Política

Iris corre da sucessão e abandona a política

Redação DM

Publicado em 7 de julho de 2016 às 02:36 | Atualizado há 1 ano

Pré-candidatos sustentam que,a partir de agora, a disputa pela prefeitura fica equilibrada

A saída de Iris Rezende da disputa eleitoral muda o quadro sucessório em Goiânia e deixa o pleito sem favorito. A opinião é dos pré-candidatos ouvidos pela reportagem do Diário da Manhã. Segundo os concorrentes ao Paço Municipal, as forças políticas ficam equilibradas, a partir de agora.

O deputado federal Delegado Waldir Soares (PR), que aparece empatado tecnicamente com Iris Rezende, nas pesquisas Serpes e Paraná, preferiu não fazer avaliações sobre os desdobramentos da sucessão em Goiânia após a desistência do ex-prefeito. “Tenho respeito por todos os pré-candidatos a prefeito. Prefiro não emitir juízo de valor ou falar sobre o que acontecerá na disputa eleitoral com a saída de Iris.”

Waldir Soares disse que a sua preocupação, no momento, não é avaliar decisões dos adversários e sim debater propostas sobre o futuro de Goiânia. “É indiferente para mim o comportamento dos adversários. A repercussão da desistência de Iris não deve ser feita por mim e sim pelos especialistas em marketing político.”

O deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB) preferiu não emitir opinião sobre a desistência de Iris Rezende. A deputada estadual Adriana Accorsi (PT) não atendeu as ligações em seu celular.

Em nota distribuída à imprensa, o empresário Vanderlan Cardoso (PSB) disse que Goiânia precisa, sim, de mudanças para o futuro, mas hoje é um dia de “olharmos também para o passado com especial admiração pela caminhada política de Iris.”

Vanderlan, que apareceu em terceiro lugar nas pesquisas Serpes e Paraná, atrás de Delegado Waldir Soares e Iris Rezende, ressaltou que o PSB Metropolitano vem a público expressar seu reconhecimento à trajetória política de líder do PMDB. “Inegavelmente, Iris teve papel importante na política brasileira. Foi prefeito, governador, senador da República; participou efetivamente na reabertura democrática do País.”

Vanderlan reconheceu as divergências com Iris sobre os rumos que a cidade deve adotar para o futuro, porém “isso é próprio do processo político e da democracia.” E acrescentou: “Nossos antagonismos sempre foram pautados no respeito mútuo e no intuito de melhorar a vida da população, que espera dos políticos um debate construtivo.”

O ex-deputado federal Luiz Bittencourt (PTB) afirmou que a sucessão em Goiânia tomará novos rumos com Iris Rezende fora da disputa eleitoral. Segundo ele, a mudança do quadro eleitoral é profunda. “A disputa agora não tem favorito. A saída de Iris abre um novo cenário para a corrida à prefeitura. As forças políticas ficam equilibradas e torna a disputa de resultado imprevisível.”

Bittencourt lembra que Iris, por ter sido três vezes prefeito e duas vezes governador, era o pré-candidato mais conhecido do eleitorado goianiense. “Agora, a situação é outra. Vamos disputar em igualdade de condições e quem mostrar projetos consistentes, realistas e factíveis tem condições de crescer nas pesquisas eleitorais.”

O vereador Djalma Araújo (Rede) é de opinião que, com a saída de Iris Rezende, abrem-se muitas perspectivas nesse pleito eleitoral. “Todos agora têm igualdade de condições de chegar ao Paço Municipal. Não há pré-candidato favorito. Leva vantagem quem conhece Goiânia.”

Djalma questiona o conteúdo da carta divulgada por Iris Rezende, em que formaliza a decisão de não disputar a Prefeitura de Goiânia. “Que cidade é aquela que ele descreve? Meus amigos, falar que Goiânia não tem poeira e lama? Existe lama, poeira e enxurradas que matam pessoas, por conta da boca-de-lobo que ele, quando prefeito, deveria ter feito e não fez. Falar que não tem favela é outra brincadeira. É a capital do assassinato de moradores de rua. E que eu saiba moradores de rua são problemas sociais da prefeitura.”

