Brasil

Sou caipira pira pora

Redação DM

Publicado em 13 de fevereiro de 2016 às 00:19 | Atualizado há 10 anos

Carnaval, a festa popular mais celebrada no Brasil, tornou-se importante elemento da cultura nacional. Ocorre em diversas versões conforme as regiões do País. Temos os trios elétricos, principalmente os da Bahia; os bailes realizados nos clubes; os blocos de rua; os frevos pernambucanos e os famosos desfiles das escolas de samba, principalmente os do Rio e São Paulo, que atraem foliões do mundo inteiro. Com muito colorido, alegria contagiante, belos sambas enredos, baterias bem ensaiadas e carros alegóricos evoluem na avenida com seus integrantes fantasiados apresentando a história proposta pela agremiação. O maior e mais bonito carnaval do mundo é o brasileiro, mas, existe em outros países e não é invenção brasileira, sua origem vem da antiguidade, da Mesopotâmia, da Grécia e de Roma. O significado da palavra carnaval é retirar a carne e está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundanos, pois, a Igreja Católica, pretendendo manter uma data para as pessoas cometerem seus excessos, antes do período da severidade religiosa buscou enquadrar essas comemorações e a partir do século VIII, com a criação da quaresma, tais festas passaram a ser realizadas nos dias anteriores ao período religioso.

As primeiras manifestações carnavalescas no Brasil ocorreram no período colonial com uma festa de origem portuguesa que era praticada pelos escravos. Foi alcançando maiores proporções com os surgimentos dos cordões e ranchos, festas de salão, os corsos e as escolas de samba. Os tradicionais ritmos regionais passaram a fazer parte da tradição cultural carnavalesca brasileira, que foi agregando marchinhas, sambas e outros gêneros musicais. Embora não seja muito respeitado, o período do carnaval tem a duração de três dias, que antecedem a Quarta Feira de Cinzas. Os três dias são considerados gordos, especialmente a “terça-feira gorda”, ocorrem em contraste com a quaresma, que é tempo de penitência e privação. O carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa, geralmente em fevereiro ou em março e, conforme o Cálculo da Páscoa, ocorre próximo do dia de Lua Nova.

Nesse ano, a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense ousou levar para o sambódromo um enredo diferente homenageando a dupla sertaneja de Goiás, Zezé Di Camargo e Luciano. Em sua ousadia contou a trajetória dos filhos de Francisco, cujo sucesso teve início com a música “É o amor”. Com o enredo “É o Amor Que Mexe com Minha Cabeça e Me Deixa Assim. Do Sonho de um Caipira Nascem os Filhos do Brasil”. A escola permitiu-se o domínio do universo caipira com muitas referências à roça, a agricultura e a pecuária goiana, e mais, não deixou de lado à estética dos rodeios, mencionou Pirenópolis e a folclórica Festa do Divino, retratou a batalha, entre os Mouros e cristãos, representada anualmente na cidade pelas cavalhadas com seus soldados e mascarados. Isto tudo é uma honra para os goianos que se orgulham dos conterrâneos ilustres. A Imperatriz declarou o seu amor ao universo sertanejo com alas e alegorias em que predominaram os tons de vermelho, em alusão à canção “É o Amor”. Fantasias mesclaram o mundo sertanejo e do samba e o último carro trouxe Zezé Di Camargo e Luciano em destaque, com a presença do pai, Francisco, e dos irmãos. A coragem da Escola e do carnavalesco é digna de elogios, pois, a música sertaneja não tem raiz carioca, por isso foram muito criticados, mesmo assim, resolveram derrubar muitos preconceitos principalmente por conta da construção do enredo e da qualidade do samba, que a meu ver ficou muito bonito e poético. É o sertanejo que conquista tudo, mas não larga seu chapéu, sua galinha, não sua viola, o que ele precisa e não deixa de ser quem ele é realmente. Foi algo diferente, o refrão maravilhoso: “Chora Cavaco, Ponteia Viola. Pega a Sanfona, Meu Irmão, Chegou a Hora. Sou Brasileiro, Caipira PiraPora…” ficou gravado e a escola é credenciada como forte candidata em diversos quesitos avaliados pela comissão julgadora do desfile carioca.

 

(Natal Alves França Pereira, servidor público, graduado em Ciências Contábeis, filiado à Associação Goiana de Imprensa)

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