Política

Um empresário de olho na Capital

Redação DM

Publicado em 1 de julho de 2016 às 21:51 | Atualizado há 10 anos

A disputa pela Prefeitura de Goiânia conta com um veterano de campanhas. O empresário Vanderlan Cardoso (PSB) já disputou duas vezes o Governo de Goiás antes de ser pré-candidato em Goiânia.

Nas duas vezes que tentou vencer em Goiás sofreu derrotas e acabou na terceira colocação.  Considerado um bom gestor,  dessa vez ele quer levar para a Capital as experiências que teve quando foi prefeito de Senador Canedo.

O trunfo de Vanderlan é seu partido e sua rede de alianças – algo que os outros ainda não tem.  Vanderlan se filiou ao PSB após a saída de Júnior Friboi em direção ao PMDB. Herdou um partido com grande base de apoio, a começar da senadora Lúcia Vânia, presidente estadual do PSB, que entrou na sigla depois dele e trouxe mais peso ao grupo.

O socialista tem ainda apoio de um deputado federal,  Marcos Abrão, presidente estadual do PPS, e de  quatro deputados estaduais – Lissauer Vieira e Marlúcio Pereira, ambos do PSB, e Virmondes Cruvinel Filho (PPS) e Simeyzon Silveira (PSC).

Para a disputa de outubro, portanto, ele já tem articulados os apoios do PSB, PPS e PSC. A formação de um grupo político ao redor se deve menos à sua articulação e mais a de Lúcia Vânia, que aumentou sua força política nos últimos meses ao reanimar estas legendas.  Mas é graças a Vanderlan que o PSC integra este grupo.

Desse grupo, é ainda o nome com maior potencial e que mais gera expectativas. Na terceira colocação das duas últimas pesquisas de opinião, o pré-candidato socialista cresce se Iris Rezende não é candidato.

Apesar de competir dentro de um partido que integra a base do governador Marconi Perillo, Vanderlan é uma incógnita – assim como o delegado Waldir, também na base, mas com orientações próprias.

A principal característica do pré-candidato Vanderlan tem sido a obstinação. Evangélico (integrante da Assembleia de Deus), ele costuma dizer sem modéstia que deseja entrar para a história de Goiânia da mesma forma que em Senado Canedo.  “Vamos fazer em Goiânia o que fizemos lá, com certeza. Temos todas as condições. Vamos resgatar o orgulho de Goiânia”, disse ao DM.

Até aqui, o ex-prefeito de Senador Canedo tem realizado uma campanha independente, sem qualquer pressão para que entre na base ou apoie os candidatos de Marconi. Para a fase atual, o pré-candidato tem se dedicado a realizar visitas às entidades responsáveis pela capital e grupos políticos e empresariais influentes.

A maior dificuldade de Vanderlan tem sido o perfil: ele compete pelos mesmos votos de delegado Waldir e Iris Rezende.  Seu discurso é voltado para as faixas de renda mais baixas, que indicam voto primeiro pelo recall – nomes lembrados de outras campanhas.

RECALL

Apesar de Vanderlan ser um nome recordado desde sempre, principalmente pelas duas disputas ao governo de Goiás, os demais competidores são também exímios em recall. Delegado Waldir, por exemplo, sequer começou a fazer pré-campanha eleitoral de fato. E Iris Rezende nem mesmo anunciou seu interesse em disputar as eleições. Desta forma, caberá ao empresário apresentar propostas melhores do que o concorrentes se desejar passar para o segundo turno – como tem dito nas entrevistas.

Vanderlan está em fase de analisar a cidade. Visita os bairros, analisa propostas de correligionários e realiza imersões comparativas. Esteve recentemente na Colômbia para visitar Bogotá – cidade que de uns tempos para cá passou a ser citada na América Latina como modelo de que as municipalidades mais degradas podem se civilizar.

As críticas não demoraram. Um dos pré-candidatos postou uma charge em sua rede social, onde um candidato estava na Colômbia mas teria enviado um assessor para um palanque em Goiânia e lá ele falava: “O nosso candidato disse que vai trazer da viagem muitos souvenirs pra gente!”. Ou seja, estudo muitas vezes se parecem com passeios.

