Brasil

Hipocrisia pra dar e vender

Redação DM

Publicado em 8 de junho de 2016 às 03:30 | Atualizado há 10 anos

Faz um bom tempo que eu tomei a decisão de não mais ver televisão, também não ter celular. Mas as notícias que são manchetes chegam a mim como se fossem coisas de outro mundo. São pessoas muito assustadas que vêm me dizer: “Padre, o senhor viu o que aconteceu? É o fim do mundo mesmo!”. Raramente, ouvimos notícia de um “bom escândalo”, como, por exemplo, amar o próximo como a si mesmo.

Na verdade, a mídia nacional tem predileção por tragédias que disseminam o medo e tornam o homem inimigo de si mesmo. E todo o alvoroço pela exposição de mais uma tragédia é apenas a exteriorização da nossa própria hipocrisia. Ficamos horrorizados quando uma jovem é violentada por trinta homens, enquanto, entre nós, sete homens casados vão ao motel com uma mulher. Crianças assassinadas, dependentes de drogas, sem casa e sem escola, tudo é fruto de uma sociedade que despreza a fé e a família.

Em alguns momentos, confesso que também fico boquiaberto diante do que vejo, ainda mais porque envolve pessoas que acusam e condenam sem piedade.

Estamos, literalmente, ladeira abaixo e não me canso de afirmar que o maior problema do mundo hoje é pai e mãe, homens e mulheres que não assumem seu papel, “a criação dos filhos”, mas o terceirizam, sem o menor constrangimento, porque educá-los nem mesmo as escolas conseguem. Isso deveria ser graça exclusiva dos pais.

Dentre todos os absurdos está a determinação de que aluno não pode ser reprovado, como bem disse a dona de uma escola à professora: “você não está aqui para explicar a matéria, mas para fazer a vontade do aluno”. Olhando para centenas de famílias, tenho a sensação de estar num jardim zoológico: mãe com três filhos de pais diferentes; sogra que está grávida do genro; as roupas, os cortes de cabelo, a maquiagem que crianças e adolescentes usam, e as festas ritmadas por músicas obscenas e muito álcool e drogas, causam arrepio ao próprio demônio.

São os pais que estimulam e permitem tudo isso a seus filhos. Os governantes, por sua vez, são cúmplices dos pais: estimulam o sexo precoce, distribuindo preservativos e banheiros unissex; aluno não pode ser reprovado, e o mais grave: ideologia de gênero.

Anteriormente, fiz referência ao fato de sete homens casados estarem com uma mulher em um motel. Mas o que você acha das festas de pijama, frequentadas até mesmo por crianças e adolescentes? Não é também mais que absurdo duas jovens fazerem sexo com imagem de Nossa Senhora e depois quebrá-la com um martelo, colocando os cacos no liquidificador? Poderia citar centenas de fatos que causam pavor, mas o que quero é denunciar a nossa hipocrisia.  Nós é que escolhemos viver um eterno carnaval, recusando ouvir a voz de Deus. Enquanto o homem não se entregar ao escândalo de amar o próximo como a si mesmo, só teremos destruição. Então, por favor, chega de hipocrisia! Comecemos as mudanças pela família, porque, como diz a canção: “a paz tão sonhada só chegará até nós quando ouvirmos a voz do Senhor”.

Uma sugestão: coloque a sua TV fora do ar e sintonize o diálogo, o perdão, a convivência fraterna. Reze, reze muito mesmo porque milagres acontecem, quando a gente reza, e reza sem desanimar. Ah! Use o celular quando for, realmente, necessário.

Sim, ainda dá tempo! Deus está conosco!

 

(Pe. Luiz Augusto, Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus)

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