A presença da ausência do vovô Cloves Borges
Redação DM
Publicado em 5 de maio de 2016 às 01:12 | Atualizado há 10 anosDia desses trouxemos a lume aqui mesmo neste espaço democrático do Diário da Manhã, singelo e descolorido artigo de nossa humilde lavra intitulado: “O Retorno de Clovinho ao Oriente Eterno.” O objetivo ali perseguido era o de render singela e merecida homenagem ao poderoso irmão e amigo, Cloves Borges da Silva o mais audacioso e arrojado vascaíno de Jataí, que acabara de deixar o mundo das formas e retornar à Pátria da Verdade.
Ali falamos do estudante, do apicultor, do profissional de barbearia, do comerciante, do filho, do irmão, do marido, do pai, do maçom, do amigo, do dirigente e treinador do glorioso Vasquinho da cidade apiária e do exemplar humano de raríssimas qualidades morais, revestido na franzina indumentária física do baixinho Cloves. Desta feita tomamos a liberdade de convidar seu neto, o jovem estudante de Design de Produtos e de Filosofia Cassiano Borges, que estuda, trabalha e reside na capital de São de Paulo e não que não pode comparecer às exéquias do vovô Cloves. Em mensagem poética simples e revestida de extrema sensibilidade ele fala da presença da ausência do seu avô com quem sempre manteve laços de afetuosa fraternidade.
A sua, que a seguir reproduziremos na íntegra e ousamos emoldurar com o título “Tributo de Amor e Gratidão” é a mensagem saudosa de uma alma nobre e viajora perfeitamente sintonizada com a crença na vida eterna e imperecível. Consciente de estar ainda temporariamente vinculada ao tabernáculo carnal a mensagem traz consigo a marca indelével da saudade e da amargura de que se sente vitimado pelo golpe passageiro de uma separação temporária. Por entender ser ela capaz de consolar e esclarecer outros jovens que vivem a mesma experiência de perca parental ousamos publicar na íntegra a saudosa e esclarecedora mensagem de Cassiano Borges.
Tributo de amor e gratidão
“O sentimento da perda sempre nos confronta com extremo desconforto; na vivência do não-estar aí, daquele que sempre foi muito querido, e o desamparo da impossibilidade da supressão dessa falta. Mas paro e penso, e me deparo com as lembranças dos belos momentos que passamos juntos, sinto-o ao meu lado, ainda muito próximo. Claramente me vejo acordando mais cedo do que ele, e lendo, espero-o acordar e fazer o café, tarefa que eu nunca poderia fazer melhor, sobretudo por ser ele quem decretava o inicio efetivo do dia. Uma cadeia de inumeráveis momentos se desdobra à minha frente, recordações que carreguei e sempre irei associar a esta figura que constituí, para mim, o que é ser meu avô.
Se me aparece o sentimento de que perde um ente amado, logo me oponho. A lembrança sempre o conservará junto a mim, está na imagem de um garoto de pés sujos que se recusava a tomar banho para não contrariar a fantasia do lugar em que estava, está na formação da formação da pessoa que me tornei.
O grande ato de generosidade daquele que deixou de ser para-si, para ser, para-nós, este era meu avô… A família Borges estará sempre sob a sua guarda e em sua memória. Amamos-te vovô.” Cassiano Borges.
(Irani Inácio de Lima, presidente da Associação Jurídico Espírita do Estado de Goiás)