Lula, o triplex, o sítio e a saudade de Aureliano Chaves
Redação DM
Publicado em 15 de fevereiro de 2016 às 22:30 | Atualizado há 10 anos
Aureliano Chaves, mineiro da cidade de Três Pontas, que viveu entre 13 de janeiro de 1929 e 30 de abril de 2003 disse, em 1989: “Aquele que entra pobre e sai milionário numa gestão pública precisa ser investigado com critério, pois, além de roubar da nação, provoca o descrédito para a classe política e dá o exemplo negativo para outros que virão depois dele. Não será difícil comprovar a ladroagem e, após a comprovação, é preciso punir com rigor, sem piedade ou medo, para coibir que outros façam a mesma coisa. Se o Brasil não se atentar para isso não nunca será uma grande nação e estará sempre a mercê da desonestidade dos aventureiros que a ingenuidade do povo às vezes coloca no poder”.
Ele era candidato a presidente da República, pelo PFL, depois de ter sido deputado estadual, federal, vice-presidente da República (no governo de João Baptista Figueiredo) – mandatos cumpridos pela Arena.
Político de direita e nacionalista, Aureliano foi o único civil a assumir a presidência da República no período em que governaram os militares da Revolução de 1964, tempos difíceis, de muitos comentários sobre os excessos e erros e quase nenhum sobre os acertos.
Sem entrar no mérito de acertos e erros, o fato é que Aureliano Chaves, que foi apenas o nono colocado no pleito de 1989 (quando foi eleito Fernando Collor de Melo) disse algo que precisa ser refletido. O diferencial da democracia da anarquia é que, na primeira, existem leis para nortear os costumes. A lei estabelece que existindo dúvidas ou evidências é preciso que haja a apuração dos fatos. Comprovado o delito é preciso aplicar a pena. No caso de roubo do dinheiro público a pena prevista é o ressarcimento do erário e a cadeia para o criminoso.
Diante disso, as investigações sobre a posse do apartamento triplex no Condomínio Solaris, na Praia das Astúrias, no Guarujá Paulista e do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, precisam seguir com isenção. Há fortes indícios de que os dois imóveis pertençam ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.
No caso do apartamento, há ainda outras dúvidas mais escabrosas. O condomínio começou a ser construído pela Cooperativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo (Bancoop), que cobrou dos cooperados taxas para a construção do condomínio de luxo, quando era presidida por João Vaccari Neto. Esse virou tesoureiro do PT e há suspeitas que o dinheiro cobrado foi desviado para a campanha do partido, o que provocou a quebradeira da Bancoop.
Quebrada a Bancoop repassou a responsabilidade da construção para a Construtora OAS e essa deu aos cooperados direito de sair do negócio, com adesão até 2009. Lula, que nunca foi bancário, estava no negócio e não saiu.
Em 2015, sua esposa Marisa Letícia solicitou a rescisão do contrato e foi atendida, fora do prazo, sendo ressarcida em 500 mil reais, pela OAS.
A desconfiança do Ministério Público é que, mesmo com o dinheiro devolvido, o triplex continuou sendo da família Lula, embora esteja em nome da OAS. A pergunta é: porque o dinheiro foi devolvido e de onde veio esse dinheiro? A outra desconfiança é de que o dinheiro e o triplex sejam fruto de pagamento de propina. O sítio de Atibaia está escriturado para dois nomes: Fernando Bittar e Jonas Suassuna, que são sócios de Fábio Luiz Lula da Silva, filho de Lula. Há suspeita é que os dois proprietários sejam laranjas da família do ex-presidente e que também seja fruto de pagamento de propina pela OAS.
Essas desconfianças nos faz sentir saudade de outra afirmação de Aureliano Chaves: “Não me envergonho de ser chamado de direitista, mas me envergonharia muito se fosse chamado de ladrão”.
Alcides Ribeiro Filho, PHD em Economia, Contabilidade e Pedagogia, professor universitário é empresário em Aparecida de Goiânia