Os animais que são pagadores de promessas
Redação DM
Publicado em 5 de maio de 2016 às 01:12 | Atualizado há 10 anosDe acordo com os dados históricos da cidade de Trindade, que fica localizada na Região Metropolitana de Goiânia, a Festa do Divino Pai Eterno, que nela é celebrada anualmente pela Igreja Católica, está completando 176, pois o evento religioso ocorre desde o ano de 1840. Pela sua fama e tradição, as festividades atraem romeiros de várias regiões do País, formando, assim, a grande romaria.
Por isso, a cidade passou a ser chamada, popularmente, de “A Capital da Fé”. E o mais importante é que o evento religioso é considerado como sendo o maior do mundo. Com esses destaques curiosos os devotos de diferentes localidades fazem questão de virem a Trindade, anualmente, para participar da romaria e, com isso, para o orgulho dos goianos, a cidade está entre as metrópoles turísticas mais influentes do País. Durante os festejos religiosos acontecem várias apresentações diferentes que têm chamado atenção dos romeiros, entre elas, os desfiles de carros de bois.
Mas, o que é inaceitável pelos defensores e amantes dos animais é quando os romeiros que residem em localidades mais distantes, eles utilizam os carros de bois para pagar as promessas que os mesmos fizeram ao Divino Pai Eterno. Por isso, os inocentes animais são utilizados para aquela finalidade e percorrem todo o trajeto, até Trindade, por vários dias, sob maus-tratos e crueldade, pois, muitas vezes, com fome e com sede. Isto significa que os homens fazem as promessas ao Divino Pai Eterno, mas que pagam, com sacrifício, são os inocentes animais.
Portanto, são costumes inaceitáveis, até porque, no mundo moderno em que vivemos, não se justifica mais o uso de carros de bois, principalmente nas regiões com fácil acesso a veículos automotores. Além de ser um costume ultrapassado, a sua adoção se torna uma verdadeira crueldade aos animais que neles são utilizados. Por isso, esse tipo de transporte, ainda mais para pagar promessas às Entidades Religiosas, deve ser abolido, através de leis próprias, como já existe, em certas cidades, contra o uso de carroças tração animal.
(João Francisco do Nascimento, advogado militante em Goiânia, OAB-GO 2544, e articulista do Diário da Manhã, e-mail: joaofrancisco.adv@hotmail.com)