Iris: estratégia ou fuga?
Redação DM
Publicado em 7 de julho de 2016 às 02:39 | Atualizado há 1 anoO mundo político recebeu com ceticismo as declarações do ex-governador de que não disputará a Prefeitura de Goiânia e as opiniões sobre as motivações estão divididas
Para uma parcela do mundo político, Iris está testando a opinião pública para provocar uma romaria em prol sua candidatura. Para outra parte, o líder do PMDB estaria fugindo de possível escândalo, prestes a explodir, relacionado às investigações da Polícia Federal – as suspeitas recaem tanto sobre a Lava Jato quanto Carlos Cachoeira e as relações nebulosas da Delta com o Paço Municipal quando Iris ainda era prefeito.
Nos bastidores, integrantes do PMDB e de partidos próximos afirmam que Iris estaria agindo em retaliação ao deputado federal Daniel Vilela, que representa a “nova ala” do partido. Desde que venceu a eleição para deputado federal, o filho de Maguito Vilela (prefeito de Aparecida de Goiânia) está numa cruzada incessante para tirar o partido das mãos do cacique. Mas uma derrota do partido em Goiânia, a dois anos das eleições estaduais, é um duro golpe para os planos eleitorais de Daniel.
O mesmo vale para o senador Ronaldo Caiado (DEM), que teria na prefeitura, em caso de vitória de Iris, o mesmo esteio para uma candidatura estadual. Sem Iris no comando do Paço, a postulação de Caiado sobre Daniel – ambos querem a cabeça da chapa da coligação PMDB/DEM – perde força, já que Iris é o principal avalista do parlamentar ruralista.
“Eu não acredito, da mesma forma que a população de Goiânia não acredita. Esse jogo do Iris é mais do que conhecido, é mais do que mandado. Está em todas as eleições”, disse ontem o presidente da Agetop, Jayme Rincón. Segundo ele, Iris age para que o PMDB faça o pedido e ele coloque as condições da candidatura. Rincón afirma que tem total certeza que o PMDB deve decidir em agosto pela candidatura de Iris Rezende.
“Ele é candidatíssimo e nós temos que ter muito juízo a partir de agora, porque se nós não nos unirmos vamos entrar no jogo do Iris, de achar que ele não é candidato e depois ele entra de candidato e ganha eleição”, alertou o peessedebista. A entrevista foi concedida a Altair Tavares e afirmou que a base aliada tem que caminhar unida e que não se pode cair na jogada do ex-prefeito.
A corrida para ocupar a cadeira de Paulo Garcia na Prefeitura de Goiânia ganhou combustível com o anúncio de Iris Rezende, ontem, 6, em que reafirmou por meio de uma carta a aposentadoria política – já anunciada em 2014, após a derrota para Marconi Perillo na disputa pelo governo estadual. Todavia, as recentes sinalizações dele próprio a favor da disputa (chegou escrever outra carta para anunciar a pré-candidatura, mas não assinou), colocam em xeque a verdadeira intenção do cacique.
Não é a primeira vez que Iris, no afã de criar um clima de “clamor” em torno do seu nome, afirma categoricamente que não participará de um pleito. Foi assim nas últimas eleições em que se candidatou ao governo de Goiás e à Prefeitura de Goiânia. Assim como em 2014, disse esperar, sem sucesso, “um sinal de Deus” para entrar na disputa. “Pedi que, se fosse da vontade de Deus, colocasse no meu coração a vontade de ser candidato. Essa vontade não veio”, afirmou ontem em entrevista à repórter Fabiana Pulcineli.
Para o presidente da Agetop, Jayme Rincón (PSDB), Iris continua candidato a prefeito. “Eu não acredito e a população de Goiânia também não acredita”, afirmou. Rincón disse se tratar de “jogo do Iris”. Para o tucano, Iris faz uma ação para que o PMDB faça o pedido e ele coloque as condições da candidatura. Rincón afirma que tem total certeza que o PMDB deve decidir em agosto pela candidatura de Iris Rezende. “Ele é candidatíssimo e nós temos que ter muito juízo a partir de agora, porque se nós não nos unirmos vamos entrar no jogo do Iris, de achar que ele não é candidato e depois ele entra de candidato e ganha eleição”, afirmou em entrevista ao jornalista Altair Tavares. “O Iris será um adversário forte, ele lidera todas as pesquisas e se a base aliada não se unir, Iris Rezende será o próximo prefeito de Goiânia”, alertou.
Pré-candidato à prefeitura pelo PTB, Luiz Bittencourt entende que a aposentadoria pode ser definitiva. Ele explica que o novo cenário político nacional alterou a percepção das pessoas em relação aos proponentes, sobretudo aos que têm mais tempo de vida pública – e que não conseguiram acompanhar esta transição. “Acontece que o mundo e a forma de fazer política mudaram radicalmente e Iris não acompanhou esta evolução. Seu discurso populista e jeito de fazer política não mais condizem com a realidade e estão longe de apresentar o que Goiânia precisa neste momento”, avaliou.
O deputado estadual Santana Gomes (PSL) entende que Iris deve estar, de fato, tirando o time de campo. Ex-vereador, Gomes diz haver vários fatores que podem ter pesado na decisão. “O fato de ser conhecido por 95% dos goianienses deveriam colocá-lo como líder absoluto nas pesquisas, o que não ocorreu”, disse. “Essa eleição não é do mais conhecido. É de quem tem alguma coisa para apresentar”, alegou. Ele disse também que os recentes desdobramentos da Operação Saqueador, da Polícia Federal, devem ter influenciado Iris.
“Colocaram novamente a empresa Delta Engenharia sob os holofotes da mídia. Todos sabem que foi ele (Iris) que trouxe a Delta para Goiás”. Luiz Bittencourt concorda. “O cenário de denúncias, as delações envolvendo Delta e Odebrecht podem ter pesado na decisão de se aposentar”, afirmou Santana Gomes. Outro fator, de acordo com o deputado, fez Iris supostamente desistir do pleito. Ele considerou a eleição para o comando estadual do partido, que agora é comandado por Daniel Vilela, deixou sequelas no grupo de Iris dentro do PMDB.
Para o vereador Thiago Albernaz (PSDB), caso a saída de Iris da vida pública seja confirmada, o fez em boa hora. Disse que o peemedebista “foi muito feliz” na decisão de recuar. “(Iris) Tem uma vida política de respeito, tradição”, afirmou. “Mas se a questão da Delta tiver pesado na decisão, se esse foi o motivador, foi tardio. O sentimento de culpa é tardio. Pela história que ele tem, se for por esse motivo, é lamentável”, avaliou.


