosse feito o depósito. Ela não desconfiava até então. “Só percebi que poderia ser um golpe quando vi outra pessoa na mesma situação, recebendo ligação de um homem que pedia dinheiro para fazer exames”, narrou.

Suspeita

A outra mulher que a vendedora de Itumbiara viu na mesma situação era A.M.S., cujo filho está internado no HUGO, também na Unidade de Terapia Intensiva com politrauma após sofrer um acidente de moto. O rapaz de 20 anos também está em estado grave, como o marido da outra vítima e necessita ser submetido a exames constantes para monitorar uma infecção pulmonar que lhe acometeu.

A mãe do rapaz acidentado também recebeu uma ligação de um número não identificado que lhe pedia R$ 1.180,00 para exames de imagem complementares. A suspeita de que se tratava de uma tentativa de golpe só ficou mais clara na segunda ligação que ela recebeu alguns minutos depois. O telefone era prefixo 65, confirmando ser de outro estado (Mato Grosso), o que não poderia justificar um pedido para exames no HUGO, em Goiânia. “Todos os dados, como o nome do meu filho, meu telefone e CPF, a informação até da UTI em que ele estava internado, tudo batia e me induziu a acreditar que pudesse ser verdade”.

A suspeita aumentou quando ela anotou o número da conta para fazer o depósito em dinheiro. A operação 013, da Caixa Econômica Federal, comprova se tratar de uma conta-poupança e não conta-corrente, comprovando ser um golpe fajuto. A mulher questionou porque se tratava de uma operação de poupança e o homem desligou o telefone imediatamente.

A conta passada para as duas mulheres que foram abordadas na tarde de ontem são da Agência 0164, de Rondonópolis, Mato Grosso. O telefone (65) 99910-9891 é um celular cadastrado também naquela cidade. As suspeitas são de que se trata de detentos da cadeia local que têm cúmplices com acesso aos dados do Hospital de Urgências de Goiânia para passar informações para esses bandidos.

O golpe “bença, tia” é uma das mais praticadas modalidades de crimes cometidos em presídios, por se tratar de uma gama ampla de potenciais vítimas. “Só o pessoal do HUGO tinha meus dados. Essas informações vazaram de lá para esses bandidos”, protesta A.M.S. que quase caiu no conto aplicado pelos estelionatários. “Eles não respeitam nem mesmo a dor de quem está na agonia tentando salvar a vida de quem ama em um hospital”.

A assessoria do HUGO respondeu aos questionamentos da reportagem ressaltando que orienta as vítimas a procurarem a Polícia Civil para lavrar o competente registro da ocorrência. Mas, não respondeu nada sobre o vazamento das informações que só o HUGO possui em seu cadastro de pacientes e responsáveis por essas pessoas internadas.

 

[box title=”NOTA OFICIAL DO HUGO”]

Nota de resposta para Diário da Manhã

O Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) informa que possui equipes de Psicologia Hospitalar e Serviço Social e que durante o acolhimento familiar realizam orientações gerais, inclusive em relação aos direitos e deveres dos pacientes e seus familiares. O Hugo é um hospital público e segue todas as diretrizes do SUS, portanto, toda e qualquer assistência prestada no Hospital é gratuita, universal e equânime. A direção da unidade de saúde orienta as famílias que, porventura foram abordadas pela provável quadrilha, a procurarem a polícia para denunciar esse tipo de golpe. Vale destacar que este é um crime que vem sendo aplicado por quadrilha especializada, em várias partes do Brasil, junto a unidades públicas e privadas de saúde.

 

Assessoria de Imprensa do Hugo – Instituto Gerir.

Goiânia, 13 de julho de 2016..[/box]

 

 

 

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