Brasil

Governos e leis empurram a iniciativa privada para tornar-se corrupta no Brasil

Redação DM

Publicado em 16 de fevereiro de 2016 às 01:18 | Atualizado há 10 anos

Este é o último artigo da série “Uma defesa psiquiátrica dos corruptos da Lava Jato”, cujas partes foram publicadas nos últimos jornais de domingo, sexta, e terça (disponíveis em dmdigital.com.br).

No último artigo, falávamos das “leis no Brasil”. Então, as leis, por aqui, foram criadas e alimentadas para servirem a vários grupos de interesse, desde determinados nichos do povão (populismo barato) até determinadas facções/corporações da classe média, grandes empresários e à casta burocrática e à casta político/governamental.

Só deixaram de lado a “casta verdadeiramente produtiva”, mas isto nunca foi um problema real pois as tais leis nunca foram, de fato, implementadas, aplicadas. Sempre o “jeitinho”, o “compadrio”, o “patrimonialismo” resolvem tudo entre nós.  A internet, no entanto, mudou tudo pois nem os grandes empresários, nem o Governo, nem a mídia comprada, podem mais varrer para debaixo do tapete uma operação Lava-Jato dessas. Basta um elemento do estamento burocrático colocar um posto no Facebook para, assim, escancarar  as contravenções tais e tais leis, protagonizadas por tal e tal membro do governo ou por tal e tal grande empresário. Na classe média e no povão, aqueles não produtores, aqueles não comprometidos com a-iniciativa privada vão aplaudir de pé, com gosto de sangue na boca, o escancaramento da ilegalidade. Julgam que a ilegalidade é sinônimo direto da imoralidade. Quase sempre o é mesmo, mas nem sempre, ou seja, há bons empresários, interessados não em ficarem ricos/poderosos, mas apenas em fazer um bom trabalho, e que, pelas leis atuais, também seriam enquadrados como contraventores.

É certo que a internet está colocando tanto a “ilegalidade” quanto a imoralidade às claras e isto é muito bom. Mas as classes inferiores-médias  (repetindo, aqueles não envolvidos com a inovação dentro da iniciativa privada) não  deveriam ir sedentas de sangue, ressentidas ou invejosas, contra os produtores, confundindo sua pretensa ilegalidade com uma pretensa imoralidade. A maioria das leis asfixiantes contra o empresariado é que são imorais, e o povão e classe média têm de ver e entender isto, sob o risco de paralisar o País.

Uma pergunta que poderia ser feita neste ponto é:  por que a classe média-empresarial não se deu conta da armadilhas que todos armavam contra si? É porque esta classe média, mesmo sendo empresarial, padece dos outros defeitos do povão/classe média não empresarial, quais sejam, é muito “família”, “amigável”, pouco racional, pouco “futurizadora”. Sempre agiu desbastando toda selva de leis/exigências na base do jeitinho, da amizade, do deixa pra lá, do “depois eu resolvo”, do “no final dá certo”, “Deus é brasileiro”.

O problema é que o andar que está embaixo da classe média empresarial (isto é, o povão e a classe média não empresarial) foi “pegando gás”, turbinados pelo coitadismo que o Estado os mal acostumou. Turbinados pelo denuncismo fácil da internet, agora todos querem os “direitos”, todos “aplicam a Lei”, “todos têm sede de Justiça”. Só que a justiça aplica leis (p.ex., leis trabalhistas) que asfixiam e paralisam a produtividade no país. A classe média-empresarial (aquela que não faz parte dos “escolhidos do BNDES”)  está com medo de se lançar no mercado, medo de não dar conta de tanta Lei; medo de um Governo que continua jogando a favor do coitadismo e contra a iniciativa do cidadão; medo de uma casta burocrática que tem leis capazes de asfixiá-la por mil anos, basta botar a cara na porta.  E todos com “sangue nos olhos para matar alguém”.  Ninguém mais quer se arriscar e levar chumbo, ser denunciado, ser processado, terá a firma no cartório, no tribunal, na polícia, estampada nos jornais. Só lhe resta a vontade de  ser funcionária pública, a vontade de não precisar preocupar-se com as leis, com a “vida selvagem aqui no mundo real”. Proteção sob o Estado é o que todo brasileiro quer, neste momento. O problema é que, sem a iniciativa privada, o Governo não está tendo mais dinheiro para inchar o Estado. Está faltando concurso público e esta classe média começa a ficar sem opção : nem concurso público nem possibilidade de montar ou tocar uma empresa. Uma espiral descendente sem fim.

 

(Marcelo Caixeta, médico psiquiatra)

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