Brasil

O day after do impeachment

Redação DM

Publicado em 13 de abril de 2016 às 03:05 | Atualizado há 10 anos

Estamos construindo nossa história de vida e moldando o futuro dos nossos filhos e netos com as decisões ou omissões de hoje e independentemente do resultado do impeachment será o início de tempos amargos. Teremos nos próximos dias um período de maior tensão política, onde nossas instituições serão testadas sobre o grau de maturidade do nosso povo e da nossa democracia.

Neste contexto podemos pensar em alguns cenários pela frente:

Caso ocorra a vitória do governo Dilma em barrar o impeachment como será o day after? O país voltaria para os trilhos ou sangraríamos na economia até o final do mandato? Possivelmente serão dias mais difíceis com a economia destruída por um caos completo, perda de confiança de investidores financeiros, aumento do desemprego, falências de empresas, aumento da carga de impostos e crescimento da sonegação fiscal, crescimento do quarto setor da economia (a mão de obra de trabalhadores informais).

Se a Operação Lava Jato não tirar outras peças importantes do xadrez petista e conduzi-las ao xadrez da Polícia Federal, poderíamos ter um ensaio de uma reação do terceiro mandato do governo Lula. Neste cenário ele com certeza venderia a alma ao cramunhão para ter Henrique Meireles como seu ministro da Fazenda e corrigir os rumos da economia. No entanto qual seria a autonomia de um economista sério como o liberal Henrique Meireles em participar de um governo e poder fazer os devidos ajustes na administração federal? Quem aceitaria participar de um governo que não faria cortes de cargos, ministérios e gastos públicos? Não existe mais confiança. Lula como Ministro da Casa Civil governaria o Brasil informalmente sem poder suficiente na caneta. O problema é que Dilma continuaria presidente e cercada de petistas enroladinhos na Operação Lava Jato.

Outro cenário possível, seria o crescimento das manifestações contrárias à corrupção, com grande apoio ao juiz Sérgio Moro, aos procuradores da Lava Jato, ao Ministério Público Federal e cobrança ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ministro Gilmar Mendes para a cassação da chapa Dilma-Temer e convocação de novas eleições. Esta é uma alternativa que poderia trazer paz à nação, e ainda com apoio da oposição, grande mídia e parte do próprio PT, já que continuam crendo na capacidade de reação do Lula.

Mas… e se houver votos suficientes para afastar a presidente Dilma?

Consideremos então a possibilidade de um governo Michel Temer. Tanto ele, o Michel, quanto o povo teria o que temer porque seus primeiros desafios seriam buscar entendimento junto ao TSE para não ser cassado e simultaneamente apontar uma direção confiável para a crise econômica já prevista em seu programa de governo “Uma Ponte Para O Futuro”. E se valer o escrito no programa de governo, então teremos também tempos amargos se quisermos colocar a casa em ordem.  O PMDB critica o aumento de impostos como forma de promover o equilíbrio fiscal, sob alegação de que a carga tributária é muito elevada, o que não quer dizer, que estando no governo, abriria mão da CPMF com participação dos Estados.

Michel Temer, faria cortes de gastos públicos, e por mais contraditório que possa parecer, já que o PMDB e seus asseclas são havidos por cargos e ministérios, também reduziria a estrutura do governo, promoveria a Reforma Fiscal, Tributária e da Previdência. Logo, os horizontes apontam tempos bicudos com arrocho salarial e restrição de direitos básicos do trabalhador e aposentados e era exatamente isso que fariam os tucanos.

O bom senso recomendaria fazer auditoria nos programas sociais. Estes programas seriam encolhidos, mas seriam mantidos. Dificilmente, qualquer governo que assumisse acabaria com Bolsa Família, Pronatec e Fies.

O comportamento de Temer também deixa claro sua postura messiânica, pregando “um governo de salvação nacional”, a “pacificação” e a “reunificação” do país.

No Congresso, haveria uma reengenharia para participação no governo de reconstrução nacional. Seria a oportunidade da volta da URV e a segunda edição do Plano Real construída em uma nova base de sustentação com arranjos liderados pelo PMDB com o PSDB, DEM, PPS, SD, PSB e outros partidos que hoje estão na oposição. Esta aliança poderia ser visualizada em um ambiente sem a presença do Cunha na Câmara e Renan no Senado.

O governo de hoje será a oposição de amanhã e quando esse dia chegar, os movimentos sociais serão mais surdos e virulentos. Com eles voltariam o vandalismo de grupos radicais de extrema esquerda com depredações de bancos, as invasões de órgãos públicos, fazendas e bloqueios em rodovias.

Alguém poderia ainda perguntar:

– E a Reforma política? Teríamos no máximo uma maquiagem política, vamos devagar que o governo é de barro.

 

(Ezequiel Brasil Pereira, pastor da Comunidade Batista Esperança (Goiânia-GO), Convenção Brasileira. Professor licenciado em Filosofia e especialista em Políticas Públicas pela UFG, mestrando em Ciências Políticas pela Universidade Lusófona de Lisboa. https://www.facebook.com/PrEzequielBrasil)

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