Brasil

Procuram-se bons políticos

Redação DM

Publicado em 30 de abril de 2016 às 01:09 | Atualizado há 10 anos

Aproximam-se as eleições municipais e vivemos dias apreensivos na política brasileira. Nós, os eleitores, temos que assumir nossa parcela de culpa pelas nossas escolhas. O sistema eleitoral brasileiro nos oportuniza o exercício do voto, então, somos responsáveis por nossos representantes, que de certa forma são os reflexos da sociedade. Infelizmente é isso mesmo. Ainda não somos um país honesto, a desonestidade não é apenas de muitos políticos e sim de um povo que gosta de levar vantagem em tudo sem pensar nas consequências para a coletividade ou para o seu próximo. O rótulo de que todo político é corrupto é equivocada, favorece a proliferação dos vigaristas e batedores de carteira do erário, excluindo as pessoas de boa vontade que poderiam compor o quadro de bons políticos. Assuntos sobre política e seu meio causam arrepios à grande parte da população brasileira. Apesar dos que se declaram apolíticos, apartidários, ninguém é completamente isento das decisões coletivas, embora muitos, por decisão pessoal, podem estar alienados. Por este motivo, jogar a responsabilidade nos políticos profissionais pela corrupção funciona como uma desculpa para a falta de ação política da maioria das pessoas. Na verdade, assim como os maus políticos, muitos cidadãos cometem erros, de acordo com as oportunidades, pois, o tempo todo se percebe pessoas: furando filas e usurpando os direitos dos outros; tentando subornar alguém para que não seja cumprida a lei; jogando lixo nas ruas e cometendo uma séria de erros, mesmo sabendo que não está certo.

O agir dentro dos princípios da honestidade carrega o desejo e a capacidade de enxergar o que realmente importa não para si, mas para todos. A honestidade do homem público se aplica ao coletivo, comunitário, em prol do progresso e bem estar social de sua comunidade. Cabe ao eleitor procurar conhecer os candidatos, seus atos, comportamentos e costumes, bem como seus ideais, opiniões e propostas.  Certamente novos nomes terão a vez e a oportunidade de fazer uma política honesta e transparente, caso contrário, também serão reprovados, o eleitor assim o quer. Com algumas exceções, muitos medalhões não se reelegerão para continuarem a fazer as mesmas perversidades que sempre fizeram, findando as mentiras e traições aos que os elegeram acreditando em suas promessas. O eleitor não quer mais o mesmo manjado e desonesto político participando do governo no seu país, no seu estado, na sua cidade, no seu bairro e na sua vida. Com a velocidade de informações a população está mais informada e interessada, neste mundo globalizado vivendo a era da internet, o acompanhamento e a cobrança vão existir sempre por parte dos eleitores que sabem que não existe honestidade se o discurso é um e a prática é outra. Conforme os valores sociais, o político honesto deve estar inserido no seu tempo, ou seja, não pode ludibriar a população com causas e discursos presos ao passado enquanto trabalha por interesses próprios, para si mesmo. É importante olhar para o futuro, se distanciar de radicalismos e verdades absolutas, buscar a atuação eficiente do Estado e não cair em bobagens populistas. Promessas impossíveis em busca de votos não são características de um político honesto, essa é uma das causas do descrédito e inconformismo em relação à política.

Neste ano teremos eleições municipais, prefeitos e vereadores serão eleitos. As escolhas dos vereadores podem ser as mais verdadeiras e conscientes, pois, eles são mais conhecidos devido ao convívio mais próximo com os eleitores. Enquanto perpetuarmos o pensamento “político bom já nasce morto”, teremos que refletir sobre a citação de Rui Barbosa, mais ou menos assim: “….de tanto ver prosperar a desonestidade …tenho vergonha de ser honesto…”  viveremos acuados por defender o certo,  e cansados de buscar quem seja e pareça honesto. É nosso dever, pelo voto praticar a decência. Apesar das insatisfações, não acredito que anular o voto seja a melhor alternativa, essa atitude pode favorecer a elite política e, quem sabe, contribuir para eleições indesejáveis de corruptos e praticantes de crimes eleitorais.

(Natal Alves França Pereira, servidor público, graduado em Ciências Contábeis, filiado à Associação Goiana de Imprensa)

 

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