“Não se resolve os problemas do Brasil com impeachment”
Redação DM
Publicado em 12 de fevereiro de 2016 às 21:49 | Atualizado há 10 anos
“Não se resolve os problemas do Brasil com impeachment”, afirmou o deputado Jovair Arantes, líder da bancada federal do PMDB, ao se posicionar contrário à aprovação do impedimento da presidente Dilma Rousseff (PTB). “Se o povo brasileiro acha que errou ao eleger a Dilma, então, que na próxima eleição eleja quem achar que deve, troca o governo.”
Jovair Arantes faz uma distinção entre erros administrativos e malversação do dinheiro público. “Entendo que não há nada que comprometa a presidente Dilma Rousseff do ponto de vista moral. Ela erra administrativamente. Agora, está tentando acertar. O Paulo Garcia erra e muito aqui em Goiânia, nem por isso defendo o afastamento dele. A hora de trocar o governante, quando comete erros ou falhas administrativas, é nas eleições. É preciso dizer que há uma diferença entre quem faz a malversação de dinheiro público de quem erra na administração.”
O líder petebista indaga: “O que o país ganha com o impeachment? Ele mesmo responde: “Estamos vivendo uma crise política, moral e administrativa no país. Defendo um acordo para acalmar e colocar o país para funcionar. O Brasil precisa recuperar rapidamente a sua economia para voltar a crescer, gerar empregos e renda.”
O líder revelou que, na última reunião da bancada do PTB na Câmara Federal, a quase totalidade dos deputados decidiu votar contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A matéria volta a ser examinada pela Câmara ainda em fevereiro.
Questionado sobre como vê a posição da deputada Cristiane Brasil, presidente nacional do PTB, que atua em favor da aprovação do impeachment, Jovair Arantes diz que respeita a posição da dirigente partidária, mas que “a bancada tem autonomia para definir sobre as matérias que são apreciadas pela Câmara ou Congresso.” E explica: “Para alterar isso, só se o congresso nacional do PTB se reunir para fechar questão em determinada matéria. Caso contrário, os deputados têm autonomia para votar a favor ou contra o impeachment.”
Jovair adianta que o PTB fecha questão em questões temáticas, como a defesa dos trabalhadores brasileiros. “O PTB vota sempre a favor das matérias trabalhistas e dos aposentados. São causas pétreas do partido.”
Tendência golpista
Em entrevista à rádio 730/AM, Jovair Arantes afirma que o Brasil tem uma tendência golpista histórica. “A própria proclamação da República foi um golpe. De lá para cá, tivemos golpes em cima de golpes. A regime civil/militar de 1964 foi um golpe. Quando a democracia foi instalada, deram um golpe no Fernando Collor. Naquele momento, foi um golpe, pois Collor tinha problemas, mas depois o Judiciário o inocentou. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu um golpe, pois tinha mandato de quatro anos e conseguiu outro de quatro anos também, golpe político orquestrado e autorizado pelo Congresso Nacional.
Na opinião do parlamentar, golpe em cima de golpe vem atrapalhando o desenvolvimento do país. “Hoje, não se tem garantia política e jurídica do que poderá acontecer no Brasil. Temos que assegurar estabilidade política à sociedade brasileira.”
Eduardo Cunha
O líder da bancada do PTB é de opinião que, até o momento, não há razões para a cassação do mandato do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), acusado de receber propinas de empresas envolvidas em fraudes na Petrobras. “Eduardo Cunha está num processo de investigação. Mas o que existem são ilações, informações levantadas pelo Ministério Público e que estão sendo investigadas. No Estado de Direito, a pessoa pode ser acusada, mas tem o direito à defesa.”
Jovair Arantes disse que não se considera integrante do grupo de Eduardo Cunha na Câmara Federal. “Votei nele para presidente da Casa. Entendo que ele tem sido um bom presidente até agora, pois a Casa passou a produzir com melhor qualidade as suas votações.”
Sobre o afastamento do deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara Federal, o líder do PTB ressaltou que se trata de um “embate político ou jurídico”, sob o argumento de que “se de lado o procurador-geral da República Rodrigo Janot pede a saída do presidente do cargo, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, já se manifestou dizendo que não vê necessidade do afastamento de Cunha. Entendo que o presidente do STF age corretamente, pois expressa a cidadania, ou seja, assegurar o direito de defesa.”
FRASES
“Entendo que não há nada que comprometa a presidente Dilma Rousseff do ponto de vista moral.”
“O que o país ganha com o impeachment? Estamos vivendo uma crise política, moral e administrativa no país. Defendo um acordo para acalmar e colocar o país para funcionar.”
“Eduardo Cunha está num processo de investigação. O que existem são ilações, informações levantadas e que estão sendo investigadas. No Estado de Direito, a pessoa pode ser acusada, mas tem o direito à defesa.”