A honra não está em defender conceitos
Redação DM
Publicado em 4 de maio de 2016 às 00:48 | Atualizado há 10 anos
Assinalar por estultícia o comportamento de quem comanda os bonecos de engonço a carpir-se com o axioma nefasto, delituoso e insolente de golpe é uma distinção e uma temperança dos contrários ou neutros por compreender os efeitos danosos causados aos raciocínios dos dominados, por uma simples razão: são pessoas da gente, por conseguinte, completam-nos como nação, são irmãos merecedores do maior respeito e consideração dado o longo período de ablução intelectiva que os vitimou.
Mesmo gentil e respeitoso com as vanguardas da possessão “brasilis decomposta” é preciso não somente, mas, em especial e decisivamente, estabelecer limite para que a amoralidade e a insolência não joguem na vala comum os iludidos com os falazes. A boa fé dos crédulos e ingênuos está sendo envenenada pela dialética espúria daqueles que pretenderam transformar um país continental em feudalismo castrista-bolivariano, semelhante à ínsula que se enclausurou do mundo para, consoante denúncia de milhares de refugiados cubanos em diversos continentes e países – concluindo mesmo sem aceder –, o empobrecimento de seu povo e o enriquecimento dos chefes-donos da ilha. Qualquer semelhança é mera coincidência!
Os encastelados de agora não são ingênuos, não são tímidos, não são modestos e, também, precisam se explicar explicando. A obra para conquistar o poder mereceu uma doutrinação primorosa multifaceta por nuances misturadas paradoxalmente de verdade e mentira, de certo e de errado, de sonho e de pesadelo, e de que o do Estado é deles como posse pela assunção do poder e não nosso, ou seja, não de nós povo brasileiro porque lhes delegamos o domínio de prevalecer-se e valer-se conforme a conveniência e a vontade para o uso e o abuso.
A conquista do mandato, com enganos e mentiras não importa, o que interessa é defender a tese do golpe como afirmação contínua e continuada de que a população brasileira, independentemente do projeto político ser pregado de forma falsa ou verdadeira, porque acreditar ou não no projeto de governo pregado é irrelevante, o certo, garantem, é que nós brasileiros lhes concedemos a escritura pública para fazer do Brasil um patrimônio privado e particularíssimo.
Em oportunidades outras consideramos, de forma objetiva, a flâmula por eles desfralda com a chancela da teoria da conspiração. O incisivo mantra “é golpe”, do qual já asseguraram o monopólio aos direitos autorais, vem corroborar o abordado.
Um questionamento esquecido, certamente, e propositadamente, pelo Governo que comanda o país e seus aliados, refere-se à delação do Senador do mesmo partido (agora não mais) Delcídio do Amaral, líder do Governo da presidente Dilma no Senado Federal (agora não mais). As denúncias com seus respectivos endereços estão mudas e amordaçadas por interesse de quem e para quem?
Em tempos idos dizia-se que a vergonha estava na cara. Atualmente, com o advento da cirurgia plástica, facilmente mudam-se não somente as caras e bocas, mas, também, inúmeras outras partes do corpo humano, todavia, o caráter não depende nem da habilidade e nem da capacidade de nenhum cirurgião porque a honra não está em defender conceitos e sim preservar princípios.
(Miron Parreira Veloso, jornalista, radialista, escritor. Bel. C. Contábeis – G. Público Livro publicado: Gestão Pública – Prática e Teoria – UEG)