O pré-candidato da Rede afirmou que Goiânia tem vários problemas e que foram produzidos durante todos os mandatos de prefeitos, “inclusive os três dele.” E acrescentou: “Logo, não fecha a conta o ex-prefeito mostrar uma cidade que não existe. Uma pesquisa da ONU coloca Goiânia dentre as mais desiguais do planeta. Isso ele não colocou na carta.”

O empresário Alexandre Magalhães (PSDC) lamentou a desistência de Iris Rezende, pois, na sua opinião, o ex-prefeito enriquecia o debate sobre a sucessão em Goiânia. “Iris Rezende tem serviços prestados a Goiás e a Goiânia. Sua saída da disputa enfraquece o debate. Agora, a sucessão fica mais embolada e de resultado imprevisível. Não há favoritismo neste pleito. Lamento a saída de Iris, pois se trata de uma pessoa de bem e com trajetória política”.

Iris: “É uma decisão irreversível”

O ex-governador Iris Rezende (PMDB) afirmou, ontem, que a decisão de não concorrer à Prefeitura de Goiânia e de se afastar da vida política, após 58 anos de militância, é irreversível. “É uma decisão muito refletida, pensada, amadurecida. É uma posição irreversível.”

O peemedebista revelou que a posição foi tomada logo após tomar conhecimento dos resultados das eleições para governador, em 2014, quando não obteve êxito nas urnas. “Quando vi o resultado, tomei uma decisão íntima, não a revelei a ninguém.”

O ex-prefeito não acredita que o PMDB ficará fora da disputa pela sucessão do prefeito Paulo Garcia (PT), mas evita citar nomes. “Só se os nossos companheiros não tiverem competência para escolher um nome. O PMDB é um partido rico em nomes.”

Em telefonema ao jornalista Batista Custódio, editor-geral do Diário da Manhã, Iris Rezende desculpou-se pelo fato de a carta que comunica a decisão de não disputar a Prefeitura de Goiânia ter sido fornecida a apenas um veículo de comunicação. “Quero me desculpar com você, com os jornalistas do Diário da Manhã. A minha orientação aos assessores era de que a carta fosse liberada apenas hoje (quinta-feira) e não ontem (quarta-feira), mas acabou vazando para apenas um veículo de comunicação.” No início da tarde de ontem, Iris Rezende recebeu a reportagem do Diário da Manhã e concedeu a seguinte entrevista:

 

Quais as razões que levaram o senhor a desistir de concorrer à Prefeitura de Goiânia e encerrar a carreira política?

– Tomei a decisão de encerrar a minha carreira política quanto conheci os resultados das eleições que disputei, em 2014, para governador. Quando vi o resultado, tomei uma decisão íntima, não a revelei a ninguém. A decisão estava tomada de não disputar mais eleições. Desde aquela época, não compareci mais a reuniões políticas. Apenas recentemente compareci a uma convenção do PMDB em Goiânia. Passei quase dois anos sem comparecer à convenção nacional do PMDB, sem ir a eventos nacionais para os quais era convidado, não compareci mais em reuniões políticas em nenhuma cidade. Compareci a duas solenidades: no TRT, que não tinha aspecto político, e à Câmara Municipal para receber uma homenagem da PUC/Goiás. Com a divulgação de pesquisas, há quatro meses, aparece meu nome e começou a motivar companheiros e amigos de Goiânia para uma possível candidatura a prefeito. Eu sempre negando, mas com a aproximação da data-limite para o partido escolher candidato, senti que não poderia deixar de tomar a decisão na última hora. Então, foi um motivo de antecipação. Em segundo lugar, antes que esse movimento pelo meu nome para ser candidato alcançasse uma dimensão maior, eu estaria decepcionando um maior número de pessoas com a desistência. Por isso, sem comentários, preparei uma nota em que apresento as razões de não participar mais de eleições. É uma decisão pensada e refletida. E por entender também que, nesta fase da minha vida, eu tenho que dar espaço para as novas gerações. Eu comecei cedo e que as novas lideranças políticas do PMDB também comecem cedo. Quando fui eleito vereador em Goiânia, em 1958, estava com 24 anos de idade. Fui eleito deputado estadual e cheguei à Prefeitura de Goiânia com apenas 31 anos de idade. Então, os nossos deputados e vereadores do PMDB estão passando da hora de tomar atitudes e de participar com efetividade das decisões do partido.

