Os periquitos de Palmas
Redação DM
Publicado em 20 de março de 2016 às 23:52 | Atualizado há 10 anos
São centenas, são milhares cobrindo o sol nascente, que avança veloz rumo ao zenite do céu de Palmas. Barulhentos, numa nota só, como se fosse uma canção em dó sustenido maior – uma cantoria bem afinada, num bailado bem sincronizado, levantam voo dos ramos verdes das árvores, onde dormiram e lá se vão os periquitos de Palmas, para outros galhos.
Disciplinados, como militar bem treinado, ao comando do líder, não se dispersam, mantendo a altitude, dentro do corredor aéreo, mentalmente (?) traçado, entoando, sempre, a mesma nota.
De anos atrás, nas velhas e centenárias árvores das legendárias fazendas Sussuapara, cantavam mais alto do que o gemer das rodas dos carros puxados a boi em canga, sobressaindo-se à melodia afinada da passarada, aos dias de hoje, nos ramos das plantas plantadas, em fileiras, nas alamedas e avenidas da cidade moderna, os periquitos verdes de Palmas superam o ronco dos motores que impulsionam carcaças multicoloridas de modernos automóveis.
Tradicionalistas, respeitosos aos costumes dos seus de antanho, cantarolam as mesmas melodias dos anos 80, no mesmo tom, deixando nos ouvintes da capital a mesma sonoridade que fizeram ouvir os campesinos das fazendas, cem anos passados.
São os periquitos de Palmas que, depois de sua jornada aérea diária, se vão, barulhentos, sob um céu que escurece, independente de luar, retornando, pelos mesmos corredores do espaço, ao ninho onde se recolhem, silenciosos, para o repouso.
São os periquitos de Palmas, numa sucessão de gerações, as testemunhas de um progresso que chegou rápido para o homem, enquanto eles, os de hoje, em nome dos de ontem, continuam entoando as mesmas e, em uma nota só, canções de seus antepassados.
São os periquitos de Palmas!
(Luiz de Carvalho. [email protected])