E a luz no fim do túnel finalmente aparece
Redação DM
Publicado em 7 de junho de 2016 às 02:40 | Atualizado há 10 anosÉ importante esclarecermos que a opinião que no momento detemos em relação à crise generalizada por que passa o país não representa uma afirmação de verdade absoluta, porque se assim procedêssemos soaria como presunção e, consequentemente, renunciaríamos à nossa convicção da existência de uma fonte perene de saber, além do que estaríamos negando o direito da opinião divergente e, mais ainda, nossa singela compreensão sobre verdade absoluta já aqui por diversas vezes manifestada.
Com tal compreensão instigamos o juízo do gênio e nos embarcamos na linha do tempo. Vejamos e recorramos a um espaço da história, provavelmente não com os mesmos princípios e sabedoria, mas, se possível, próximos de igual astúcia inflamada pudéssemos, transitando no presente e no passado, vivenciar no Parlamento do Brasil de agora as ideias da Ágora da República grega do tempo de Zenão de Eléia, o pai da dialética, certamente comprovaríamos que o duelo dos juízos continua prevalente, entretanto, constatamos que dele no tempo atual nenhuma fagulha de brilhantismo se vê arrebatar.
Conforme ensinado, e lição aprendida, Zenão desenvolveu a técnica de sustentar uma idéia por meio da refutação das refutações, algo que é fundamental no raciocínio jurídico. Se eu não posso comprovar a minha tese diretamente, posso ao menos desacreditar as teses contrárias, mostrando que elas são absurdas. E foi justamente isso que se propôs fazer ao usar argumentos paradoxais para combater as estranhas teorias de Parmênides.
Com o senão jogado à lona, porque o fenômeno do espelho nutre-se do momento pátrio, conforme facilmente se observa nas práticas políticas, assim, quem era situação é hoje oposição e quem era oposição agora se posiciona situação reflete na conjuntura a foto real do paradoxo Brasil.
Com a continuidade dos trabalhos da Justiça e Polícia Federal, assim como da Procuradoria e Ministério Público Federal, o que nos apresenta é um país em redemoinho sob os efeitos da Operação Lavajato e, principalmente, da “República de Curitiba” ou “República do Paraná” sob a batuta do juiz Sergio Moro, com maior turbulência e efeitos “devastadores” após o vazamento do depoimento de “novos atores” resultantes das “delações premiadas” do ex-senador Delcídio do Amaral do PT, que era líder do Governo Dilma no Senado.
Sob o título “Quando o passarinho começar a cantar as penas vão voar” pontuamos, textualmente, que “a cassação do mandato do senador, que foi líder da presidente no Senado Federal, vai continuar rendendo e produzindo efeitos devastadores para os envolvidos nos crimes levantados e assim considerados por quem de direito, porque a delação premiada ainda não é de toda conhecida pela sociedade, mas, pelo que já foi divulgado, e agora com a perda do mandato e o consequente prejuízo do fórum privilegiado, todos os envolvidos merecerão citação pormenorizada, com riqueza e clareza de detalhes…”, justamente porque havíamos procedido análise do quadro apresentado no momento e os rumos apontados, portanto, diagnosticando os desdobramentos com base em dados realistas e não em adivinhações.
O Governo da República do Brasil, do presidente Michel Temer, está em curso e já enfrentou e enfrenta ataques contundentes dos “desapeados” (das tetas das muares do leite negro do petróleo e de outros capinzais que escorre no subsolo e até no pré-sal) daqui de dentro e dos de lá de fora porque são operados e orquestrados por organizações ideológicas poderosas e interessadas em manter o clima de desestabilidade de toda ordem por gula econômica, política e social. E sobre este parágrafo opinião em artigo rematado há de merecer abordagem.
É verdade que está sobrando bala para tudo quanto é lado e para praticamente todos os partidos, políticos e poderes com riscos de agravamentos inimagináveis, mas, também, é verdade que tanto a situação de ontem e hoje oposição quanto a situação de hoje e ontem oposição começam a afinar o discurso livres da cegueira que abraça e liquida a todos, assim, com igual visão aproximam e até mesmo passam a usar a mesma língua, alertados pelo clímax do furacão, e a luz no fim do tunel finalmente aparece.
(Miron Parreira Veloso, jornalista, radialista, escritor, bel.C Contábeis, g. público. Livro publicado: Gestão Pública – Prática e Teoria – UEG)