Entretanto, o pré-candidato tem foco em um tema menos populista: o planejamento. A palavra de ordem de Vanderlan para Goiânia é, na verdade, uma obrigação a todo candidato. O político afirma que os últimos gestores não pensaram o futuro da Capital. Daí seu interesse em modernizar a cidade, mas com olhos voltados para o orçamento do município e sua potencialidade. Uma das críticas de Vanderlan é que a capital não se industrializou.

Conforme o candidato socialista, Goiânia não pode viver só de prestação de serviços e vendas.   Neste sentido, dos pré-candidatos, ele é um dos primeiros a tocar em um ponto polêmico: a retomada da industrialização da capital.

Estrategicamente deixada de lado, principalmente por receio de que a cidade seja ainda mais destruída em seus mananciais, a industrialização seria uma saída para a crescente falta de emprego que se observa na capital.

Vanderlan ainda não mostrou exatamente como fazer e qual modelo adotaria, tendo em vista respeito ao Plano Diretor. Mesmo no debate realizado numa emissora de Goiânia ele deixou um hiato, mas a proposta é uma das mais polêmicas e merece maior atenção.

 

Pré-candidato é exemplo de bom prefeito

Prefeito de Senador Canedo por dois mandatos e candidato ao governador do Estado em duas eleições, em 2010  e em 2014, Vanderlan Cardoso é considerado um dos melhores prefeitos da região metropolitana nas duas últimas décadas.

Seu nome rivaliza com o de Antônio Gomide, ex-prefeito de Anápolis, em termos de satisfação dos moradores.  O resultado disso é que conseguiu se reeleger e elegeu também o sucessor.

Com sua gestão, em parte apoiada pela grande geração de recursos de um Terminal da Petrobras, Senador Canedo evoluiu e se consolidou como uma das principais cidades vizinhas da capital.

Da experiência no município aprendeu que é preciso negociar com o governador se desejar fazer um bom mandato. Antes de ser escolhido o candidato do ex-governador Alcides Rodrigues, em 2010, ele próprio entrou em conflito com forças do governo por conta de desapropriações de áreas em Senador Canedo.

A ação da Prefeitura feria os interesses de um amigo do governador da época. Mas do limão Vanderlan fez uma limonada e não só entrou em acordo com Alcides como foi o escolhido para ser o candidato do governo naquela disputa.

Uma das marcas de sua gestão foi a municipalização dos serviços de saneamento. Senador Canedo dispensou a Saneago e investiu em sua própria empresa, fato que mostrou coragem de Vanderlan em não se submeter ao governo.

A passagem por vários partidos, de ideologias contrárias, é um dos pontos fracos do político. Vanderlan começou com os liberais (Partido da República), passou pelo PP, migrou rapidamente para o PMDB de olho no Governo de Goiás e se quietou no PSB, que, em tese, deveria ter uma linha programática socialista.

O pré-candidato tem o apoio de partidos com histórico comunista – o PPS, nos anos 1980, tinha como nome Partido Comunista Brasileiro (PCB). Mas a pegada política de Vanderlan é o livre mercado, com grande inserção de propostas que interessam aos  empresários.

Vanderlan é contra uso de OSs na saúde e educação

Apesar de defender as estratégias de livre mercado e a industrialização, ferramentas para aumentar a geração de empregos, o pré-candidato socialista não comunga da polêmica cartilha do governador de Goiás, Marconi Perillo, em relação ao uso de Organizações Sociais em saúde e educação – dois dos temas centrais para o eleitorado, conforme as pesquisas já realizadas no município.

Vanderlan Cardoso se diz contra o uso de OSs para tocar áreas tão estratégicas.  Várias denúncias sugerem que OS são suspeitas de esquemas com envolvimento de desvio de recursos públicos.  Vanderlan diz que não precisa destes mecanismos de gestão, pois conseguiu ser um bom prefeito sem utilizá-los.

Para Vanderlan, é absurdo terceirizar a educação para a iniciativa privada quando a área tem 24% do orçamento.   O pré-candidato propõe repetir em Goiânia o que fez em seus dois mandatos: deixar com que os professores gerenciem os recursos, tendo sempre sua palavra final nas decisões.

O pré-candidato se mostra contrário a terceirização, principalmente por conta de sua experiência.  Para ele, o tema deve ser evitado e  o gestor de Goiânia precisa trabalhar com os servidores públicos.  Para Vanderlan, menosprezar a capacidade do servidor não é a melhor política nem a mais justa. O pré-candidato diz que pretende investir na capacitação dos servidores e aprimorá-los.

 

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