Câmara Municipal homenageia AGL nos seus 77 anos
Redação DM
Publicado em 25 de junho de 2016 às 02:53 | Atualizado há 10 anosDia 14 a AGL foi alvo de significativa homenagem do Poder Municipal de Goiânia, através de seu presidente, vereador Anselmo Pereira, comemorando os 77 anos do Sodalício, expressão maior da cultura, no que tange às letras de nossa Capital. No seu discurso, Anselmo destaca: “Mais uma vez, esta Casa de Leis enche de alegria, e vive, nesta sessão especial, um momento singular e muito feliz, quando homenageia a Academia Goiana de Letras. Como de praxe, todos os anos a Câmara Municipal de Goiânia procura homenagear entidades e personalidades que, através de seus feitos e realizações, contribuem para o progresso e a cultura de nosso povo, marcando a história desde Estado e desta cidade.”
Traça, a seguir, o nobre Edil, com presidente da egrégia instituição, breve notícia histórica das origens e trajetória da entidade, expressão máxima da cultura e das letras goianienses: “A Academia Goiana de Letras teve início no dia 12 de outubro de 1904, em Villa Boa, antiga Capital do Estado, instalada com o nome de Academia de Letras de Goiás, no salão de Festas do Palácio Conde dos Arcos, com a presença do governador do Estado, José Xavier de Almeida, autoridades outras, e expressões da sociedade villaboense. Na época, a região estava mergulhava na economia agropastoril, com uma população de quase 14 mil habitantes, dotada de poucas preocupações em congregar o espírito intelectual, tendo como base, no seio de uma sociedade machista, o mundo autoritário do coronelismo da época.”
E mais adiante, informa:
“A Academia de Letras de Goiás iniciou suas atividade com apenas 12 Cadeiras, com Patronos que deixaram seus nomes ligados à Literatura e às Artes, figuras notabilizadas no pensamento humano, por que não dizer da cultura brasileira. Tomaram posse os fundadores Eurídice Natal, Joaquim Bonifácio Gomes de Siqueira, Augusto Rios, Godofredo de Bulhões, Acrísio da Gama e Silva, Leopodo de Sousa, Marcelo Silva, Luis do Couto e Professo Francisco dos Santos Azevedo. Na mesma tarde, por aclamação, foi empossada a presidente, a senhorita Eurídice Natal, jovem idealista e sonhadora, com apenas 19 anos de idade. Ao mesmo tempo, foi escolhido secretário perpétuo da entidade, o poeta Joaquim Bonifácio Gomes de Siqueira.”
“Mais uma vez, Goiás saiu à frente, quebrando um tabu histórico, e abriu espaço à mulher, tão discriminada, segregada pela sociedade machista reinante no País, naquela época. A propósito, o historiador e crítico literário Brito Broca, em sua obra ‘A Vida Literária no Brasil, 1900’ (4.a edição, Edit. José Olímpio, 2004), retrata da seguinte forma o episódio: ‘Enquanto a Academia Brasileira de Letras, fiel ao modelo francês, fechava as portas às mulheres, a modesta congênere de Goiás, não só admitia uma mulher, como a elegia, por aclamação, presidente do cenáculo, cabendo a oferecido pelos acadêmicos? Presidente fazer o elogio de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera. Finda a sessão solene, seguiu-se um grande baile oferecido pelos Acadêmicos à Senhorita Eurídice Natal.
Na época, foram escolhidos 12 Patronos da Academia, todos vultos importante ligados à literatura, à política, à história, ao jornalismo e às artes em geral. Foram ele: Bartolomeu Bueno da Silva (o Anhanguera, filho), Antônio Augusto de Bulhões, General Joaquim Xavier Curado, Antônio Félix de Bulhões, André de Pádua Fleury, Padre Luiz Gonzaga de Camargo Fleury, Joaquim Alves de Oliveira, Joaquim Rodrigues, Felipe Santa Cruz e João Gomes Machado (Doutor Corumbá).
