Brasil

Aprender com os próprios erros

Redação DM

Publicado em 29 de fevereiro de 2016 às 00:39 | Atualizado há 10 anos

Educar é tarefa que exige esforço porque ensinar implica estar constantemente aprendendo, enfrentando mudanças, e isso exige  determinação.

Ao ensinar, sempre aprendemos.

No pós-guerra surgiu, nos Estados Unidos, uma reação denominada overparenting, que significa obsessão dos pais em guiar, proteger, participar de tal forma da vida de seus filhos que passaram a vivê-la  no lugar deles, poupando-os da possibilidade de errarem.

No início dos anos 2000 Julie Lythcott-Haims era reitora da Universidade de Stanford e manifestou estranheza em relação ao comportamento dos estudantes, na faixa dos vinte anos, quando estariam formando e trabalhando nas melhores empresas do país, por  apresentarem imensa insegurança em relação ao futuro que os aguardava.

Disse ela que, ao adentrarem sua sala, sempre se faziam acompanhar dos pais, a quem recorriam para responder por eles quando ela lhes perguntava o que pretendiam fazer, ao deixarem a Universidade.

Ela passou a interessar-se por esse fato verificando que, com ela mesma, isso também  estava  acontecendo. Percebeu que seu filho tinha dificuldade em  agir por si mesmo e planejar o próximo passo.

Deduziu que isso acontecia em função da influência da contracultura  dos anos 60/70, quando os pais decidiram aplicar teoria contrária à que receberam, dando aos filhos mais amor e menos rigor, mais compreensão e menos cobrança.

Exageraram na aplicação da fórmula e produziram uma geração de adultos  que abdicou do poder decisório em suas vidas, a favor dos pais, que julgavam mais aptos a direcionar seu futuro, com mais probabilidade de terem sucesso.

Afirmou que era a primeira vez que uma geração se sentia despreparada  para enfrentar as ameaças naturais  que a vida teria para lhe ofertar.

Ter maturidade é ser capaz de decidir e, na dúvida, buscar recursos, argumentos, explicações para evitar obstáculos naturais , em qualquer área profissional.

O que acontecia era, ao invés de arriscar, ligavam, imediatamente, para a consulta aos pais para orientá-los, evitando contratempo e possíveis fracassos.

A  ex- reitora de Stanford afirma que o fracasso faz bem às crianças, pois é deles que aprendem.

Os adultos-crianças assumem uma atitude chamada “desamparo aprendido” que  em Psicologia se refere a algo que vem da falta de conexão entre esforço e resultado.

Isso ocorre mais ainda na área profissional,  onde se  espera que o empregado contribua para o crescimento da empresa e dos colegas, sendo eficiente –  aquele que vê os melhores meios para chegar a um resultado e também eficaz – aquele que busca o resultado, visando o fim a ser atingido.

Os pais  são superdirecionadores quando  definem o que os filhos irão estudar, com  quem irão se relacionar, moldando seus sonhos.

São superprotetores quando querem poupá-los de sofrimentos, achando-os incapazes de cuidarem de si mesmos.

E são os que superajudam os que se sentem na obrigação de acompanhá-los  em todas as suas atividades.

Desenvolver  independência e autonomia é  fundamental para que a pessoa cresça.

Há necessidade de enfrentar riscos para que haja amadurecimento, pois a autonomia não ocorre de repente. Tem-se que correr riscos para que se fortaleça a resistência e venha a aprender com os próprios erros.

 

(Elzi Nascimento é psicóloga clínica e escritora / Elzita Melo Quinta é   pedagoga – especialista em Educação e escritora. São responsáveis pelo Blog Espírita: luzesdoconsolador.com. Elas escrevem  no DM às sextas-feiras e aos domingos.   E-mail: [email protected] (062) 3251 8867)

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