Principais perguntas sobre o transtorno de pânico
Redação DM
Publicado em 25 de junho de 2016 às 03:12 | Atualizado há 10 anosCompilei as cinco perguntas mais frequentes que ouço de pacientes com transtorno de pânico. Muitas enviadas ao meu site (http://www.olhosalma.com.br) ou aos meios de comunicação com que colaboro.
1) Transtorno de pânico tem cura?
Sim. A cura depende do tratamento, da força de vontade do paciente, do suporte familiar. O tratamento deve combinar, preferencialmente, medicação e psicoterapia que atuem no inconsciente, na estrutura de sua personalidade.
2) Por que essa doença gera tanto mal-estar?
O transtorno do pânico se caracteriza pela perda de controle da consciência, que é tomada por medo súbito, irracional, que aparece de repente, do nada, por vezes sem um objeto específico, e é este choque entre a consciência e a percepção corporal que traz o mal-estar. Quando tratado corretamente, o paciente aprende a administrar a ansiedade, que desaparece.
3) Em seus artigos, você pontua que esse transtorno tem fundo de ansiedade. Como é isso?
Em minha carreira observei claramente que o principal sintoma a ser combatido em casos de depressão, pânico e fobias é a ansiedade. Enquanto a ansiedade não diminuir, as crises não somem. Por isso falo de mudança de estilo de vida, de psicoterapia que mude a percepção do paciente sobre sua vida sem interferir em sua identidade. É por isso que ainda falo tanto de atividade física aeróbica integrada ao uso de medicação e psicoterapia.
4) Quais são os principais sintomas de um paciente com transtorno de pânico?
Vou listar por psicodinâmica: alta ansiedade, perda do controle com crises nervosas intensas, falta de ar, dores no corpo, tontura, desfalecimento, dores físicas, apatia, medo de voltar a passar mal, medo incontrolável de morrer, superstições e ideias distorcidas sobre o que vem ocorrendo, melancolia, hipocondria. Resumo: a pessoa em crise torna-se fragilizada, tem medo de várias coisas, cria rituais para tentar se proteger de novas crises.
5) Existe algum componente religioso na patologia?
O instinto religioso é parte de nossa existência em tudo. Não há como seccionar. Porém, a visão positivista dos professores de disciplinas da área de saúde forma profissionais materialistas, dificultando a compreensão de fenômenos sutis que, por vezes, geram patologias como o pânico. O transtorno de pânico é característico de um estado mental no qual a pessoa desdobra sua percepção. Rompe neste estado a percepção de tempo e espaço, sentindo muito além do senso comum. Este desvio da percepção é um fenômeno religioso que deve ser integrado de forma positiva. Representa o mau emprego de uma dádiva: a sensibilidade. Por isso falo de tratamento integrado, revendo como funciona a percepção que se desdobra.
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(Jorge Antônio Monteiro de Lima, analista,pesquisador em Saúde Mental, psicólogo clínico e músico. Mestre em Antropologia Social pela UFG)