100 cidades que mudaram a história do mundo – I
Redação DM
Publicado em 22 de junho de 2016 às 03:32 | Atualizado há 10 anos
Acredito poder dizer que estou na fase das 100 grandes coisas da vida, entre elas, homens, livros, escritores, mulheres, artistas, cientistas, invenções. Agora estou lendo, imaginando compreender e preservar no mais íntimo de mim, para não dizer, do espírito, “100 Cidades que Mudaram a História do Mundo”, de Chrisanne Beckner, tradução Vera S. Rossi, São Paulo, Ediouro, 2002, onde percebo toda a minha pequenez e inegável acanhamento ante a vastidão de informações, conhecimentos e experiências secularizados e acumulados na lenta e mágica elaboração da história do mundo.
Vejo que da seleção das 100 cidades que figuram no livro, pouco importando o critério de escolha, somente sete são brasileiras: Brasília, Manaus, Ouro Preto, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, que instigam e provocam indagações. Com o avanço da tecnologia, representada pela internet, os satélites e outras facilidades, as cidades citadas, ainda estão ajudando a mudar a História do mundo? Por certo. Contudo, a ajuda estaria ampliada, já que o mundo tornou-se menor com a globalização? Diminuto? Por que o estresse virou patologia universal?
Obviamente, as mudanças nessas cidades são visíveis, incríveis, admiráveis. Porém, tudo depende do novo desenho geopolítico e cultural em que se converteram. O certo é que nenhuma, nem a querida e aprazível Ouro Preto, virou resto, ruína, ali onde foi sepultado o escultor Aleijadinho, ou Antônio Francisco Lisboa. Ali onde ainda estão igrejas, capelas e oratórios, dourados e reluzentes, na exorcização dos fantasmas; onde a arte arquitetônica é hoje Patrimônio Histórico da Humanidade; lugar em que Tiradentes foi enforcado, mas emergiu a liberdade (libertas que será tamen, deixando a impressão de ser tardia). Ruindade mesmo, só a mesquinharia de certos políticos que enlameiam Brasília, desonram o Brasil e nos envergonham no estrangeiro. Brasília, não pode entrar nessa. Só seu projeto arquitetônico, orgulha e justifica qualquer cidade.
Recife é um “mosaico cultural”, sem deixar de ser Veneza brasileira. Seus ritmos musicais são notórios principalmente no carnaval. O frevo, o maracatu. Manifestação popular como o Galo da Madrugada é o maior bloco carnavalesco do mundo. Sai às ruas encantadas com até um milhão de foliões. E seus bairros com o Recife Velho? Notem que era apenas uma sombra de Olinda, berço da primeira Faculdade de Direito que, como a de São Paulo, foi a primeira fundada no Brasil (1827), centro das riquezas e do poder da capitania de Pernambuco, no auge da economia do açúcar. Somente o seu potencial turístico, seus movimentos político-sociais, a explosão de sua vida noturna, sem esquecer Gilberto Freyre, justificam figurar entre as cem cidades que mudaram a História do Mundo.
Rio de Janeiro, com sua beleza natural, uma das cidades mais bonitas do mundo. Capital do Império e da República. Quem consegue fazer melhor carnaval? Sua festa do Réveillon, esparramada pelo calçadão da praia de Copacabana, com 3 milhões de pessoas, admirando um belo show de fogos de artifícios é uma das principais atrações. E as paisagens? Seu grande desenvolvimento a partir de 1808? Museu Histórico Nacional. Academia Brasileira de Letras. Biblioteca Nacional. E a velha Salvador, primeira capital do Brasil? Bahia de Todos Santos. Quem ousaria saber o que a baiana tem, sem degustar as lindas canções musicais de Cayme? Caetano Veloso, Gilberto Gil e tantos outros? Talvez seja Salvador a cidade que melhor sintetiza a diversidade racial do país. Só esse âmbito, certamente a leva e a caracteriza como uma cidade que ajudou a mudar o mundo.
Enfim, Manaus, Capital do Amazonas, com seus atraentes Rios, começando pelo Negro, usado como importante corredor para transportar produtos em outros locais da região Norte. Sua tribo indígena dos Manaós é a responsável pela origem do nome da capital. Não posso omitir São Paulo, centro industrial mais importante da América Latina, capital do Estado, maior cidade do Brasil, onde seu Museu de Arte (Masp), abriga um dos mais importantes acervos da América citada. Imaginem! No século 18 foi pouso de tropeiros que levavam gado e tropas de burros para as regiões de mineração, delas participando Goiás e Mato Grosso, por vezes “comboiando” escravos!
(Martiniano J. Silva, advogado, escritor, membro do Movimento Negro Unificado (MNU), da Academia Goiana de Letras, IHGGO, Ubego, mestre em História Social pela UFG, professor universitário, articulista do DM – [email protected])