Cotidiano

Quadrilha é acusada de fraudar encaminhamentos para UTIs

Redação DM

Publicado em 22 de junho de 2016 às 03:40 | Atualizado há 10 anos

Vinte e uma pessoas foram presas, em Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo, suspeitas de fazer parte de um esquema que fraudava o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Goiânia (Samu). Mais três mandados de prisão temporária ainda serão cumpridos.

Durante as investigações da operação, denominada SOS Samu, realizadas pelo Ministério Público do Estado de Goiás, descobriu-se um esquema de pagamento de propina de condutores, socorristas, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos do Samu para que estes direcionassem pacientes atendidos pelo atendimento de urgência que possuíssem planos de saúde a determinadas UTIs, fraudando a respectiva regulação do acesso aos leitos. O correto procedimento é levar o paciente para algum hospital vinculado ao SUS e só depois do primeiro atendimento a pessoa pode então ser transferida para outro local.

“A propina variava de acordo com o estado de saúde do paciente e dependendo do plano de saúde do paciente. Esses responsáveis pagavam propinas para servidores do Samu para que direcionassem de forma irregular estes pacientes”, afirmou o promotor do MPGO Luís Guilherme Gimenes, ontem durante entrevista coletiva. O esquema funcionava há num ano e meio.

Na apresentação dos dados da operação, o promotor relatou que uma testemunha contou que um paciente com Acidente Vascular Cerebral (AVC) deixou de ser levado para um hospital mais próximo do chamado para outro distante. “Eles estavam praticamente na mesma rua de um hospital aqui em Goiânia, fizeram contato com a regulação e o regulador determinou que o paciente fosse encaminhado para outro hospital, mesmo gerando risco de morte para o paciente. O médico que determinou o encaminhamento para outra unidade é vinculado a um hospital”, revelou. Com isso, garantiam-se as UTIs cheias de pacientes, com lucro para os respectivos empresários do ramo.

De acordo com o MP-GO, a investigação surgiu com a denúncia de um ex-servidor da Samu. Socorristas, técnicos e enfermeiros recebiam até R$ 500, já para médicos os valores chegavam até R$ 15 mil, o equivalente a uma diária de UTI. Ainda conforme o MP-GO, a diretoria do órgão sabia do esquema e o diretor do Samu de Goiânia, Carlos Henrique Bahia, está entre os presos, assim como donos de hospitais e de UTIs. Também foram presos dois bombeiros e médicos vinculados aos hospitais particulares.

Já foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 19 pessoas jurídicas estão sendo investigadas. Os envolvidos são suspeitos da prática de crimes de associação criminosa, de corrupção ativa e de corrupção passiva.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que, por determinação do prefeito Paulo Garcia, foi aberta uma sindicância para apurar os fatos. “Caso seja comprovado o envolvimento ilícito de servidores municipais em encaminhamentos a UTI’s particulares, as devidas medidas administrativas serão tomadas, inclusive com exoneração”, diz a nota. Já o Corpo de Bombeiros de Goiás esclareceu que abriu procedimento administrativo disciplinar para apurar o suposto envolvimento de dois militares da corporação no caso.

 

 

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