Sobre comportamentos egoístas que nos fazem sofrer e nos aprisionam
Redação DM
Publicado em 21 de abril de 2016 às 01:43 | Atualizado há 10 anosO comportamento desvela ao exterior a realidade íntima do ser humano. Nem sempre, porém, tal manifestação se reveste de autenticidade, pois que muitos fatores contribuem para mascarar-se o que se é, numa demonstração apenas do que se aparenta ser.
Muitas vezes manipulado pelo próprio ego, a pessoa se esconde de seu verdadeiro Eu (Self) e se deixa ser manipulado pelos comportamentos egoístas que nos aprisionam na infelicidade.
De acordo com a maturidade ou não do ser psicológico, a comunicação padece dificuldades que somente poderão ser sanadas quando existir um propósito firme para o êxito.
Há uma tendência natural para o disfarce do ego quando prevalece um impulso dominante para convivência, a experiência social, o diálogo.
A ausência de tais imperativos contribui para o desequilíbrio emocional e, por consequência, para os estados psicopatológicos que se multiplicam avassaladores.
A comunicação desempenha, em todas as vidas, um papel relevante, quando visceral, emocional, livre, sem as pressões da desconfiança e da insegurança pessoal. Levando o indivíduo à desesperança e fluindo, em consequência, a infelicidade.
Quando chegamos à idade adulta, é certeza que já passamos por diversas fases em nossa vida, como: primeira infância, segunda infância, terceira infância, puberdade e adolescência. Quando estas fases são mal vividas ou mal elaboradas em nosso psiquismo, podemos estar desencadeando conflitos futuros, desde uma simples complicação orgânica até mesmo nos tornando uma pessoa emocionalmente doente.
Necessitamos todos de viajar para dentro, a fim de nos descobrirmos, desidentificando-nos daquilo que nos oculta aos outros e a nós mesmos.
Habituado ao não enfrentamento com o self, o ego camufla a sua resistência à aceitação da realidade profunda, elaborando mecanismo escapistas, de forma a preservar o seu domínio na pessoa.
Desse modo, podemos enumerar alguns desses instrumentos do ego, para ocultar-lhe a realidade, facultando-lhe a fuga do enfrentamento com o eu profundo, tais como: compensação, deslocamento, projeção, introjeção e racionalização.
Compensação: Como o nome diz compensação um “suposto” defeito ou algo que não gostamos em nós com algo para superar “essa falha”. Um defeito físico, por exemplo, pode ser compensado em exercícios que torna esse um grande atleta. A baixa estatura ou aparência física compensada com grande desenvolvimento intelectual. Há sempre algum exagero nessa compensação, quando, de forma inconsciente se estabelece um conflito, por adoção de uma crença em algo sem convicção.
O excesso de pudor, a exigência de pureza, provavelmente são compensações por exorbitantes desejos sexuais reprimidos e anelos de gozos promíscuos, vigentes no ser profundo.
Alguém que não conseguiu obter um diploma busca um cargo dentro de uma Instituição religiosa é outro exemplo clássico de compensação.
Deslocamento: deslocar uma raiva ou ódio por alguém para quebra de um objeto para superar o sentimento.
Projeção: a repressão inconsciente dos conflitos da personalidade leva o ego a projetá-los nos outros indivíduos. Há uma natural e mórbida tendência no ser humano de ignorar certas deficiências pessoais para projetá-la nos outros.
Introjeção: a pessoa introjeta-se na vida dos heróis aos quais ama e com quem se identifica, aceitando ser parecida com eles. Assume-lhes a forma, os hábitos, os traquejos e trejeitos, o modo de falar…
Racionalização: é o mecanismo de fuga de maior gravidade do ego, por buscar justificar o erro mediante aparentes motivos justos, que degeneram o senso crítico, de integridade moral, assumindo posturas equivocadas e perniciosas.
A superação dos conflitos, das angústias, a desendentificação dos conteúdos psicológicos afligentes, permitem a iluminação, e a próxima é a meta da vinculação com a consciência cósmica.
A felicidade se expressa mediante vários requisitos, entre outros, os de natureza cultural, atavismo que lega ao indivíduo o meio social de onde se origina e no qual se encontra, de nível de consciência e de maturidade psicológica.
O nível de consciência e o amadurecimento psicológico estabelecem os graus nos quais se expressa, as realizações plenificadoras, os estados de felicidade.
A interpretação equivocada conduz a buscas irreais, que perdem o significado quando se alteram os fatores que a constituem. A sua visão, em determinada época da existência, muda completamente em outro período.
Assim, a felicidade tem a ver com a identificação do indivíduo com os seus sentidos e sensações, os seus sentimento e emoções, ou as suas mais elevadas aspirações idealistas, culturais, artísticas, religiosas, com a verdade.
Essa busca é diferente da ambição de ser virtuoso, na qual mascara o ego e apresenta-o, entregando-se a macerações que ocultam gozos patológicos ou a narcisismo, em mecanismos de evasão da realidade para planos egóicos, masoquistas-exebicionistas, com aparência de humildade e renúncia.
Quando reais, essas expressões de virtude são ignoradas pelo próprio candidato em quem são naturais, sem os condimentos do prazer embutidos na fuga psicológica que as falseiam.
Assim a busca de felicidade é o equilíbrio entre o sofrimento e o prazer, que são inerentes às experiências humanas, da realização do self desidentificando-se do ego.
Não escolha ser feliz; permita ser feliz! Ser feliz não implica não ter sofrimento; ser feliz é aprender o que temos e não viver sobre lamentos e reclamações do que não temos!
Ser feliz não é obter coisas e ter pessoas; é desfazer de coisas e amar pessoas!
(Dr. José Geraldo Rabelo, psicólogo holístico, psicoterapeuta espiritualista., parapsicólogo. Filósofo clínico. Especialista em família, depressão, dependência química e alcoolismo. Escritor e palestrante. Emails.: [email protected] e [email protected])