Aos prefeitáveis com carinho II
Redação DM
Publicado em 2 de março de 2016 às 00:30 | Atualizado há 10 anos
“A Cidade que cheirava cavalo, hoje, cheira sangue e óleo diesel.”
Infelizmente, no Brasil, questões culturais ainda estão muito aquém das prioridades do poder público, pois, os programas assistencialistas continuam sendo os mais praticados pelos governos, tanto Federal, Estadual e Municipal, por meio de tais programas, os problemas mais graves da população são deixados como secundários, e de forma demagógica, os governos investem prioritariamente nos programas sociais que, visam combater somente as consequências e jamais as causas. O velho ditado: “Não dar o peixe, mas ensinar a pescar”, é um ditado que está muito longe dos ideais palacianos.
Goiânia foi fundada sob a influência da Marcha para o Oeste, programa lançado na época pelo então presidente Getúlio Vargas, com o intuito de desbravar o Centro-Oeste do Brasil, atraindo pessoas para o povoamento dos Estados de Goiás e de Mato Grosso. No dia 24 de outubro de 1933, o médico e visionário, Pedro Ludovico Teixeira lançou a pedra fundamental de Goiânia, transferindo assim, definitivamente a Capital do Estado de Goiás, de Goiás velho (Cidade de Goiás) para Goiânia, no entanto, o Batismo Cultural de Goiânia, só veio a ocorrer no dia 5 de julho de 1942. O plano urbanístico de Goiânia foi projetado pelo arquiteto, urbanista e paisagista, Attilio Corrêa Lima (1901-1943).
Attilio Corrêa Lima, influenciado pela arquitetura francesa, projetou a maioria dos primeiros prédios e monumentos de Goiânia no estilo francês: “art déco”, dentre alguns exemplos da arquitetura Art déco em Goiânia, podemos citar: Os prédios da Praça Cívica, incluindo o Coreto e o antigo prédio do Tribunal Regional Eleitoral, o Relógio que está localizado no início da Avenida Goiás, o Cine Teatro Goiânia (Teatro Goiânia) a antiga Estação Ferroviária de Goiânia, localizada na Praça do Trabalhador, na Avenida Goiás com a Avenida Independência, o Goiânia Palace Hotel, o Edifício Inhumas, o Grande Hotel, além da mureta e o do trampolim do Lago das Rosas, no Setor Oeste.
Em tempos idos, o Centro de Goiânia era o glamour da Cidade, possuía inúmeros cinemas com grandes bilheterias, destacando os Cines: Casablanca (extinto) na Rua 8, Rua do Lazer e o Cine Santa Maria, na Rua 24, que ainda hoje tenta sobreviver para testemunhar a história de Goiânia. O Centro de Goiânia possuía também um comércio forte, inúmeras lojas, lanchonetes, restaurantes, dentre tantos pontos comerciais que marcaram época no Centro, destacamos: o Café Central, o Frango Assado do Grego, a lanchonete Fonte do Paladar, a Livraria Cultura Goiana, o Alfenim Bombonieri, a Churrascaria Vera Cruz, o Magestic Hotel, o Hotel Presidente, e tantos outros estabelecimentos eternizados na mente dos goianienses.
Lamentavelmente, a partir de década de 1980, quando surge em Goiânia o primeiro Shopping Center (o Flamboyant), o Centro de Goiânia começa a entrar em decadência. Infelizmente, hoje, o Centro de Goiânia encontra-se em um estado deplorável, com inúmeras lojas fechadas, calçadas quebradas e mal zeladas, escuridão noturna, tornando o Centro em um local bastante perigoso. Inúmeros prédios históricos do Centro Goiânia, inclusive, muitos deles construídos em arquitetura estilo art déco, estão descaracterizados pelas placas de propagandas, escondendo a sua beleza arquitetônica e histórica, além de estarem também mal zelados e muitos abandonados e danificados. Entendemos que, o próximo prefeito de Goiânia, deverá investir em projetos que visam á revitalização do Centro de Goiânia, a fim de que, prédios e monumentos sejam reformados totalmente e que, o Centro de Goiânia possa receber uma nova roupagem (iluminação eficaz, programações culturais que atraem o goianiense e melhor segurança púbica) para que a história da nossa Capital, não fique esquecida no costumeiro “provincianismo imediatista”, praticado por uma maioria dos nossos administradores.
Enquanto isso, Pedro Ludovico Teixeira, de cima de sua estátua equestre, localizada na Praça Cívica, contempla com indignação a Cidade que ele a construiu.
(Giovani Ribeiro Alves, filósofo, professor de Filosofia no Colégio Estadual Vida Nova e no Instituto Bíblico de Campinas, ambos em Goiânia, escritor, membro da Associação Goiana de Imprensa e articulista do Diário da Manhã)