Brasil

A profundidade do buraco paulista

Redação DM

Publicado em 12 de julho de 2016 às 02:37 | Atualizado há 10 anos

Se retroagíssemos no tempo em um espaço de 205 anos, chegaríamos ao ano 1811, ou seja, começo do Século XVIII, quando a  libertação do Brasil era só um sonho acalentado no sentimento do povo, até porque, a tentativa pregressa de libertação fora baldada e severamente punida, na pessoa do Alferes Tiradentes.

E antes mesmo que Dom Pedro I houvesse esboçado o gesto de libertação, os paulistas já começavam a cavar um buraco endividatório de descomunal tamanho, à razão de um bilhão de reais por ano, coisa que se tivesse sido predita por Nostradamos, mesmo assim, ninguém acreditaria.

São Paulo sempre foi o estado brasileiro mais rico e pujante, economicamente, haja vista o seu extraordinário parque industrial, seus expressivos segmentos de comércio, serviços, exportação, mineração e agropastoril, e dotado de uma rede de comunicação e transporte – terrestre, fluvial, marítimo e aéreo – de excelente qualidade operacional. E de sobejo, uma população miscigenada de muitas raças estrangeiras, todas vocacionadas à produção de riquezas, como consta nos assentamentos históricos daquele estado.

À vista disso, é de se perguntar como foi que conseguiram construir uma dívida tão grande (205 bilhões), uma cifra imaginariamente impagável e de eterna subsistência, que já é um débito hereditário de sucessão governamental, sem a menor expectativa de liquidação rasa e plena, ao decorrer do primeiro centenário deste terceiro milênio.

E à borda do imenso buraco, o governador Geraldo Alckmin se curva perigosamente, tentando ver o fundo do poço, mas, o vazado espaço parece não ter fim, dando a parecer de estar cada vez mais aprofundado. E o governador está desolado e sem a menor esperança de um dia vê-lo aterrado e tapado, e com grama por cima, sem mais vestígio do assustador sumidouro.

Os paulistas são mesmo toupeiras; com incrível vocação de cavar profundos buracos, mas, ingenuamente, sem suspeitar que poderiam ser soterrados em suas próprias escavações, a propósito da brutal inadimplência em que estão atolados. E a mãe União alonga o prazo, mas, não perdoa o débito, e vem cobrar o devido nos conformes do seu direito, embora purgada e escalonadamente, absolutamente renunciada de um prazo final de quitação. E os paulistas já deram prova de exímios escavadores de buracos abissais, capazes que são de construírem uma linha de Metrô vertical – ligando o Brasil ao Japão – até mesmo sem a ajuda de qualquer empreiteira do segmento obreiro.

“Devo e não nego. Pagarei quando puder.”

Será se esse adágio popular teve origem na cultura paulista, por conta da disposição endividadora do seu povo?

 

(Durval Campos, escritor (poeta e prosador) residente em Goianira-GO, [email protected])

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