Os benefícios do treinamento de força na terceira idade
Redação DM
Publicado em 7 de julho de 2016 às 02:27 | Atualizado há 10 anosO envelhecimento é um processo biológico cujas alterações determinam mudanças consideráveis em vários aspectos, tanto físicos quanto psicológicos, em função de mudanças incontornáveis que modificam suas funcionalidades. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera como integrantes ou pertencentes à terceira idade homens e mulheres a partir dos 60 anos.
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) alerta que uma das principais causas da baixa qualidade de vida entre homens e mulheres acima dos 60 anos de idade, portanto na terceira idade, é a pouca capacidade funcional combinada com uma significativa inadaptação física. Para a SBGG um dos principais responsáveis por essa diminuição da qualidade de vida dos idosos é a sarcopenia, cuja principal característica é a diminuição da massa muscular que, consequentemente, resulta na fraqueza muscular e todos outros inconvenientes responsáveis por ela.
Os exercícios físicos têm, dessa forma, um papel fundamental em termos de promoção, manutenção e prevenção da saúde de milhões de homens e mulheres na faixa etária acima dos 60 anos, merecendo especial destaque o ponto que se relaciona com o treinamento de força.
O processo natural do envelhecimento traz consigo diferentes prejuízos à saúde e à qualidade de vida tais como (i) redução da autonomia, (ii) incapacidade de realizar as atividades rotineiras e (iii) riscos de acidentes (quedas) que, dentre outros pontos, está direta e proporcionalmente ligada à diminuição da massa muscular. Esses prejuízos se acentuam em pessoas que, no decorrer de toda sua vida, mostraram-se pouco ativas.
A lista das principais consequências fisiológicas e funcionais advindas com o envelhecimento é extensa, merecendo destaque as que dizem respeito à diminuição da massa muscular, redução da força, perda de equilíbrio, diminuição da densidade mineral óssea (osteopenia, osteoporose), perda da autonomia para realização de atividades de vida diária, distúrbios psíquicos (depressão, estresse, síndrome do pânico), diabetes, hipertensão arterial, dentre outra.
O que pode ser dito com relativa segurança é que tudo isso induz o idoso a cada dia se tornar menos ativo, o que acentua consideravelmente essas e outras manifestações. O Colégio Americano de Medicina do Esporte (American College of Sport Medicine – ASCM) recomendou no ano de 2000 que o treinamento de força deve ser incluído em um programa de treinamento físico, principalmente em indivíduos com mais de 40 anos de idade, a fim de minimizar ou impedir o desenvolvimento de sarcopenia.
A OMS divulga vários dados que reforçam a importância do treinamento de força na terceira idade, explicitando que 42% dos idosos possuem alguma limitação funcional e 10%, além de limitação, encontram-se em asilos ou abrigos para idosos. Roberto Fares de Simão Júnior em seu livro Treinamento de força, qualidade de vida e saúde, publicado no ano de 2004, defende então que alterações positivas nos níveis de resistência de força em idosos poderão reduzir tais limitações, contribuindo, desta forma, para a melhoria da qualidade de vida do idoso. Diversas pesquisas têm corroborado essa ideia de se utilizar o treinamento de força com o objetivo de se atenuarem diferentes processos fisiológicos e funcionais na saúde e qualidade de homens e mulheres na terceira idade.
Roberto Simão relata ainda no seu livro que os benefícios desse treinamento variam amplamente e incluem adaptações psicológicas, metabólicas e funcionais à atividade física, podendo contribuir substancialmente na melhora da qualidade de vida da população idosa. Os pesquisadores Walter R. Frontera, David M. Dawson e Davi M. Slovik em livro publicado conjuntamente no ano de 2001, Exercício físico e reabilitação, citam alguns dos benefícios destacando (a) minimização das alterações biológicas do envelhecimento, (b) reversão da síndrome do desuso, (c) controle das doenças crônicas, (d) maximização da saúde psicológica, (e) incremento da mobilização e função e (f) assistência à reabilitação das enfermidades agudas e crônicas para muitas das síndromes geriátricas comuns a essa população vulnerável.
O treinamento de força (musculação) envolve exercícios contra-resistidos objetivando adaptações fisiológicas e morfológicas, sendo que as principais adaptações adquiridas consistem em (1) aumento da massa muscular; (2) aumento da força muscular, (3) aumento da flexibilidade, (4) aumento da densidade mineral óssea, (5) melhora da funcionalidade, (6) diminuição de fatores relacionados a ansiedade (insônia, síndrome do pânico, depressão) e (7) melhora da composição corporal, entre outros.
Em seu posicionamento oficial sobre o tema no ano de 2009, o ACSM lembra que os exercícios resistidos para os adultos mais velhos devem ter uma frequência semanal de, pelo menos, duas a três vezes, e sua intensidade deve estar entre moderada (5-6) e vigorosa de (7-8), em uma escala de 0 a 10. O programa de treinamento deve ser progressivo em intensidade, e ser composto por exercícios que envolvam os principais grupos musculares.
O que fica claro então, à guisa de conclusão, é que o treinamento de força mostra-se como excelente instrumento para ser praticado por diferentes faixas etárias, principalmente por homens e mulheres com idades mais avançadas, tanto que atualmente o treinamento de força é altamente recomendados por médicos especializados no trato com homens e mulheres da terceira idade para o tratamento e/ou prevenção de sintomas relacionados ao envelhecimento. Mas antes de se iniciar qualquer trabalho envolvendo o treinamento de força com indivíduos idosos é de extrema necessidade que antes se obtenha um laudo com a liberação do profissional médico para, em seguida, procurar-se um profissional capacitado da área da educação física para o trabalho com o treinamento de força.
(Weder Alves da Silva, licenciado e bacharel em Educação Física pela Fafich-Goiatuba/GO e pós-graduado em Biomecânica, Cinesiologia e Treinamento Físico pela Universidade Estácio de Sá)