Relacionamentos do século XXI
Redação DM
Publicado em 5 de abril de 2016 às 03:05 | Atualizado há 1 ano
Se conhecer através de grupos de whattsapp, por aplicativos de namoro, como o Tinder, em partidas online de jogos eletrônicos ou até em troca de curtidas no Instagram, já não parecem mais um absurdo: virou rotina
Até pouco tempo, os relacionamentos ocidentais embebiam-se em determinados padrões: a monogamia, a heterossexualidade, em muitos casos se conheciam através de arranjos familiares, com namoros curtos que resultavam em casamentos longos e infelizes. Socialmente sempre foi essencial para a mulher garantir um parceiro ao seu lado ainda nova, chegar aos 30 solteira representava que esta mulher ficaria sozinha pelo resto de sua vida, afinal, já estaria muito velha para suscitar interesse. Porém, a modernidade do século XXI, a quebra de padrões e paradigmas têm fomentado o surgimento de relacionamentos que fogem aos padrões sociais.
O desenvolvimento da tecnologia e principalmente dos meios de comunicação criou possibilidades de aproximação ainda desconhecidos pela sociedade. A quantidade de pessoas que se conhecem pela internet aumenta a cada dia e cada vez mais casais comprovam que é possível romper os padrões existentes e criar novas possibilidades de amor e companheirismo.
Amores Livres
O termo Amor Livre, ou Poliamor, é utilizado desde o século XIX para descrever um movimento social que rejeitava o casamento e desconsiderava os estereótipos do relacionamento. Os ideais do amor livre envolvem uma relação sem posse, controle ou taxação. Surgido no movimento anarquista, ia contra a constante interferência do Estado e da Igreja na vida e nas relações pessoais. Os adeptos do movimento acreditam no prazer sexual para os homens e para as mulheres, o que têm sido fortemente reprimido pela sociedade desde seus primórdios.
Embora o movimento seja constantemente reduzido à promiscuidade, historicamente os defensores do Amor Livre não defendiam especificamente relações de curtas ou necessariamente a existência de múltiplos parceiros. No amor livre é possível que hajam diversas pessoas envolvidas no relacionamento, que o casal adote a monogamia ou mesmo o celibato, mas não as maneiras institucionalizadas de praticar um relacionamento, seja ele monogâmica ou poligâmico.
Os movimentos do amor livre lutam contra os ideais sociais que subjugam a vida em comum de um casal cuja união não foi regulamentada na igreja ou no estado. Em 2015 o canal fechado GNT produziu uma série documental, dividida em diversos episódios, sobre casais que em algum momento da sua relação adotaram o Amor Livre, abrindo o relacionamento para outras pessoas. O programa atualmente não está em exibição, porém na época causou grande repercussão nas redes sociais.
Sindy e Hamza
Sindy pegou seu primeiro voo internacional, voando 12 mil km da sua casa em Goiânia no Brasil, para conhecer um homem in Dubai, que ela havia conhecido na internet alguns meses antes através de uma foto no Instagram.
Um ano depois de se conhecerem, Sindy e Hamza se casaram. Para eles a conecção foi instantânea. Sindy Mohammed, 23 anos diz “Nossa história é algo que vemos apenas em livros e filmes”A hashtag #nerd e um comentário aleatório de do indiano Hamza Feroz Mohammed, 21 anos, em uma foto no perfil de Sindy no Instagram foi o suficiente para que eles começassem a conversar.The couple claims to be the first in the world to get married over an Instagram post.
“Nossa primeira conversa durou sete horas” diz Sindy. “Era algo muito natural, era como se fossemos melhores amigos, conversando sobre tudo, desde a faculdade até nossas comidas preferidas”, ela completa
O que chocou o casal foram suas semelhanças, apesar de pertencerem a culturas bastante diferentes “Eramos tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidos” diz Sindy. Ela ainda conta que inicialmente pensou que Hamza estava conferindo suas outras redes sociais para saber suas preferências.
