Privatizações – por que somos contra
Redação DM
Publicado em 12 de fevereiro de 2016 às 23:51 | Atualizado há 10 anos
Vivemos um momento caracterizado por crises. A que o capitalismo internacional vem atravessando se desdobra em crises econômicas e políticas que se abatem sobre vários países, entre eles o Brasil.
Desde as eleições de 2014, os movimentos sociais e sindicais estão nas ruas em defesa do mandato da presidenta Dilma Rousseff (PT) e do projeto que ele representa. Ou deveria representar.
Entendemos que a sanha privatista que cerca o setor elétrico é mais um capítulo dessa grave ameaça aos direitos e às aspirações do povo brasileiro: emprego, bem estar social e liberdades democráticas.
Defendemos reformas populares que combatam as gritantes desigualdades sociais, colocando em prática uma política econômica que não ande de braços dados com a privatização do patrimônio público. Não concordamos com a privatização do setor energético brasileiro, seja da Petrobras e suas subsidiárias, seja das distribuidoras de energia do sistema Eletrobrás, ao qual a Centrais Elétricas de Goiás (Celg) está integrada.
O controle do Estado sobre as matrizes energéticas é fundamental para o desenvolvimento que permitirá a satisfação das necessidades básicas do povo brasileiro, incluindo o acesso à energia elétrica, especialmente nas comunidades onde isso não tem viabilidade econômica para uma distribuidora privada, mas é imprescindível para o desenvolvimento regional e para evitar o êxodo rural.
As empresas já privatizadas no setor elétrico brasileiro não demonstram a flexibilidade e compromisso com as especificidades das populações locais e regionais. O ranking das empresas distribuidoras elaborado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) evidencia que a gestão privada não é mais eficiente que a do setor público.
Defendemos a reestruturação das distribuidoras do sistema Eletrobrás através da criação de uma holding de distribuição, a Eletrobrás D, subordinada ao Ministério de Minas e Energia, com o estabelecimento de regras que possibilitem a blindagem das empresas públicas, sem ingerências político-partidárias na sua gestão.
Diante deste momento crítico pelo qual passamos entendemos que é fundamental parar as privatizações do sistema Eletrobrás e abrir o diálogo com os atores sociais, para estudar alternativas que possibilitem sair dessa grave crise .
(Mauro Rubem, presidente da Central Única dos Trabalhadores no Estado de Goiás (CUT-GO) e ex-de-putado estadual pelo PT)