 

As lideranças do PMDB, DEM e outros partidos vão insistir no sentido do senhor refluir dessa decisão. É possível?

– Não. É uma decisão muito refletida, pensada, amadurecida. É uma posição irreversível. Alguém pode dizer: o senhor não era candidato nas eleições de 2014 e mudou de posição. É muito diferente as situações. Eu me declarei oficialmente que não era candidato em 2014 quando o partido pediu, quando houve a desistência de dois pré-candidatos. O partido convoca reunião da executa para decidir sobre realização de prévia e em qual data. Aí eu tinha que encaminhar uma carta à direção dizendo que não era candidato. De repente, aquele candidato (Júnior Friboi) que gozava do apoio unânime do partido desistiu. E o partido, em tumulto, já nos últimos momentos, me fez um apelo e eu decidi aceitar a candidatura a governador. Eu não queria mudar de posição. Eu não era candidato e me tornei. Agora não. Eu tomei a decisão de encerrar a minha carreira política nesta fase da minha vida.

 

O PMDB vai ficar sem candidato a prefeito em Goiânia?

– Só se os nossos companheiros não tiverem competência para escolher um nome. O PMDB é um partido rico em nomes. Tem aí vereadores, deputados, pessoas que já ocuparam tantos cargos importantes na política e na administração. É um partido que tem um volume extraordinário de pessoas capacitadas.

 

 

[box title=”CARTA A GOIÂNIA”]

“Nenhum político deve mais a Goiânia do que eu. Se ocupei os cargos que ocupei, tudo começou em Goiânia. Aqui cheguei com 15 anos, em 1949, vindo do interior, mais especificamente da zona rural, com a finalidade de estudar.

 Nove anos depois, em 1958, Goiânia me elegia vereador, o mais votado da capital até aquele momento. Em 1962, fui eleito deputado estadual, até então, o mais votado de Goiás. Somente os votos de Goiânia seriam suficientes para minha eleição.

 Mais três anos se passaram e, aos 31 anos, era eleito o prefeito, em 1965. Portanto, Goiânia me fez conhecido em todo o Estado. Procurei, seja como prefeito ou governador, retribuir o que recebi desta cidade.  Basta lembrar que Goiânia não convive com favelas. Ainda jovem, aos 31 anos, eleito prefeito pela primeira vez, priorizei a casa própria como um bem fundamental. A capital é a única cidade de seu porte que não convive com poeira e lama.

Goiânia é também a primeira cidade do País em áreas verdes e a única que não convive com a falta de água tratada. Quando governador, em 1983, construímos o Sistema de captação do Rio Meia Ponte, que até hoje abastece toda a capital.

 Construímos o Centro de Convenções, o mais moderno do País à época; a rodoviária, o Palácio da Justiça, os viadutos, praças, entre tantas outras obras importantes para Goiânia. Em cada canto dessa cidade há uma marca do meu trabalho e dedicação.

 Em mais de 50 anos como homem público, posso dizer, com orgulho, que Goiânia jamais se envergonhou de mim.

Conhecido o resultado da última eleição para governador, em 2014, tomei uma decisão, de foro íntimo: encerrar ali minha carreira política com a consciência do dever cumprido.

 Nos últimos meses, porém, com o surgimento do meu nome com destaque em pesquisas eleitorais, percebi o interesse de uma parcela importante da população de Goiânia para que eu pudesse rever minha posição e considerar uma nova candidatura a prefeito de Goiânia nas eleições de outubro próximo.

Refleti muito nos últimos meses e concluí, enfim, que realmente devo finalizar a minha caminhada política.

 Encerro, portanto, minha trajetória como homem público com a consciência tranquila e o coração em paz. Procurei retribuir como político e ser humano a tudo que essa cidade e esse Estado me proporcionaram.

Mantenho comigo o mesmo sentimento expresso pelo Apóstolo Paulo, no capítulo 4, da segunda carta a Timóteo, em que ele disse: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé.”

 

Iris Rezende Machado”.[/box]

 

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