A amizade logo se transformou em amor e os dois passaram a conversar diariamente através do WhatsApp e Skype. Com ambas as famílias chocadas, Sindy foi pra Dubai em outubro de 2014 e os dois oficializaram o noivado. “As pessoas ao meu redor me diziam que eu era louca, saindo do meu país para conhecer alguém que eu só tinha visto pela internet. Mas eu sabia que estava fazendo a coisa certa”
Como esperado, as famílias não apoiaram a decisão do casal, pois Sindy era cristã e Hamza muçulmano. A jornalista, formada pela Universidade Federal de Goiás, conta que a família de seu marido estava a procura de um nora indiana e a primeira vista não gostou da decisão do filho. Porém um mês depois Hamza veio para o Brasil, onde ficou por alguns meses, para entrar em contato com a cultura de sua futura esposa, assim como a língua portuguesa.
Em março de 2015, após de formar na UFG, eles se casaram em Dubai. Apenas em maio, quando o casal celebrou seu casamento na Índia que as duas famílias começaram a se entrosar. O casal hoje vive em Dubai, e sua história de amor inspira diversos outros casais.
Allwaro e Joyce
Allwaro e Joyce se conheceram um ano antes da vinda de Allwaro para Goiânia. O estudante de 23 anos, cursa atualmente Ciências Sociais e conta que em momento algum eles pensaram em terminar por causa da distância.
“Durante esses 4 anos passamos por muita coisa, claro. A distância e as despesas para nos vermos eram algo que me incomodava, nos víamos e mau dava para reconciliar nossas brigas bobas. Tentamos organizar de uma maneira que pudéssemos nos vermos de 15 em 15 dias, mas isso nunca aconteceu por vários fatores.”
Hoje isso não é mais problema, nem mesmo o tempo que ficamos longe um do outro, nós estamos em busca de nossos abjetivos e aceitamos os contratempos do caminho. No momento da entrevista, Allwaro estava conversando com Joyce, ele diz que estão sempre se falando, ainda que coisas rápidas do dia a dia, pois a vida corrida e os horários apertados dificultam contatos mais longos.
Letícia e Lucas

Letícia inicia a entrevista contando que já teve alguns “namoros” virtuais, mas ela diz “Eu gosto mesmo é do tato e do olfato [risos] até então não botava muita fé nesse tipo de relacionamentos”
“Nos conhecemos em um grupo do WhatsApp vertente do “Faça amor, não faça a barba”. Ele solteiro, 27 anos, serígrafo, nascido, criado e residente de Beasília. Eu solteira, 19 anos, recém ingressada na faculdade de publicidade, nascida, criada e residente de Goiânia”
Letícia conta que foi todo mundo rápido. “Nos conhecemos em uma quarta-feira e no final de semana da semana seguinte ele estava em Goiânia para me conhecer.” O namoro do casal começou dia 27 de setembro de 2014
Embora Brasília e Goiânia sejam razoavelmente perto, Letícia detestava o fato de se verem apenas nos finais de semana, e nem sempre em todos. “Eu estava sempre economizando o dinheiro da xerox, da passagem de ônibus e até do lanche para conseguir vê-lo no final de semana”.
“Nós dois somos extremamente impacientes e essa situação, logo, já estava cansativa. Decidimos que iriamos morar juntos. De início ele queria vir para Goiânia, porque o mercado aqui é melhor para a área dele, mas eu estava completamente saturada dessa cidade” relata Letícia.
Angustiada, a estudante queria renovar sua vida, completamente, e decidiu começar pela cidade. No dia 27 de dezembro de 2015 o casal se mudou para a casa em que moram atualmente e ela se mudou oficialmente para Brasília.
“Namoramos 3 meses e decidimos diminuir essa distância. Mas confesso que as vezes sinto falta [risos]. Para ela a base de um relacionamento a distância é a confiança.
Gabriela e João

Eu conheci meu namorado através de um jogo online de FPS (First Person Shooter) a principio nunca tínhamos visto um ao outro e nenhum de nós sabia como era o outro. Gabriela relata que conheceu João em meados de 2012 e ficaram amigos, dando início a um namoro a distância. Ela conta que ninguém acreditava que daria certo.
Em 2014 ela viajou para o Rio Grande do Sul pela primeira vez para conhecê-lo pessoalmente e até outubro daquele ano se viam apenas quando um dos dois podia viajar para a cidade do outro. Ainda em dezembro daquele ano a estudante se mudou para morar com o namorado.
Gabriela aconselha quem está em um relacionamento a distância. “ Um dos maiores conselhos é não desista. Acredite e lute para acontecer porque se você não lutar e manter o amor de pé ele vai ficar desgastado e paranoico. É preciso ter muita persistência pois são muitos obstáculos”.