Brasil

O céu não é ilusão de ótica

Redação DM

Publicado em 30 de abril de 2016 às 00:56 | Atualizado há 10 anos

Não existe ilusão quanto ao resultado que o governo colheria, ab ovo, em relação ao pedido jurídico-politico-administrativo proposto pelos renomados juristas pátrios, inclusive um deles fundador do Partido dos Trabalhadores, ou seja, um dos criadores conhecia de fato, de direito e por direito o fruto de sua criação e deu no que deu: sobrou voto para mais de um impeachment para a Chefa de Estado e de Governo do Brasil.

Cabe aqui ressaltar, mais uma vez, a célebre frase de Aristóteles: “A substância sensível é sujeita a mudança”, considerando, sobretudo, ser ela a inicial de seu décimo segundo livro da “Metafísica” e em especial à dedicação para o tema inteiramente tratado em um dos dois livros denominado “Da geração e da corrupção”. Qualquer justificativa em descartar o arrazoado em razão do foco se debruçar na Física não desqualifica o resultado apontado para a chave que a aciona e a que resulta a corrupção, em especial considerando a máxima em frase única: “Do nada, nada se cria.”

Ajustando o pensar filosófico para tempos atuais podemos concluir que: Quando o homem-político se destrói e se gera o homem-não-político, o homem continua sendo o mesmo e isso se caracteriza como uma alteração. Com o mesmo pensar do sábio colige-se que a corrupção é a passagem do ser para o estado de não-ser. Não é sem razão que se extrai de análise simplista as reiteradas negativas esposadas como mantra: “Não houve crime e por isso é golpe.” “Nada vi e nada sei.” “Essas mãos nunca tiveram contato com dinheiro sujo.” (Por lógica entende-se que ou usavam luvas ou ganharam asas por anjos que são e, pela hipótese ou justificativa última, vão direto para o céu).

O ser humano, independente se brasileiro ou não, assiste os atos, os fatos e os passos de diferentes atores no grande palco da vida pública em todo o planeta. A opinião combatida de ontem por divergência ideológica hoje serve de escudo para rebater o que se defendia com unhas e dentes. Em função de tal comportamento voltamos a repetir o que já dissemos antes, reforçando o pensar esposado de que a justiça tem que se fazer com um único peso e uma só medida, ou seja, não só ser justa, mas, também, aparentar ser justa. O Brasil passa por uma transformação e, inegavelmente, mostra um judiciário com cara nova se fazendo justo e, também, aparentando justo.

É mínima e remota a possibilidade de a presidente da república não ser afastada do poder pelo Senado Federal nos próximos dias, dentro da mais ampla legalidade constitucional, segundo a mais Alta Corte do Poder Judiciário do Brasil. Havendo confirmação de egressão, conforme determina à legislação, o país terá um novo presidente e, por conseguinte, um governo novo, logo, continuar alimentando o ódio entre irmãos é ilógico e até desumano. Não é legítimo afiançar que o pesadelo de hoje é o sonho sonhado ontem por milhões de brasileiros, porque não é. Ajuizamos, sem titubeio, que a verdade se mostra cristalina até para os mais crédulos e ingênuos que o céu não é ilusão de ótica e o impeachment não é ilusão de ética.

 

(Miron Parreira Veloso, jornalista, radialista, escritor. Bel. C. Contábeis, g. público. Livro publicado: Gestão Pública – Prática e Teoria – UEG)

 

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