Será o petróleo nosso mesmo?
Redação DM
Publicado em 12 de fevereiro de 2016 às 23:57 | Atualizado há 10 anosO petróleo é nosso, é o título de um filme brasileiro, ainda do tempo da Atlântida, empresa cinematográfica. O enredo é sobre a descoberta de petróleo no Estado de Goiás. Uma fazendeira, de nome Perpétua, de repente, é sobressaltada pela sorte grande, com a descoberta de petróleo em sua propriedade. A cena começa com a sua entrada no salão do principal hotel do Rio de Janeiro, curiosa com a quantidade de hóspedes dormitando, nas confortáveis poltronas, sofás do grande saguão, saca da arma pendurada no cinturão, à semelhança dos filmes de cowboy, atira para o alto, colocando, em polvorosa os dorminhocos, anunciando a sensacional descoberta em suas terras. O riso é estrondoso, com o impacto dos tiros, espanto de todos, e, em especial, dos que cochilavam. Dona Perpétua, pela indumentária, traje que usava: capacete de fibra, blusa e calça, coldre na cintura, só mesmo arranjo de cinema.
Naquele tempo, os pioneiros do petróleo: Monteiro Lobato, Oscar Cordeiro, Edson de Carvalho, este autor do livro O drama da descoberta do petróleo brasileiro, Gondim da Fonseca, jornalista e autor de outra obra: Senhor Deus dos Desgraçados, eram mal vistos, e, mesmo, perseguidos. Oscar Cordeiro, perfurou o primeiro poço de petróleo no recôncavo baiano, a manchete no jornal regional levou-o à prisão, além de prendê-lo, a polícia política da ditadura, na época, mandou tapar o dito poço, no entanto, a pressão fez o óleo bruto mostrar a cara, entre os entulhos, provando, para gaudio dos brasileiros e ira dos trusts internacionais, a presença de petróleo, em nosso país. Monteiro Lobato também foi preso várias vezes, pela sua crença inabalável, crítica veemente aos trusts e ao próprio estado, por falta de política de incentivo á pesquisa e a perseguição aos pioneiros do petróleo.
Creio leitor, que aqueles heróis do petróleo jamais imaginaram que viriam eles hoje a ser um bem do estado, bem valioso, no entanto, um mal, mal escabroso, para a sociedade consumidora, maior, ainda, a produtora, transportadora, beneficiadora da riqueza nacional pelo preço alto, exorbitante praticado pelo estado, o mais caro da América, o que vem a ser, de novo, a sociedade contribuinte subsidiando o rombo corruptivo do Petrolão, ontem o mensalão.
Reportando a política, ela tem o lado bom e o lado ruim, o lado bom era praticado na democracia Grega, em processo direto, o poder realmente emanava do povo e era exercido em seu nome. Havia a vigilância direta da Eclésia, assembléia dos cidadãos. A democracia atual, pós Iluminismo, nasceu indireta, os eleitores delegam, pelo voto, aos poderes legislativo e executivo, o seu direito nas três esferas. Com a delegação da vontade geral, maior arma do eleitor, consoante Rousseau, filósofo mor do Movimento das Luzes em sua obra prima, O Contrato Social, tornou-se, por falta de preparo dos eleitores para a vida política, acabou-se transformando no lado mau, perverso da política.
De posse daquele valioso trunfo, a vontade geral, indelegável, passou aos representantes eleitos pelo voto, a praticar toda sorte de abusos, mutretas, em seu nome, sujando a imagem da república, como melhor forma de governo, pois, contrata de forma pacífica e dispensa, também, de forma pacífica os governantes, mas ao delegar a vontade geral, ficou ela de pés e mãos atadas vendo o circo pegar fogo. De forma que, para fazer valer sua vontade, no caso contra os preços exorbitantes dos combustíveis, insumo moderno, como o óleo diesel, terá que recorrer ao mesmo processo usado para a aprovação da lei da ficha limpa, mobilizando a população, promovendo consulta popular, prevista pela própria constituição.
Fossem nossos governantes dotados de visão, senso comum, com as sucessivas quedas, baixas de preços do barril de petróleo bruto no mercado internacional, já teria promovido a mudança de sua política monetária de preços, juros altos, nocivo ao crescimento, recessiva, por uma arrojada política fiscal incentivadora do crescimento econômico, reduzindo preço de ambos os insumos: óleos diese e combustível, nivelando-os aos preços praticados em todo o continente americano, ou abrindo as fronteiras à importação de ambos.
Quanto mais caro estes insumos, mais caro será os custos de produção, transporte, escoamento da riqueza nacional, incentivando a inflação, esta, inimiga das classes média e operária, porquanto redistribui renda as avessas, tira dos pequenos e médios produtores, consumidores para os grandes.
Por isto leitor o estado, por meio de seus condutores, os governantes, caminha na contra mão da história, para reverter essa sua política, você terá que sair da inação para a ação, mobilizando a nação, dissolvendo todos os poderes constituídos pelo voto secreto, mas infelizmente e por culpa deles, ainda, subserviente e leniente, volúvel, pelo seu rival, oposto, o voto consciente, sapiente e independente, o que está a carecer de cultura política, em pleno alvorecer do segundo milênio, ainda ausente nas escolas. Ao passo que deveria ser obrigatória do bê-á-bá ao dia de formar, nesta hora, no lugar de receber um só diploma receberia dois, um da carreira, profissão que abraçou, outro de cidadão/cidadã preparados para a vida política de sua comunidade.
Quanto a sociedade votante, assim como tem horário para os candidatos fazerem suas campanhas, proselitismo, este mesmo horário já deveria estar sendo usado, a muito, para doutrinar toda a sociedade eleitora, exaltar o valor de seu voto, desde que consciente, como sua maior arma, no processo eleitoral, premiando os bons candidatos e punindo os maus, ruins, melhorando, a partir de cruzadas, como estas, a imagem visual da república, atualmente, bastante desgastado, gerando descrença no meio eleitoral, e, no seio do povão.
Faça corrente eleitor, forme opinião contra os preços abusivos desses dois combustíveis vitais, imprescindíveis ao progresso e bem-estar de todos patrícios, propague, de forma ordeira, a dissolução de todos os poderes eleitos, pelo voto, e a realização de eleições limpas, onde no lugar de campanhas nababescas, milionárias, o candidato gaste as solas dos sapatos e o diálogo com a sociedade eleitora, propondo suas idéias e ouvindo as dos eleitores. Resgatemos a política como a arte de promover o progresso e bem-estar de todos patrícios, asfixiando, expulsando, a sua rival, em voga, no país, a política como a arte da velhacaria, corrente maquiavélica dominante em todas as esferas públicas do país.
(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)