Homenagem ao hip hop de raiz
Redação DM
Publicado em 14 de abril de 2016 às 02:04 | Atualizado há 1 ano
Nessa segunda feira, dia 11 de abril, a Assembléia Legislativa fez às vezes das ruas da década de 80 e 90 e abrigou um evento que reuniu os primeiros nomes do hip hop goiano, os fronts da arte de rua no Estado de Goiás. A iniciativa de homenagear esse trecho da história cultural goiana foi da deputada Delegada Adriana Accorsi e teve lugar no Plenário Getulino Artiaga da Casa. A autora da iniciativa de propor essa sessão especial passou a 170 precursores do hip hop em Goiás certificados pela sua contribuição e valorização da cultura do Estado.
Além da deputada, compuseram a mesa diretiva dos trabalhos: o comandante-geral da Guarda Civil Metropolitana, Elton Ribeiro Magalhães, que representou o prefeito de Goiânia Paulo Garcia, o representante do Ministério da Cultura na Região Centro-Oeste, Wilmar Ferraz; o assessor parlamentar Wanderlei Correto, representando o senador Wilder Morais; um dos fundadores do movimentos hip hop no Estado de Goiás, Teodoro Cruz (TC Eletro Rock).
A cerimônia reuniu vários grupos que adotaram a dança de rua como expressão artística. Entre os presentes e homenageados se encontravam integrantes de grupos como o Conexão Suburbana, um dos precursores do rap goiano, o Sociedade Black, Kães de Rua, entre outros. Figuras como o dançarino Flory (Florisvaldo dos Santos) também participou do evento, ele que se dedicou as danças urbanas desde 1982 e hoje ainda guarda espaço pra esse tipo de expressão, apesar de se apresentar com outros tipos de movimento, como a dança de salão.
Dj Fox, ou Willian Rodrigues dos Santos, nos conta um pedaço de sua história atrelada as raízes do rap goiano. Fox que correu atrás no sentido que essa geração cultural de arte de rua fosse reconhecida.

Fox começa reforçando a importância dessa solenidade: “A homenagem no meu ponto de vista, o movimento hip hop existe por aqui desde a década de 80, finalzinho de 70… E até então o poder público não tinha oferecido voz, vez pra esse pessoal. Não tinha feio esse reconhecimento a nível institucional para com o movimento hip hop. Pelo que eu sei apenas dois estados brasileiros fizeram isso que foi uma sessão solene em homenagem e reconhecimento aos veteranos desse movimento. Tanto ao hip hop, como aos dançarinos de funk music, aos Dj’s, as equipes de som que começaram a tocar esse tipo de música nos bailes.”
O Dj ativo desde os anos 80 fala sobre a dificuldade de implantar essa cultura aqui em Goiás. “Naquela época que eles começaram a tocar eles foram até discriminados. O funk music é música dos negros, vista como música de baderneiro e na época era outro tipo de som que reinava. Então veio a galera do break dance, os rappers, os Dj’s, os grafiteiros.
Sobre quem foi a primeira geração Willian conta: “Os primeiros que eu sei, que tenho conhecimento foram os Selvagens Eletro Rock, Kães de Rua, Eletro Brake, Mega Brake, Dragões de Rua. A importância é reconhecer uma cultura que veio pelo lado certo, pelo combate a violência, a inclusão do jovem”.
O sentimento de Fox e de outros homenageados durante o evento foi muito intenso “Foi muito emocionante, tinha gente ali de 40, 50, 60 anos de idade, são pessoas que viveram e ainda vivem tudo isso. Eu poderia falar que esse reconhecimento demorou, mas não veio tarde”.
A história do DJ Fox e o hip hop oitentista. “Eu sou uma pessoa que comecei em 87, tinha uma equipe de som. Minha Equipe chamava Super Mix, uma das grandes da época de 80 e 90 desse segmento, fazendo bailes. Fiquei até o ano 2000 com essa equipe de som. Em 93 comecei a cantar rap, comecei a me identificar com a luta desse jovem. Comecei a ver que além da arte eles tinham um propósito, uma ideologia, que era levar a voz dos excluídos, que estão a margem da sociedade para quem não enxerga esse jovem. Foi em 93 que eu fiz minha primeira música abordando a questão social, “Bala Perdida”. Em 95 tentei fazer a primeira coletânea do estado de Goiás, tentamos arrecadar um dinheiro, mas acabou que não deu certo. O nome desse projeto foi “A união faz o disco”.
A consolidação desse projeto aconteceu em 98, em um disco que reunia nomes como o Conexão Suburbana, Sociedade Black, União Racial. Esse trabalho deu origem ao disco “Legião do Rap I”. Primeira coletânea de rap do estado de Goiás.
