Ainda temos esperanças de um Brasil melhor
Redação DM
Publicado em 3 de abril de 2016 às 01:56 | Atualizado há 10 anos“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”. (Bertolt Brecht)
Inicio meu texto buscando toda a fundamentação nas palavras do pensador Bertolt Brecht. Isto porque, mediante as conturbações políticas pelas quais perpassam nosso País, ouço muitas pessoas dizerem que “não gostam de política”, enquanto isto, o sistema político brasileiro vem sendo arrastado por interesses particulares de partidos que se perderam em tantos improvisos e sem qualquer perspectiva de melhora. Assim vejo um País “arredondado”, sem eira nem beira, à mercê da violência, da corrupção, resultado da ganância de poucos, que se corromperam pela vaidade. Políticos que se esqueceram do juramento de fidelidade ao ofício no dia da posse. Escrevo neste momento o que mais me incomoda como cidadã, pois sei que os brasileiros estão descrentes, assim como eu. Estou na política e sei que é possível transformar as realidades sofridas para dias melhores, no entanto, não é possível um elenco conseguir êxito sem a ideia de grupo. Estamos desamparados e isto precisa mudar para haver sincronia de voz e de vez. Não podemos, por isso, desacreditar que exista uma política do bem feita pela democracia e para a democracia. Entretanto, a sociedade precisa participar como coadjuvante desse cenário que permeia as decisões dos destinos dos brasileiros. As escolhas dos protagonistas não podem ser feitas apenas por grupos desta ou daquela ala de simpatizantes da política. As escolhas devem ser pensadas, analisadas e fundamentadas na política do bem comum. O Brasil é nosso, não de alguns que detêm milhões de hectares de terras, ou milhões de cabeças de bois. Esse país é de todos os compatriotas dos aglomerados pontos do Brasil. Não podemos nos iludir pensando que nossa omissão resguardará nosso território nossas riquezas; ao contrário, nossas terras, nosso petróleo, nossos minerais, nossa fauna e flora não podem ser bens de poucos, mas de todos que ajudam a construir o dia-a-dia de nosso país.
E o cenário político brasileiro vive um período de instabilidade profunda na economia e na política. Por isso que é importante fortalecer as instituições para que líderes não tão talentosos possam conseguir tocar a máquina governamental. O que realmente está em jogo agora não é a ideologia ou a forma de governar, mas a ambição de alguns políticos. São eles que estão alimentando isso. Além da crise no governo, existem várias brigas individualizadas no momento para ver quem vai ficar no comando. Lembro-me das palavras ditas por Einstein as quais são suporte no meu fazer político “O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado” (Albert Einstein). Mas parece que a democracia foi desconectada do seu sentido real. Penso que isto vem do passado, pois o Brasil foi constituído a partir de interesses privados muito fortes, portanto, os limites entre o público e o privado ainda não são claros para a população, só têm clareza entre os poderosos, o que resulta em atrocidades na economia e na vida de milhões de brasileiros, os quais pagam impostos e não sabem para onde vai o dinheiro. É verdade que a opinião pública se indigna com cada um dos episódios ocorridos nos últimos dias no Palácio do Planalto, é que estamos vivenciando, pelos meios de comunicação, as verdades descortinadas, o que nos leva a enxergar a incapacidade de se construir uma noção forte a partir daquilo que é público.
Não quero aqui ser repetitiva em citar os inúmeros casos de abusos do poder público que estão dificultando a vida de milhões de brasileiros. Nossos irmãos, que perderam seus empregos, que não têm escolas e creches para seus filhos, que não têm acesso à saúde pública digna, que estão vivenciando a mais dura inflação dos últimos tempos e perderam até a dignidade de cidadão comum pelos endividamentos. Mas quero sim, lembrar aos meus leitores de que ainda temos esperanças de um país melhor, voltando nossa atenção para as próximas eleições, não nos omitindo e renegando o processo político-eleitoral. Precisamos da política na compreensão mais verdadeira do seu significado de que “a Política é a arte da organização, direção e administração de nações ou Estados.”
Que a nossa força, que é inspirada no nosso instinto patriótico, seja conduzida pelo Divino Espírito Santo, para que tenhamos um futuro próspero e de paz.
(Célia Valadão é cantora, bacharel em direito e vereadora)