Sobre como o “vitimismo” tem perdido sua força
Redação DM
Publicado em 25 de junho de 2016 às 02:54 | Atualizado há 10 anosNuma discussão acontecida em 2014, os deputados federais Maria do Rosário e Jair Bolsonaro trocaram palavras ríspidas no Salão Verde do Congresso Nacional – aquela nominou este de estuprador e este reagiu dizendo que ela não mereceria ser estuprada.
A deputada, então, entrou com ação judicial e recentemente o STF transformou o deputado Bolsonaro em réu, ou seja, foi aceita a denúncia para apreciação e decisão, sob o argumento de “incitação ao estupro” e “injúria”.
Não pretendo fazer uma análise jurídica do caso, para isso existem os advogados de ambas as partes, porém, é preciso emitir opinião sobre o tema de forma que o bom senso tenha uma oportunidade.
Concordamos que tais atitudes, xingamentos recíprocos, são infantis e desnecessárias, mas o são de ambos os envolvidos, inclusive é notório que ser tachado de criminoso sexual é muito mais agressivo que fazer chacota sobre a eventual falta de atrativo físico do outro, isso atende pelo nome de pilhéria – Pensar, ainda que remotamente, que essa resposta acintosa pudesse incentivar estupros é tacanho ao extremo.
Todavia, vê-se no mundo esse comportamento covarde onde, em nome do politicamente correto, é possível agredir o outro e não aceitar que esse outro reaja, mesmo sendo uma mínima ou tímida reação, pois se o fizer o “grupo” de apoio junta-se às pressas e o agressor é acolhido contra o “malvadão” que ousou responder.
Nas redes mundiais correm vídeos dessa tema, como exemplo cito uma manifestação na Europa onde uma jovem, depois de praticamente esfregar um balão colorido no rosto do policial, cai em prantos quando esse policial esbarra a mão de leve no balão e este, por uma das leis da física, atinge o rosto da jovem como uma carícia.
Outro caso, no Brasil, mostra um jovem universitário expondo suas nádegas a uma senhora e agindo desrespeitosamente contra a mesma, sendo que esta, após esse comportamento despudorado, lhe chama “gay”; imediatamente ouvem-se gritos raivosos de “homofóbica”.
As situações são várias e variadas, somente o resultado se mantém: o vitimismo hipócrita dos agressores – A grande mídia aprecia esses fatos e tece longa tese sobre os eventos reforçando ainda mais a chantagem, o que é lamentável.
Entretanto, ao se ouvir grande número de pessoas, fica fácil perceber que a imensa maioria entende perfeitamente o ocorrido classificando e bem os verdadeiros transgressores.
Parece que no caso Bolsonaro-Rosário a questão tem outros elementos, mais profundos e menos saudáveis que a simples proteção da civilidade, como querem passar à nação.
O que se depreende dos dias vividos atualmente é que essa prática, menos e menos, encontra ouvidos que a reverberem, ao contrário, dão ao injusto acusado uma aura de perseguido – será uma longa trajetória até que se elimine essa onda vitimista, mas já é possível dizer que seu fim foi iniciado, suspeito que o deputado sairá ainda mais fortalecido depois dessa lamentável ocorrência, a qual, em tempos normais, seria classificada como picuinha e nada mais.
(Olisomar Pires – Olisoblog.com)