Pagaremos muito caro!
Redação DM
Publicado em 5 de maio de 2016 às 01:30 | Atualizado há 10 anosA eficácia do golpe jurídico-midiático reside no aspecto de que, em dada altura, ganha ares de normalidade; a pauta, de tanto ser dita e redita de forma enviesada, distorcida e manipulada vai sendo naturalizada no cotidiano político e mesmo admitida como algo possível. Não deveria!
Golpe é o impossível para uma democracia seria; deveria ser integralmente repelido por toda a cidadania e as instituições púbicas e de governo que em pleno marketing institucional vivem a se autodeclarar como “defensoras e guardiãs da democracia” deveriam, exatamente e em cenários como esse se posicionar firmemente pelo cumprimento da Constituição; em franca oposição a toda sorte de conspirata contra os rumos do desenvolvimento do país e de seu povo e; assumida e veementemente em diametral oposição a toda trama que atente contra a vontade popular. Isso deveria ser o poder da democracia e de suas instituições exigindo perfilamento, retidão e unidade nacional contra tudo o que lhe atente.
É dramático! O que se percebe é que as instituições, os mesmos “bastiões da democracia” vão lenta e gradativamente, ingressando no novo ordenamento político advindo do maior crime de lesa-pátria depois de 1964.
Que a oposição do demo-tucanato advogue pelo crime do golpe é algo esperado e corriqueiro, aliás, sempre o fizeram. Essa gente por sinal, sempre foi contrária ao aperfeiçoamento democrático do país, inclusive pelo veio do reformismo clássico. Sempre e por reiteradas vezes se opuseram por reformas básicas e fundamentais para o próprio capitalismo brasileiro.
Não por acaso, jamais tocaram no assunto da reforma agrária cuja ausência capa e recapa a agricultura familiar impelindo, por conseguinte, mais de cem milhões de brasileiros do campo aos horrendos mundos das periferias urbanas e suburbanas do Brasil; a reforma urbana é outro absenteísmo político nas pautas políticas dessa gente.
O resultado todos sabemos pelo olho e pela carne: cidades apropriadas pelas mafias da especulação; pelo disparate de corporações que fazem a governança das cidades e; obviamente, que nos impõe o precário mundo urbano e que tanto nos atinge.
Impostos justos e progressivos sobre formas de consumo é tema que também não entra no cipoal político e analítico dessa mesma direita e que agora toma o governo da república. Imposto mesmo é pra pobre, para os que vivem da labuta, aliás, os ganhos dos trabalhadores brasileiros servem apenas e somente apenas para sua manutenção básica e essencial: morar e comer.
Nada além disso! A remuneração do trabalho no Brasil é nessa trágica sintonia um quantitativo monetário meticulosamente concebido para o estrito aspecto, definitivo e essencial, da mera reprodução física do trabalhador para fins óbvios: produzir riqueza para os bem nascidos.
É de uma perversão sem fim! As mídias democratizadas, sob controle público e social, na produção de temas e trabalhos de real interesse educacional, cultural, intelectual e político, não por acaso, determinado pela moribunda Constituição Federal de 1988 é outra “sacralidade” e que não se pode falar! É de um absurdo nevrálgico!
Enfim, o caos criminoso do golpe se enevoa de cotidiano e vai se tornando habito, costume e fluidez política e social. Esse é o trunfo do golpe, a eficácia com que se institucionaliza inclusive com a benevolência das mesmas “guardiãs da democracia” expressas no congresso nacional, no supremo tribunal federal e no cretinismo parlamentar espraiado país afora.
Os pobres do País pagarão muito caro por essa “revolução ao revés”.
(Ângelo Cavalcante, economista, cientista político, doutorando (USP) e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara)