Furtos, vandalismo e violência nas escolas
Redação DM
Publicado em 7 de abril de 2016 às 03:14 | Atualizado há 10 anos
Que a violência é um distúrbio social e que o quesito segurança é um dos maiores dilemas da sociedade atual, isso é algo indiscutível. O problema é quando essa violência se manifesta atacando a base ou estrutura que deveria ser um dos principais antídotos contra ela e a segurança pública se torna algo incapaz de sozinha conseguir resolver o problema.
Recentemente os furtos e as depredações ocorridas em dois finais de semana na Escola Municipal Marechal Ribas Junior, na Vila Redenção e no Colégio Estadual Jardim das Aroeiras, no bairro de mesmo nome, é algo que tem se repetido em outras unidades de Ensino da capital, abrindo a discussão sobre o que leva alguém a furtar e destruir patrimônios materiais e imateriais que fazem a diferença na busca de uma educação de qualidade. Alimentos, Recursos audiovisuais (projetores e câmeras digitais), equipamentos esportivos, computadores, livros, documentos, armários e até mesmo as salas de aula, são bens que acrescentam muito no aspecto pedagógico e que proporcionam um desenvolvimento cognitivo e sócio afetivo dos alunos que usufruem daqueles bens e daqueles espaços. Esse crescimento e desenvolvimento é algo que ajudam a formar cidadãos críticos e profissionais competentes. É incompreensível vermos atitudes como a que estas pessoas tiveram.
Em meio a esta discussão, há algumas perguntas que não querem calar, como por exemplo: O que leva algumas pessoas cometerem tais atos? Como combater este tipo de atitude e coibir que as mesmas aconteçam? É, em resposta a estas perguntas, muitos diriam que o funcionamento eficaz das forças de segurança como as Polícias Militar e Civil, a Guarda Civil Metropolitana e outros órgãos competentes como os Conselhos Tutelares resolveriam o problema. Outros acrescentariam a isso, o endurecimento e um maior rigor nas leis. E ainda existem os que veem nos equipamentos de monitoramento como câmeras e alarmes e no aumento do efetivo de profissionais como vigias, a solução preventiva desta problemática.
Realmente, temos que concordar que estas providencias poderiam ajudar, no entanto, acontece que não se trata de apenas um patrimônio qualquer, estamos tratando de Escola, um espaço educativo, a ferramenta para a liberdade, o espaço em que as relações sociais e culturais se expressam de forma sistematizada, lugar por onde estes próprios criminosos passaram. Por isso a importância do engajamento de toda a comunidade: dos alunos, pais, professores, moradores do bairro, comércios, igrejas, etc. A Revista Gestão Escolar (Editora Abril), Edição de Outubro de 2010, traz algumas sugestões para se trabalhar até mesmo dentro das Escolas, como por exemplo: criar um Fórum de Segurança; elaborar um manual de segurança interno; montar uma estrutura preventiva; estabelecer parcerias com outras instituições.
A verdade é que se houver um esforço coletivo e um empenho em demonstrar para a sociedade o valor imaterial que a Escola possui, mostrar que é através dela que construiremos um mundo melhor, mais justo, mais tolerante, solidário e principalmente menos violento. Se essa sociedade abraçar esse espaço como o único e mais importante que temos para galgar um futuro melhor para todos, com certeza crimes como estes não mais acontecerão.
Mas enquanto isso ainda não acontece, as ações de mobilização da comunidade, no sentido de cobrar das autoridades competentes e ajudar a identificar os responsáveis por tamanha “bestialidade” precisa acontecer. Por hora, estamos engajados nesse propósito.
(Marcio Carvalho Santos, licenciado e bacharel em Geografia, especialista em projetos sóocioambientais e culturais, professor das Redes Municipal e Estadual de Ensino e conselheiro comunitário de Segurança – Região leste de Goiânia)