A criação da Academia, em Villa Boa, foi de suma importância, pois tornou-se o embrião para que, mais tarde, em Goiânia, o filho de Eurídice, Professor Colemar Natal e Silva, com outros intelectuais, criassem a Academia Goiana de Letras e a instalassem, solenemente, em 19 de abril de 1939. Com a fundação de Goiânia, pelo médico Pedro Ludovico Teixeira, e sua transferência da cidade Goiás para a nova Capital, o Advogado Colemar Natal e Silva, por sua iniciativa, juntamente com outros intelectuais da época, como Vasco dos Reis Gonçalves, Luiz do Couto, Victor Coelho de Almeida, Guilherme Xavier de Almeida, Mário D’ Alencastro Caiado e Dario Délio Cardoso, resolveram criar a Academia Goiana de Letras.
Depois de elaborar e aprovar os vários documentos de praxe, foi fixado o número de 21 Cadeiras, com, os respectivos Patronos, e Membros Efetivos.
Eis os seus nomes:
Patronos e Membros Efetivos:
- José Vieira Couto de Magalhães – Pedro Ludovico Teixeira; 2. Manuel Lopes de Carvalho Ramos – Vasco dos Reis Gonçalves; 3. Padre Luiz Gonzaga de Camargo Fleury – Víctor Coelho de Almeida; 4. Antônio Félix de Bulhões – Colemar Natal e Silva; 5. Fagundes Varela – Guilherme Xavier de Almeida; 6. Raimundo José da Cunha Matos – Dario Délio Cardoso; 7. José Martins Pereira de Alencastre – João Teixeira Álvares; 8. Alceu Vítor Rodrigues – Sebastião Fleury Curado; 9. Antônio Americano do Brasil – Luiz do Couto (substituído por Cordelino de Azevedo); 10. Moisés Augusto Santana – Albatênio Caiado de Godoy; 11. Constâncio Gomes – Cylleno de Araújo; 12. Monsenhor Inácio Xavier – Gelmires Reis; 13. Joaquim Bonifácio G. de Siqueira – José de Almeida Xavier Júnior; 14. Hugo de Carvalho Ramos – Paulo Fleury da Silva e Souza; 15. Bernardo Guimarães – Ricardo Paranhos; 16. Manuel de Macedo Carvalho – Augusto Ferreira Rios; 17. Henrique Silva – Gercino Monteiro Guimarães; 18. Luiz Antônio da Silva e Sousa – Joaquim Carvalho Ferreira; 19. Olegário Pinto – José Magalhães (substituído por Francisco Ferreira dos Santos Azevedo); 20. Guimarães Natal – Mário D’Alencastro Caiado; 21. Machado de Assis – José da Costa Pereira (substituído por Jovelino de Campos).
A primeira Diretoria da Academia Goiana de Letras ficou assim constituída: Pedro Ludovico Teixeira; 1° vice, Colemar Natal e Silva; 2° vice, Vasco dos Reis Gonçalves; 1° orador, Dário Délio Cardoso; 2° orador, Victor Coelho de Almeida; 1° secretário, Albatênio Caiado de Godoy; 2° secretário, Joaquim Carvalho Ferreira; tesoureiro: vago; subtesoureiro, Augusto Ferreira Rios.
Sem dúvida, conclui Anselmo, êxito de um grande governo e de sua população depende, fundamentalmente, do desenvolvimento da área cultural. Essa preocupação é constante no governo de Marconi Perillo, consagrado nos eventos, como o ‘Fica’, o ‘Figo’, o ‘Canto da Primavera’, o ‘Festival de Música de Aruanã’, o ‘Tempo’, o ‘Centro Cultural Oscar Niemeyer’ e as reformas do ‘Teatro Goiânia’, que destina recursos para incentivar a produção artística e cultural dos goianos.
Recentemente, no Palácio das Esmeraldas, dia 31 de maio, comemorou-se os 77 anos da Academia Goiana de Letras, que, pela segunda em sua história, tem uma mulher como presidente: a escritora Lêda Selma de Alencar, que, também, integra a União Brasileira de Escritores/GO, continuando o trabalho da Professora Maria do Rosário Cassimiro, primeira mulher reitora de uma universidade no Brasil.
Destarte, todos os intelectuais e os goianos de modo geral estão de parabéns, pelo progresso cultural que a Academia Goiana de Letras, cristaliza e representa para gáudio de toda a comunidade.
(Licínio Barbosa, advogado criminalista, professor emérito da UFG, professor titular da PUC-Goiás, membro titular do IAB-Instituto dos Advogados Brasileiros-Rio/RJ, e do IHGG-Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, membro efetivo da Academia Goiana de Letras, Cadeira 35 – E-mail [email protected])