Brasil

Um itaberino em Salamanca

Redação DM

Publicado em 16 de março de 2016 às 01:55 | Atualizado há 10 anos

La luna de Salamancanos/vio reir y soñar
y luego cuando te fuiste/i que triste mi soledad!
Versos de Juan Gabriel Garcia

A opening de produções escritas da Aila para jornais traz costumeiramente versos poéticos de autores consagrados. Tais versos, de tão bem aceitos, foram musicados e cantados por artistas de repercutido renome; ao parecer desta academia, estas aberturas são louvação à música, deusa de plenos encantos.
Salamanca é uma cidade espanhola rica em monumentos ao ponto de ter se tornado Patrimônio Mundial da Unesco. O referencial de seus bens culturais é divulgado no mundo e suas universidades, desde o século XV, estão dentre as mais prestigiadas da Europa. Vultos notabilíssimos do passado distante e moderno ilustram o espírito catedrático salamanquino, cujos preceitos vislumbram padrões superiores da inteligência humana e suas expressões no mundo.
É bastante extensa a relação de nomes célebres que representam essas universidades, contudo, alguns destes, de diferentes épocas, tornaram-se eternos à luz de sua imortalizada história: Francisco de Vitoria, precursor do Direito Internacional; Beatriz Galindo, La Latina, provavelmente a primeira mulher professora universitária; Juan de Yepes Álverez, mais conhecido por São João da Cruz, místico e religioso e santo da Igreja Católica Romana; Francisco la Barca, prestigiado músico; Luís de Góngora y Argote, mais conhecido como Góngora, um dos maiores escritores espanhóis de todos os tempos, parte da geração do Século de Ouro das Letras Hispânicas; Pedro Sánchez Ciruelo, matemático, que de Salamanca, seu trampolim, foi atuar como professor em Alcalá-Madri e na Sorbonne em Paris, dentre vários outros nomes desta mesma casta.
A explanação sobre o presente tema se estenderia longamente, contudo o muito sucinto comentário acima descrito denota o sentido da intenção da Aila.
Universidade de Salamanca: pt.dreamstime.com
Um itaberino em Salamanca. O que esse acontecimento representa para os itaberinos?
Dr. Antonio César Caldas Pinheiro, itaberino de nascimento, filho do dr. Hélio Caldas Pinheiro e de Maria da Piedade Pinheiro, é um idealista preservador da cultura, das letras e das artes, além de estudioso compenetrado de assuntos históricos. Seu espírito perscrutador das raízes históricas desses bens da humanidade o converteu em pesquisador respeitado e, sobretudo, bastante admirado no meio cultural de nosso estado. O seu prestigioso curriculum vem se tornando a cada dia mais enriquecido, posto que seus propósitos tratam-se da franca fidelidade a seu ideal.
A cidade de Itaberaí o abraça respeitosamente em reconhecimento aos prestígios a ela transferidos pela fibra desse seu devotado filho. Ele criou a Aila, o Museu e o Arquivo Histórico de Itaberaí, a Biblioteca da Casa de Cultura Cel. João Caldas; idealizou a Seíta há alguns anos atrás, sociedade esta que hoje prospera surpreendentemente revigorando no município as nascentes da água bendita. Na capital do estado, para onde se mudou em sua adolescência ainda, o itaberino Antonio César dedicou-se de tal modo aos afazeres culturais que hoje ocupa cadeira na Academia Goiana de Letras.
O então mencionado ilustre filho de Itaberaí, professor, palestrante, pesquisador, escritor, historiador, compositor, artista plástico e músico, com mais de dez livros editados e centenas de trabalhos em revistas e jornais retornou recentemente da Espanha, onde defendeu a sua tese de doutorado aos 25 janeiro de 2016; ali foi oficializada sua legítima titularização de doutor pela Universidade de Salamanca.
Universidade de Salamanca: harriscado.blog.uol.com.br
A prestigiosa tese do itaberino dr. Antonio César, pelas normas internacionais de sua apresentação, consta de 497 páginas, cujo título é O projeto resgate Barão do Rio Branco: a documentação colonial brasileira dos arquivos europeus e Estados Unidos, seu impacto na historiografia e interdisciplinaridade.
A Aila pôde se solidarizar com o seu acadêmico dr. Antonio César nas dificuldades por ele enfrentadas ao encalço desta vitória. Seus compromissos, que são inúmeros, seus pais octogenários aos quais ele devota carinho, presença constante e trato muito amoroso, seu trabalho e responsabilidades outras. A Aila aspira também a conhecer mais profundamente o Barão do Rio Branco, patrono da Diplomacia Brasileira, fluminense nascido em abril de 1845 e falecido em 1912. Foi advogado, diplomata, geógrafo e historiador brasileiro; a tese do acadêmico, então doutor, é proposição importante a esta finalidade.
Na mui grata intenção de informar aos leitores a expressiva conquista de nosso irmão de berço, a Aila cumprimenta seu acadêmico dr. Antonio César Caldas Pinheiro, ciente do lustro que dele procede a Itaberaí, sua terra natal.

(Maria das Graças Morais é 1ª secretária da Aila; Benedito Magno Vieira é presidente da Aila)

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