Trinômio de Iberê
Redação DM
Publicado em 17 de junho de 2016 às 01:40 | Atualizado há 10 anos
No serviço público empreguei-me pela primeira vez em 1952, no IBGE. Coincidentemente, funcionava onde desde meados da década de 1950 é a sede do TCE – onde vim a atuar por doze anos; após cinco mandatos parlamentares, muita atividade advocatícia, trabalho e devoção ao jornalismo.
Vejam meus privilégios. No primeiro emprego tive como colegas de trabalho três grandes poetas, talentos que já se afirmavam na literatura: Gilberto Mendonça Teles, A.G. (Antônio Geraldo) Ramos Jubé e Jesus Barros Boquady. Um intelectual de valor, que viria a ter bom desempenho no jornalismo, completava o quarteto notável de intelectuais – Irorê Gomes de Oliveira (filho do grande contista Pedro Gomes, autor de O Pito Aceso), de quem poucos anos depois vim a ser colega de equipe no jornalismo da Rádio Brasil Central. Décadas mais tarde, a partir de 1996, eleito pela unanimidade dos 31 acadêmicos que compareceram à sessão de votação, vim ter a ter a honra do confradio com Gilberto Mendonça Teles e Ramos Jubé na Academia Goiana de Letras.
Já em 1953, deixando o IBGE por não ter sido aprovado em concurso público para efetivação, dei início à realização da minha paixão profissional – o jornalismo. Como aprendi! O jornalismo é uma escola extraordinária. Proporciona principalmente ao repórter o conhecimento pessoal dos principais protagonistas nas mais diversas áreas: política, esporte, mundo policial, empresariado, sindicatos, instituições culturais, entidades estudantis, clube sociais, associações classistas, enfim toda a sociedade. Graças a essa gama inteira de relações de amizade e de contatos profissionais me vi eleito por unanimidade presidente da UEE – União Estadual dos Estudantes (universitários), Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de Goiás, Sindicato de Jornalistas Profissionais e primeiro secretário da Associação Goiana de Imprensa. Obviamente me foi muito útil também nos triunfos da trajetória política. Presidi também o Rotary Club Goiânia Serra Dourada.
Foi-me ensejado participar da Fundação da Rádio Riviera. Presenciei ali a implementação do moderno jornalismo radiofônico, pelo talento de Iberê Monteiro, o dinamismo e a inteligência de William Guimarães, o valor literário de Oscar Dias, a extraordinária capacidade de produção, tanto qualitativa quanto quantitativa do escritor Carmo Bernardes. Sejam-me perdoadas, por involuntárias, quaisquer omissões.
O valor de Iberê Monteiro marcou-me de profunda impressão. Sua honestidade moral e intelectual via-se matizada por impressionante criatividade. Cronista dos melhores, revelava-se empreendedor extraordinário. Em termos de realização de projetos representativos da modernização do rádio-jornalismo em Goiás. Era tão eclético que se consagrou inclusive excepcional presidente de clube esportivo, quando o escolheram para presidir o Goiás Esporte Clube, então a agremiação futebolística que melhor se estruturava em Goiás. Lembro-me da entrevista de um dos mais famosos homens da imprensa esportiva brasileira, Rui Porto, responsável pela produção de programas de grande audiência na Tv Tupi, primeira emissora implantada no país. Tendo mantido contatos com Iberê no Rio de Janeiro, Rui Porto afirmou em um dos seus programas que “o jovem presidente do Goiás Esporte Clube é hoje uma das maiores personalidades do esporte no Brasil”.
Iberê Monteiro, com a honestidade que todos lhe reconhecem, é não apenas um dos mais respeitados e admiráveis nomes da imprensa goiana, como também homem de empresa cujas marcas essenciais se sintetizam no trinômio empreendorismo, generosidade e talento. Dele se orgulham as gerações que tiveram e têm o privilégio da contemporaneidade e do convívio.
(Eurico Barbosa, escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal terças & sextas-feiras)