Brasil

A vergonha saiu de moda?

Redação DM

Publicado em 18 de fevereiro de 2016 às 23:09 | Atualizado há 10 anos

Ontem presenciei um desentendimento infantil, uma criança falava mal a outra: feia, chata, não gosto de você… Até que em um determinado momento a outra falou: Vergonhosa! Fiquei a ponderar:

O que aconteceu conosco? A vergonha saiu de moda? A diversão é agora é mais importante que os valores? Quando foi que bons modos se tornou ridículo? Como abrir mão da vergonha na cara?

Quero não ter nenhuma condescendência com essa moda que destrói nossas gerações.  Quando leio que educar uma criança é proibido, e que o certo é uma educação sexual revolucionária tornando-os seres assexuados não me admiro ao deparar que a vergonha também seja um característica negativa nessa cultura consumista e sexista atual

Os valores mudaram, é o retrato da nossa época onde cruzamos o tempo todo com pessoas sem nenhuma vergonha na cara.  Aliás, quando deparamos com alguém que ainda possui resíduos são taxados de personalidades sem graça.

Valores importantes se invertem com o passar dos tempos, coisas que eram fundamentais, hoje em dia são tidas como bregas.

Perdemos a consideração uns pelos outros e por nós mesmos; se quisermos recuperar a vergonha, teremos que priorizar as pessoas mais do que as coisas, o bem estar dos que nos rodeiam, mais do que a moda e o supérfluo.

Hoje o que vale é o modismo, a satisfação pessoal e o prazer singular. Eu não consigo esconder meu descontentamento com a realidade que se desperta hoje, pois, vergonha tem a ver com valores humanos, e o que ocorre é que determinadas posturas ao invés de denotar valor, depreciam o ser humano nos levando a níveis de animais irracionais e nos distancia do processo de evolução necessário para  espécie!

Estudos revelam que o sentimento da vergonha é como um regulador moral. Ela determina o que devemos ou não fazer um grupo, por isso é um sentimento que nos levam a cooperação e respeito mútuo. Para Aristóteles a vergonha e o rubor são indícios inequívocos da presença do sentimento ético. Quando faltam, tudo é possível. Tudo mesmo!

 

(Josanne Gonzaga, poeta (4 livros publicados, e participação em 3 Antologias), coach e administradora de empresas. E-mail [email protected])

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