O caminho humano para chegar ao divino
Redação DM
Publicado em 10 de julho de 2016 às 01:52 | Atualizado há 10 anos“Buscai primeiro o reino de Deus e a sua Justiça, e tudo mais vos será acrescentado”,
Mateus 6, 24-34
Desde os primórdios da humanidade o homem busca uma forma de promover a interação de sua consciência com conceitos virtuais, ou intocáveis, ou simplesmente algo que não possa ver nem sentir, mas que no fundo de sua imaginação concebe a existência e respeita. A crença em uma energia sobre-humana que rege as relações dos homens com a natureza e com outros seres sempre presente nas reflexões e na busca dos indivíduos por caminhos que assegurem o objetivo maior da existência, que é a felicidade.
Essa busca incessante de homens e mulheres ao longo dos milênios da existência humana é tão somente a ansiedade por viver em comunhão com um princípio criador que todos sabemos ser pacífica sua existência, mas que os caminhos para compreender esse princípio se multiplicam. Alguns com mais intensidade, outros menos, mas o certo é que todos temos uma sede de compreender os mistérios que cercam nossa existência do poder de criação que está acima da nossa compreensão, servindo de impulso para que os indivíduos tenham suas vidas orientadas para uma relação mais íntima com o que consideram ser a representação de um poder supremo.
Nós, maçons, acreditamos na existência de um poder criador de tudo o que está no firmamento e nos planetas. Deus, o Grande Arquiteto Do Universo, é para nós o regente de todos os significados, destinos e conceitos e orientamos nossas vidas sobre os ditames do que recebemos de instrução de Suas Palavras, que é o que está contido no Livro da Lei, a Bíblia. Esse conjunto de livros que a humanidade vem compilando desde tempos imemoriais contém o norte da sabedoria e a orientação precisa de como devemos basear nossas vidas para seguirmos em perfeita comunhão com o Criador e atingirmos nossos objetivos de paz interior, harmonia com os demais habitantes desse mundo e do universo e concórdia com o norte que traçamos para termos alegria em nossas vidas.
O que está escrito no Livro da Lei é o embasamento de como devemos proceder, ou simplesmente viver. Mas, não basta apenas ler o texto seco e árido que nos é disposto. Deus nos dá inteligência e nos dota de capacidade de reflexão para conduzirmos nossos destinos dentro do princípio do livre arbítrio, não nos desviando da linha mestra dos seus preceitos. Isso é basicamente uma forma de raciocínio tendo por base o ensinamento do Altíssimo para não incorrermos em erros grosseiros que nos afastam Dele e de nossos irmãos. Os homens e mulheres são chamados sempre a seguir um novo caminho, de justiça e de paz.
Houve um tempo que os homens tiveram uma orientação brutal de se relacionar. Isso está na primeira parte do Livro da Lei, chamado Antigo Testamento. Podemos nos lembrar, por exemplo, de um ordenamento de conduta para os homens contido na Lei de Talião, mandando que executassem sentenças terríveis como “olho por olho, dente por dente”. Esse era o contexto vivido pelo povo hebreu após a saída do cativeiro do Egito. E há outros momentos em que a pena de morte é descrita como normal e recomendável na Bíblia e também variadas sentenças terríveis e de extrema violência. Tudo a seu tempo e dentro dos propósitos do período sob a definição ditada pelo Grande Arquiteto Do Universo. Aliás, o próprio Livro da Lei nos ensina a respeitar o tempo determinado para cada coisa sob o firmamento: tempo de nascer e de morrer, de plantar e de colher, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de edificar, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de falar e tempo de estar calado.
Porém, Deus, em sua infinita bondade, sabedoria e misericórdia, mandou seu filho, como estava profetizado, para resgatar os homens da maldade e do pecado. O Justo, Jesus Cristo, o redentor, modificou essencialmente esse ditame, dizendo que o caminho a seguir a partir de então seria o do amor, da graça e da paz. “Eis que eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Nisso sereis conhecidos como meus discípulos. Ninguém tem mais amor do que aquele que dá a vida por seus irmãos”. Há conceitos de sabedoria e também de vivência em comunidade e no que está escrito pesa a certeza indelével de que o Supremo Criador coloca em nossos corações a certeza de que tudo no mundo segue Sua Régia concepção e que não nos é dado o direito de conhecer o princípio e o fim, apenas crer que em seus mistérios reside o segredo para nossa alegria.
A maçonaria universal busca praticar em suas lojas onde se reúnem irmãos de jornada e trabalho, momentos preciosos de estudos e reflexões sobre como conduzir nossos destinos pelo caminho do bem, da paz e da fraternidade. Buscamos sermos melhores conosco para levarmos mensagens de amor, de pacificação e de fraternidade para os outros, porque em nós reina a certeza de que reside em nós a capacidade para construirmos o caminho para chegar ao divino.
Adolfo Ribeiro Valadares é Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado de Goiás