Brasil

Eixo Brasília-Goiânia a principal artéria do coração do Brasil

Redação DM

Publicado em 8 de junho de 2016 às 03:27 | Atualizado há 10 anos

Anos atrás quando se falava em eixo de desenvolvimento vinha sempre à mente o tradicional eixo Rio-São Paulo, às margens da Via Dutra. Definem-se com eixos de desenvolvimento uma área formada por cidades cujas economias progridem e se reforçam mutuamente, fazendo a região crescer mais rapidamente do que se cada uma delas tivesse de se virar sozinha. No Brasil, os corredores até agora surgiram sem planejamento. As molas propulsoras são o crescimento das cidades médias e a desconcentração industrial.

Nas últimas décadas, diversos corredores de desenvolvimento se formaram no país – como o do Rio de Janeiro a Campos dos Goytacazes, estimulado pela  exploração do petróleo, e os que cortam áreas industriais tradicionais, como o trecho catarinense de Joinville a Florianópolis e o território gaúcho de Porto Alegre a Caxias do Sul.

Nos últimos anos quatro eixos de desenvolvimento se destacam, formados basicamente por empresas que passaram a migrar das metrópoles para cidades menores em busca de custos mais baixos. Destacamos quatro dos mais promissores eixos do Brasil:

1 Eixo Goiânia-Anápolis-Brasília

2 Eixo Ribeirão Preto-Uberlândia

3 Eixo Fortaleza-Mossoró

4 Maceió-Recife-Campina Grande

Localizado no Centro Oeste  o eixo Brasília–Anápolis–Goiânia tem 6,8 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruno de R$ 270 milhões. É o 3º maior mercado consumidor do País e, que só perde para Rio – São Paulo. O trecho representa o eixo de desenvolvimento mais promissor do país. Mais de 31 mil empresas foram abertas nessa área desde 2009.

O trecho envolve as cidades de Abadiânia, Alexânia, Anápolis, Brasília, Goianápolis, Goiânia, Santo Antônio do Descoberto e Teresópolis de Goiás. Segundo o levantamento, até 2025 a região deve ter mais de 70 mil empreendimentos, 50% de todos os investimentos em Goiás estão voltados para este trecho, que concentra 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do Centro-Oeste, deverá ser o segundo mais importante do Brasil até 2030, perdendo apenas para São Paulo.

Explica-se este grande crescimento as seguintes causas:

  •  Anápolis se consolidou nos últimos anos como um ­centro industrial, Anápolis também é um entroncamento. Ali se cruzam duas rodovias e fica o ponto de integração das ferrovias Norte-Sul e Centro-Atlântica. O aeroporto local vai se dedicar principalmente ao transporte de cargas. Com incentivos fiscais do governo goiano, atualmente há em Anápolis um polo farmacêutico que reúne 39 empresas.
  •  Goiânia continua atraindo negócios relacionados à vocação original da região, baseada na produção de carne e de grãos.
  •  Alexânia, localizada na cidade que abriga o segundo outlet do País.
  •  Abadiânia importante centro religioso.
  •  Brasília irradia estradas que garantem o acesso a mercados em expansão, como o Norte e o Nordeste, além do próprio Centro-Oeste. A capital federal é uma das cidades com maior PIB per capita do Brasil, um poderoso centro de consumo. é a capital federal e polo administrativo-político.

O eixo já representa uma grande importância econômica e social para o Brasil, diante desta realidade está sendo projetado o Expresso Pequi ou ainda Trem Brasília-Goiânia,  que é um trem que deverá ligar as duas principais cidades. O sistema que é debatido há mais de duas décadas deve sair do papel nos próximos anos. A ligação ferroviária está atualmente em fase de estudos técnicos e de viabilidade econômica. Embora a ideia inicial fosse à implantação de um Trem de Alta Velocidade, a possibilidade foi descartada devido aos altos custos da obra, que chegaria a R$ 5 bilhões. Com um trem misto de passageiros e carga o custo cairia para R$ 1 bilhão, o que viabilizaria a obra.

Com o novo sistema o tempo médio para se percorrer a distância entre as duas capitais seria de 1h, menos da metade das atuais 2h30 gastas de carro, e um terço das 3h gastas de ônibus. O TMV – Trem de Média Velocidade que visa o escoamento de grãos do Centro-Oeste, o maior produtor do País, irá proporcionar menos caminhões neste trecho, o fluxo de automóveis vai melhorar, pois temos um dado alarmante que é o de 1,4 milhão de veículos transitando todos os dias pelo DF. O trecho será estendido até a cidade de Luziânia.

Ao todo quatro regiões seriam atendidas pelo novo sistema:

  •  Distrito Federal: Brasília e as demais cidades do DF somam 2,8 milhões de habitantes.
  •  Entorno do Distrito Federal: A região de Goiás atualmente conurbada com o DF reúne milhões de habitantes, em municípios como, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental e Luziânia.
  •  Região Metropolitana de Goiânia: Segundo maior aglomerado urbano do Centro-Oeste, possui uma população de 2,2 milhões de pessoas em 20 municípios.

Na prática, esse corredor é uma amostra de como cidades com economias complementares podem se aproximar para impulsionar o desenvolvimento. Goiânia tem muito a ganhar por fazer parte deste importante eixo de desenvolvimento.

 

(Garibaldi Rizzo, arquiteto e urbanista)

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