Desativada 2

A ciência em frequência alterada

Redação DM

Publicado em 19 de abril de 2016 às 02:51 | Atualizado há 1 ano

Dr. Albert Hoffman, cientista suíço, estava em mais uma tarde de pesquisas sobre o fungo êrgo, pelo laboratório no qual trabalhava, o famoso Sandoz. Sua intenção era descobrir alguma substância capaz de impedir o sangramento no pós-parto. Nesse dia, ele sintetizaria uma das drogas recreativas mais conhecidas do século, a dietilamida do ácido lisérgico, mais conhecida como LSD. A história da bicicleta se deve ao fato de após ingerir a substância Hoffman se sentiu mal  e por causa das restrições da segunda guerra não podia usar um veículo auto motor, então ele fez uma bela viagem lisérgica de bike.

O cientista contou essa e outras histórias em seu livro “LSD: My Problem Child” (LSD: meu filho problemático)”.Hofmann resolveu sintetizar novamente o LSD, depois de abandonar a pesquisa durante 5 anos. Acidentalmente ele tocou a substância, levando-a ao contato com sua boca, nariz e olhos. Pouco tempo depois ele descobriria os efeitos de sua síntese. O cientista anos depois descreveu o que sentiu décadas atrás, com esse contato, da seguinte maneira: “[Sentia-me] afetado por uma grande agitação, combinada com ligeira tontura. Em casa, deitei-me e afundei-me em uma desprazerosa condição de intoxicado, caracterizada por um estímulo extremo da imaginação. Em um estado de sonho, com os olhos fechados (eu considerava a luz do dia desagradavelmente gritante), percebi um fluxo ininterrupto de imagens fantásticas. Formas extraordinárias e intensas, com um jogo de cores caleidoscópicas. Duas horas depois, essa condição desapareceu”.

Albert decidiu então entrar a fundo na questão das substâncias psicodélicas relacionadas à saúde, tendo contribuído efetivamente no mapeamento de plantas alucinógenas como a salvia divinórium e a glória-da-manhã. Em uma entrevista aos 100 anos de idade, Dr. Albert revelou-se frustrado com a proibição total do LSD, o que culminou com o abandono de inúmeras pesquisas na área da saúde mental. “Ele foi usado com sucesso por mais de 10 anos em psicanálises”, defende. Ele aponta como causas para a proibição do LSD à sua ampla utilização e divulgação durante o período de contra-cultura dos anos 1960 (artistas famosos admitiam o uso da droga em seu processo criativo).

Melhor proibir, essa substância é coisa de hippie.O motivo da proibição, na visão de Hoffman, seria a rejeição de entidades políticas daquele momento histórico às ideias libertárias do movimento que ganhava muita legitimidade entre a juventude, lisergia era coisa de hippie afinal. E os hippies usaram bastante a substância com finalidade recreativa.

Hoffman explicava que a quantidade necessária para uma intoxicação degenerativa de LSD era extremamente alta, e que se fosse estudada e controlada poderia trazer muitos benefícios à psiquiatria. A permição para que o LSD fosse estudado só veio em 2007, também na Suíça, com o psicoterapeuta Peter Gasser. Ele pretendia descobrir os benefícios do uso da substância em terapia com pacientes com depressão devido a estados terminais de câncer ou outras doenças sem cura. O projeto foi concluído em 2011, e foi o primeiro estudo dos efeitos terapêuticos da substância em mais de 35 anos.

Hoffman morreu em 2008, antes dos resultarem serem divulgados, aos 102 anos. No ano seguinte, 2012, foram feitas pesquisas sobre a administração do uso do LSD em pacientes com estágios avançados de alcoolismo. Foi comprovado que o uso da substância pode auxiliar nos primeiros meses de tratamento, diminuindo consideravelmente o uso de álcool nesse período, mas não surte efeito se usado por mais de um ano. Efeitos relatados pelos pacientes incluiam vertigem, confusão, náuseas e comportamento bizarro.

O LSD não se coloca a serviço da guerra

Existe um documentário chamado Space cadet que foi gravado no Centro de Pesquisas Porton Down em Wiltshire, na Inglaterra, que mostra testes do governo britânico ministrando LSD aos seus soldados. A tropa, totalmente psicodélica, não consegue cumprir comandos básicos. Depois de um tempo, os soldados caem em gargalhada no meio de um exercício militar.

O governo britânico realizou experimentos semelhantes no MI6, como era chamado seu serviço de inteligência. Entre 1953 e 1954, um grupo de “voluntários” recebeu a droga alucinógena pensando que participava do estudo de um remédio para resfriados. Nos registros do projeto encontra-se o relato de um rapaz, na época com 19 anos: “Via as paredes derretendo, rachaduras no rosto das pessoas, os olhos escorregando até as bochechas, como numa pintura de Salvador Dalí”.

A CIA também conduziu diversas pesquisas sobre o LSD, mas com a finalidade de encontrar a “Droga da Obediência”. A das pesquisas foram destruídas. O LSD foi a área central de pesquisa do Projeto MKULTRA, um codenome para o projeto da CIA de controle de mentes, cujas pesquisas começaram nos anos 50 e continuaram até o final dos anos 60. Alguns testes também foram conduzidos pelo Laboratório Biomédico do Exército dos Estados Unidos.

Tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido, as pesquisas concluíram que o LSD não era a droga adequada para seus objetivos. Em 2006, o governo britânico assumiu a responsabilidade do testes e indenizou os participantes.

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia