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Se não usa, desapega

Redação DM

Publicado em 16 de junho de 2016 às 03:25 | Atualizado há 1 ano

Em uma sociedade com uma torrente de publicidade e lojas de departamento por toda parte, uma onda a se pensar são formas alternativas de consumo. Quantas vezes compramos uma peça de roupa ou acessório por puro impulso e depois olhamos e reparamos: “Nossa, nunca vou usar isso” ou mesmo que use umas poucas vezes, e logo já bate aquele desinteresse pela peça adquirida.

Neste momento, o que fazer? A resposta é colocar pra girar, pois provavelmente aquela roupa que por algum motivo não é mais útil pra você pode muito bem servir a alguém. Então podemos recorrer à diversidade infinita dos brechós. Lá você pode vender ou trocar suas roupas e acessórios ou encontrar aquele objeto que você tanto queria, mas quebraria seu orçamento se fosse de primeira mão.

Milhões de peças de roupas são desperdiçadas todos os dias. E devemos lembrar que isso é matéria-prima, recursos naturais, energia e muito trabalho envolvido que vai para o lixo, sendo que a maior parte das peças ainda estão em perfeitas condições de reuso. É hora de pensar em fazer tudo isso girar, passar para frente as roupas que não são mais usadas. Consumir de forma mais consciente e colaborativa.

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Brechós em rede

Nem só de brechós espalhados pela cidade vive o consumo consciente, mas de toda a vasta rede de informações, a magnífica internet. A hashtag #MAISAMORMENOSROUPA é uma parceria entre algumas marcas e designers que pensam a questão da sustentabilidade no Brasil. Eles idealizaram uma coleção compartilhada na qual você pega uma peça emprestada, usa e depois passa ela pra frente.

Ainda existem mais um monte de brechós virtuais, um dos queridinhos é o Enjoei.com. A organização do site tem como diferencial de outras páginas de revenda um acompanhamento criterioso das peças anunciadas. A revista Exame, em matéria sobre o site, disse “O Enjoei é um exemplo da chamada economia colaborativa. São negócios de aluguel, revenda, troca e compartilhamento de produtos e serviços”.

Outra página muito famosa é O Brechó Online. Trata-se de uma loja virtual focada em produtos de brechó, voltada para um público específico, as mulheres. Na descrição da página está anunciado o que diferencia este brechó virtual de outros da categoria: “As peças são selecionadas, não apenas entre o que está bom para uso ou não, mas também dentro destes principais estilos. Uma forma de curadoria fashion, já que a maioria dos brechós costumam ser um pouco confuso.” Se bem que a graça de um brechó presencial (com loja física) é a surpreendente diversidade e também ver coisas autênticas e até mesmo históricas nas araras.

 

Roupas e antiguidades no centro da cidade

Wanderlei Marques trabalha no ramo de brechós há 20 anos e conta como foram as mudanças nos negócios durante este tempo. “Aumentou bastante as negociações nos últimos anos. Justamente agora aumentou tanto o número de pessoas que procuram para vender e para comprar”.

O Brechó Goiano que Wanderlei toca fica na movimentada Avenida Anhanguera, no centro da cidade. Paralelo às roupas e acessórios, o local também comercializa antiguidades. Mas ele conta que o carro-chefe das vendas são mesmo as roupas. “As antiguidades são mais supérfluas e por isso menos procuradas”. Wanderlei continua dizendo que: “agora com essa crise, as pessoas vêm se desfazendo bastante de seus objetos”, conclui.

O comerciante relata que nos últimos cinco anos os clientes têm se tornado cada vez mais heterogêneos. “O público está bem diversificado. Gente que nunca tinha se interessado em entrar agora entra no brechó, gente que tinha vergonha agora já vai procurar alguma coisa”, comenta Marques.

Wanderlei conta os motivos da maior parte do público dos brechós, de acordo com ele, ser composto por mulheres. “Homem é mais seguro com roupa, eles compram uma peça e usam até ela acabar. Mas as mulheres têm mais o hábito de fazer girar”.

O comerciante de objetos de segunda mão conta que os negócios têm aumentado por uma mudança de hábito do consumidor, em especial os goianos. “Não teve queda, inclusive teve aumento. Antes quando uma peça não era mais útil, as pessoas davam pra alguém, ou mesmo jogavam fora, agora elas procuram comercializar. Entre os goianos está havendo um consumo mais consciente”.

[box title=”Brechó e espaço de cultura”]

A geógrafa Thais Moreira toca o Empório Armário Brechó e Suqueria. Ela inovou no ramo de roupas de segunda mão e ele já completou três anos de moda sustentável em março deste ano. Thais criou um local que, além de comércio de peças para a revenda, ainda é um espaço para convivência e cultura.

O local investe em roupas de marcas mais conhecidas e conceituadas. Roupas e acessórios de alta qualidade que aguentam muito bem um segundo dono para amar e respeitar até enjoar e dar um jeito de passar pra frente.

Thais conta como resolveu começar o negócio. “Quando abri o empório. Percebi que a moda é muito padronizada. Por exemplo, se a moda é usar calça alta. No mercado comum, você só vai encontrar calça alta. Procurava roupas diferentes, com design. Ou roupas básicas.”

A comerciante continua: “Em lojas de grife às vezes é possível encontrar algo menos padronizado. Mas se paga muito por isso. Sou geógrafa e trabalho viajando. Resolvi conciliar esta oportunidade das viagens e fazer garimpos de peças e assim surgiu o empório”.

Estilo na hora de vestir-se é uma questão de escolha, mas pensar o consumo de forma consciente é uma responsabilidade. Não quer mais? Desapega. Está sem grana para comprar aquela peça de estilo, procure uma alternativa mais acessível, aquela loja que nunca sai de moda, o bom e velho brechó..[/box]

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