O enorme poder do voto
Redação DM
Publicado em 1 de abril de 2016 às 01:49 | Atualizado há 10 anosConforme prescrevem a Constituição Federal, o Código Eleitoral e demais legislação específicas, no primeiro domingo de outubro próximo, serão realizadas as eleições para os cargos de prefeito e vereador, para um mandato de quatro anos. Por sua vez, a CF no seu artigo 14 diz que tais atos são exercidos por meio do voto direto e secreto, com igual valor para todos e nos termos da lei.
Assim, embora seja indiscutível de que as desventuras maiores do homem provem sempre do fato de depositar mal a sua confiança no próprio ser humano, devemos ir às urnas exercer o direito do voto, colocando nelas os nomes ou números dos candidatos da nossa preferência. É, deveras, uma decisão que pode resultar em consequência positivas ou negativas, pois estamos avalizando e dando crédito àqueles que foram eleitos. Por isto, é importante que o eleitor tenha muito cuidado e consciência nesta tomada de decisão, se possível pedindo a Deus sabedoria e prudência diante dessa opção tão significativa.
O povo, especialmente os eleitores, precisam entender que pelo voto garantiremos ou não a permanência do regime democrático, fazendo com que a República Federativa seja plenamente constituída em Estado Democrático de Direito, tendo como fundamentos a soberania, a dignidade da pessoa humana, a cidadania e outros valores capazes de os permitir viver numa nação próspera, oferecendo assim melhor qualidade de vida para seus filhos.
Precisamos, portanto, compreender que o ato de votar é, sem dúvida, condição clara, insofismável e segura do exercício do poder do cidadão do povo na politica, delegando a seus representantes nas esferas dos Poderes Executivos e Legislativo, o direito de decidirem em seu nome sobre os destinos do país. E politica e administrativamente, o município brasileiro é um dos mais autônomos do mundo, tendo poderes para eleger seu próprio governo, fazer leis, arrecadar impostos, empregar seus recursos, organizar e administrar os serviços a serem prestados sem nenhuma interferência dos governos federal e estadual.
Nos termos da legislação eleitoral vigente, passadas as convenções dos partidos políticos, terá início a campanha dos candidatos através dos vários meios de comunicação, buscando mostrar à população a figura e os projetos de cada um. É uma valiosa oportunidade que o eleitor tem para analisar o perfil moral, as propostas, os defeitos e outros detalhes sobre cada um deles, lembrando sempre que uma má escolha pode resultar em sérias consequências para nossa pátria.
O renomado escritor Cristovão Pereira afirmou com muita convicção que a pessoa em que você vota o apoio ao partido ao qual seu candidato preferido está inscrito, com o respectivo projeto de sociedade que defende, revelam a grandeza de seu coração. Eles são a expressão do seu amor para com a sua cidade, seu Estado e a Nação que queremos para todos nossos irmãos. O seu voto, por conseguinte, expressa quem você é e se você se interessa realmente pela paz e pela justiça no seio da sociedade.
Na Grécia Antiga os filósofos e os grandes sábios diziam que o indivíduo só se torna essencialmente pessoa na medida em que ele aprende a viver em sociedade. E no dia da eleição, o eleitor se vestia com a roupa mais solene e se dirigia ao local de votação altamente compenetrado da missão de cidadania, esta que é uma das maiores conquistas das nossas vidas. Portanto, os povos da antiguidade viam no voto uma atitude realmente séria, ética e sagrada, devendo então ser exercido com muita responsabilidade. Entendiam, ainda, que a escolha dos candidatos devia ser feita com consciência e após uma detalhada análise do histórico pessoal e político de cada um.
O eleitor precisa verificar que vivemos hoje um clima de ampla corrupção, fato que tem gerado sérios problemas por todos os lados, especialmente no meio familiar. O alto preço dos produtos de primeira necessidade, a criminalidade desenfreada e tantos outros fatores, indiscutivelmente, estão causando consequências altamente negativas em todas as classes sociais. Daí, a troca do voto deve ser evitada a todo custo, mostrando que vivemos em pleno século 21 e que o primeiro e fundamental princípio de concepção democrática de uma sociedade civilizada, é a dignidade de cada ser humano, destinação de todas as instituições em que se manifesta e se realiza a vida social.
Dia 2 de outubro próximo será uma data histórica para nossos municípios, cujos destinos estão dependendo da boa ou da má escolha dos futuros prefeitos e vereadores. Devemos, portanto, meditar profundamente antes de nos aproximarmos da urna de votação, lembrando sempre que na mente, no coração e nas mãos, estão concentradas as decisões mais significativas possíveis. Não podemos esquecer, jamais, que a pessoa útil deve estar sempre aparelhada moralmente e em condições de auxiliar na prevenção dos mares sociais, proteger a sociedade contra tudo de ruim que está acontecendo ao nosso redor.
O deplorável mercado de interesse escuso está levando nosso país aos caos, comprometendo violentamente a vida dos irmãos brasileiros. A politica deixou de ser exercido com dignidade, respeito e amor à pátria, ou seja, virou politicagem da pior espécie. A democracia passou a ser corrompida e recheada de maior irresponsabilidade, fruto da maldade da grande parte dos nossos governantes. E até certo ponto nós somos também responsáveis por tudo isto que está acontecendo.
Sejamos autênticos brasileiros, amantes desta pátria altaneira, pessoas conscientes e eleitores que realmente sabem separar o joio do trigo e garantir o melhor para estas e futura gerações. Vamos votar bem!
(Aníbal Silva , jornalista, delegado de Polícia de Classe Especial, professor aposentado, membro da Diretoria Executiva da Associação Goiana de Imprensa, da Academia Goiana Maçônica de Letras, da Academia Cezarinense de Letras e Artes e aspirante a uma cadeira na Academia Palmeirense de Letras e Artes)