As figuras impactantes de Pirres
Redação DM
Publicado em 12 de abril de 2016 às 02:39 | Atualizado há 1 ano
Com uma obra que transpira realidade, seus trabalhos também esquecem que a vida também pode ser bela
O artista plástico Pirres está pintando freneticamente. Sua intenção é produzir uma novíssima exposição na cidade na qual mora e nasceu: Anápolis (GO). O momento tem inspirado um trabalho que ele chama de impactante e moderno. E, para isso, ele não se importa de varar a noite pintando. “Estou trabalhando pesado nisso em meu ateliê, vou até as madrugadas. Quero fazer algo no qual o público pare para ver e enxergar o verdadeiro sentido da minha arte”, explica o artista.
Logo, este é claramente um momento produtivo em sua carreira. Em uma dessas noites inspiradas, ele conseguiu criar três telas completas. Ao som da música clássica, que para ele é sempre instigante, ele tem deixa a sua inspiração navegar.Às vezes me sinto um ser absolutamente espiritual, parece até que tem um Picasso aqui vivendo dentro de mim, algo diferente
. Todos os dias olho para as minhas telas e penso: foi que fiz. Loucura de artista mesmo”, divaga o artista sobre seus momentos de inspiração.É assim que cria uma obra irreverente, vibrante, que parece se desprender da tela e clama pela atenção de todos os sentidos. Seus temas circulam, entre a beleza e peculiaridades das mulheres e de alguns animais, como gatos, por exemplo. Mas também navega por um meio mais intrigante, como assuntos que envolve criticas sociais, também presentes em sua obra.
“Pinto sobre pobreza e violência. É a minha forma de expressar a revolta que sinto. Acho que em muitas ocasiões, o ser humano se torna um animal. Sem amor, sem temor. Deus fez o mundo de uma forma e tudo mudou”, indigna-se.
Foi o cubismo, a forma que este artista encontrou para expressas tantas mudanças. O olhar das pessoas – pois, a figura humana norteia suas telas – guardam toda sua capacidade de traduzir as emoções destes tempos áperos. Assim, se por um lado há a formosura, cor e feminilidade das mulheres nos quadros de Pirres, por outro um mundo cinza repleto de crianças famintas e pedindo esmolas dão o tom de sua criação. “Gosto de passar uma mensagem instigante para quem admira a minha arte. O cubismo me possibilitou isso”, explica.
Mas, até encontrar os ângulos deste estilo para escancarar suas felicidades e angústias, ele percorreu uma longa caminhada. Esta jornada colorida começou na infância, época quando ele se encantou com obras de artes impressas livros de escola. Mas o dom só começou a ser polido na adolescência, em 1996, quando tinha apenas 16 anos. Foi aí que se matriculou na Escola de Artes Osvaldo Verano (EAOV), em Anápolis, para estudar artes plásticas, onde permaneceu até 2001.
“Estudei e pesquisei sobre diversos estilos de arte, desde a rupestre à contemporânea, e assim me deparei com o cubismo e com o pintor espanhol Pablo Picasso. Me encantei com os traços e sua história, comecei assim vários sobre esse estilo, e defini por adotar o cubismo, onde exponho minhas ideias e conceitos”, conta.
Os momentos de formação lhe transformaram hoje em um artista profissional, que poder cria no próprio ateliê, e consegue, como ele mesmo diz, “sobreviver” por meio da arte. As exposições também fazem frequentemente parte de sua vida e, já participou de eventos como o Goiânia Mostra Sua Arte, que comemorava os 82 anos da Capital e onde teve a chance de expor sua obra ao lado de alguns ídolos como: Amaury Menezes, Waldomiro de Deus e do contenrrâneo Nonatto Coelho.
Quadros seus já integraram mostras na Inglaterra, Irlanda e Estados Unidos. E, frequentemente ele também se envolve em projetos dos quais usa a arte, como forma de inclusão social. 2005, por exemplo, montou com o amigo e também artista plástico Vitor Quintino, o projeto Artes Sem Fronteiras, que é voltado ao ensino de modalidades como grafite, desenho, pintura para comunidades carentes em Anápolis.
“Neste projeto fizemos uma exposição em uma escola, que tinha uma comitiva de ingleses, que queriam me levar para Londres, para trabalhar com arte”, recorda.
DIFICULDADES
È fato que Pirres decidiu pintar por aqui mesmo. Contudo, acredita que muita coisa precisa mudar no cenário artístico nacional, e a luta pelo reconhecimento é a que ele considera mais importante.
“Muitos artistas amigos meus lutaram por vários anos, para conseguir um tal reconhecimento e melhorar as condições de vida. Mas, por falta de incentivo, acabaram desistindo da arte, por uma forma de sobrevivência mesmo”, ressalta.
O próprio Pirres conta que em duas ocasiões teve de desistir das tintas, por falta de espaço e incentivo para mostrar o seu trabalho. “Se tivesse mais investimento nas áreas artísticas, mais locais para expor e vender as obras, acho que teríamos o reconhecimento que todo artista almeja”, reivindica.
E chega a doer ainda ao pintor ver que suas telas – e de outros artistas como ele – não recebem o devido valor. “ Há total desvalorização do artista enquanto vivo, que produz muito. E isso é muito triste, porque o artista é o pai e as obras são os filhos”, compara.



